Esta proposta assentou fortemente em princípios de sustentabilidade ecológica e financeira ao procurar aproveitar, potenciar e integrar ao máximo determinadas construções e estruturas verdes já existentes, nomeadamente o anterior edifício da cantina, o muro do antigo reservatório, o «mega talude» em cimento projectado e a área arborizada localizada na Colina da Penha, para que, sem grandes alterações da morfologia do terreno, profundo respeito pelo património, com pouco impacto na paisagem e numa perspectiva de mimetização com a mesma, se produzisse um espaço publico de ambiência «Zen» que respondesse, entre outros, aos objectivos apresentados no programa de concurso, nomeadamente a valorização patrimonial do Quartel dos Mouros e a transformação desta área numa «rótula» de ligação pedonal entre os 3 pontos turísticos de interesse histórico situados na sua envolvente imediata: o Largo do Lilau / Casa do Mandarim, a Igreja da Penha e o Templo de A-Ma.
Entre as linhas de intervenção contavam-se a construção de um espaço de estacionamento subterrâneo para a Capitania e para moradores, fechada que seria ao trânsito a Travessa da Capitania dos Portos; a criação de um acesso pedonal em rampa à Travessa da Penha; a repavimentação parcial da escadaria contígua ao Quartel dos Mouros; a construção de espaços ajardinados na cobertura do parque de estacionamento; a ligação ao Largo do Lilau Casa do Mandarim, à Igreja da Penha e ao Templo de A-Ma através de percursos pedonais; a construção de uma escadaria de acesso à Estrada D. João Paulino e à Igreja da Penha; a valorização do muro do antigo Reservatório e a construção de um bar e esplanada nas imediações; a reconversão do anterior edifício da Cantina; a construção de um volume edificado sobrelevado e de um deck em madeira; a introdução de espelhos de água; e, finalmente, como corolário da intervenção, a colocação de uma obra de artealusiva ao estuário do Rio das Pérolas, à história de Macau e à própria actividade da Capitania dos Portos, num dos espelhos de água, tendo a Colina da Penha como moldura.
O projecto obedecia ao conceito de emissões zero. O edifício iria funcionar, no seu todo, como uma gigantesca planta que recolhia a água da chuva para se alimentar, transformavaem energia a luz solar que absorvia através das células fotovoltaicas incluídas nos seus vãos envidraçados e, finalmente, contribuía para uma melhoria efectiva do ar-ambiente através do oxigénio gerado pelas “green-walls” integradas nas suas fachadas e pelos “roof-gardens” das suas coberturas.
Era essa a forma como pretendíamos homenagear a Colina da Penha e o ambiente histórico do local.
Maria José de Freitas











