Cidadão denuncia alegada pressão policial para cancelar pedido de manifestação. PJ vai investigar

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Wong Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, quis convocar uma manifestação por ocasião do 1.º de Maio mas, segundo denunciou, acabou por retirar o pedido por alegada pressão policial. Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, indicou que a Polícia Judiciária (PJ) vai investigar o caso. Leonel Alves, presidente da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança, disse ao PONTO FINAL que “o assunto não será descurado” em futuras reuniões do organismo.

 

Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, colocou a Polícia Judiciária (PJ) a investigar um caso de alegada pressão policial. Em causa está a denúncia feita por Wong Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, que quis convocar uma manifestação por ocasião do 1.º de Maio, mas que acabou por recuar depois de, segundo o próprio, ter sido perseguido por polícias à paisana.

O caso foi relatado pelo portal All About Macau, a quem Wong Wai Man contou que retirou o pedido de manifestação depois de ter sido intimidado. O homem denunciou que, no início de Abril, quando apresentou o pedido de manifestação, começou a ser vigiado por agentes à paisana que o seguiam e também recebeu telefonemas anónimos a pedir que cancelasse a iniciativa. Wong Wai Man sublinhou que a intenção de organizar uma manifestação pelo 1.º de Maio era chamar a atenção para o problema do desemprego no território.

No passado, a Associação dos Armadores de Ferro e Aço chegou a organizar várias manifestações do 1.º de Maio. Aliás, Wong Wai Man manifestou intenção de se candidatar à Assembleia Legislativa, nas eleições de 2021, não tendo conseguido reunir as 300 assinaturas necessárias para concorrer.

Na sequência da notícia sobre a situação, o Gabinete do Secretário para a Segurança divulgou um comunicado em que diz que Wong Sio Chak “presta a maior atenção ao assunto”. “Visto que a alegação do dito cidadão constituiu uma acusação grave para com a polícia, instruiu de imediato a Polícia Judiciária para proceder a uma investigação aprofundada, e tornará público o resultado, caso haja um novo desenvolvimento”, lê-se no comunicado do gabinete de Wong Sio Chak.

A nota termina dizendo que “as autoridades da segurança reiteram que os direitos e interesses legais são protegidos pela lei, e a polícia tem sempre respeitado os direitos de reunião e manifestação, procedendo aos avisos das actividades nos termos da lei, no sentido de assegurar a liberdade do exercício dos direitos fundamentais dos residentes, bem como defender efectivamente a ordem e segurança pública”.

Leonel Alves, presidente da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança, disse ao PONTO FINAL que o organismo que dirige não recebeu qualquer denúncia, queixa ou petição sobre a alegada pressão policial. O também advogado, representante de Macau na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e membro do Conselho Executivo da RAEM, indicou que, quando a Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança, “certamente o assunto não será descurado”.