Um psicoterapeuta de Macau foi detido por alegado abuso sexual e importunação sexual contra pelo menos uma paciente e quatro estagiárias de psicoterapia. A Polícia Judiciária aponta que o psicoterapeuta, que exerce a profissão na instituição médica há mais de dez anos, terá praticado o crime sob o pretexto de tratamento e ensino. As autoridades estão a investigar se existem mais vítimas neste caso.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve um psicoterapeuta por suspeitas de abuso sexual e importunação sexual contra cinco mulheres de Macau. Uma das vítimas era paciente, enquanto as outras quatro eram estagiárias de psicoterapia da instituição onde o suspeito trabalha.
O detido é residente de 47 anos e, de acordo com a PJ, trabalha como psicoterapeuta na instituição médica há mais de dez anos. A investigação policial do caso começou na sequência de uma denúncia da paciente, que revelou às autoridades ter sido vítima de crimes sexuais há cinco anos.
Este primeiro incidente reportado à PJ ocorreu no final de Fevereiro de 2021, quando a mulher estava a receber tratamento na referida instituição médica devido a problemas emocionais. Na altura, segundo a investigação da PJ, o spsicoterapeuta, sob o pretexto de fazer uma massagem para aliviar o stress, colocou a mão por dentro da roupa interior e tocou-lhe no peito, na cintura e na parte abdominal por cima da roupa interior.
A vítima não resistiu por medo e devido à postura profissional do psicoterapeuta. Citada pelo canal chinês da TDM Macau, a mulher contou o incidente à família, mas acabou por não denunciar o caso à polícia por receio de vingança do agressor, uma vez que o suspeito tinha acesso aos seus dados pessoais e podia divulgá-los. “Vários anos depois, a vítima ainda não conseguiu esquecer a sombra da violação, pelo que apresentou recentemente queixa à polícia”, disseram as autoridades.
Durante a averiguação do caso, a PJ recebeu ainda mais queixas sobre o mesmo psicoterapeuta apresentadas por quatro estagiárias de psicoterapia. As queixosas afirmam que, durante o estágio no ano passado na referida instituição médica, foram repetidamente tocadas pelo suspeito, também orientador do estágio, em várias partes do corpo, como a cintura, as coxas e os braços, sob o pretexto de estar a “auxiliar na aprendizagem dos casos”.
As quatro, por receio de serem reprovadas no estágio, não apresentaram queixa. Só recentemente, após terem tomado conhecimento das experiências umas das outras durante conversas, de serem vítimas de assédio sexual por parte do psicoterapeuta, foram à PJ para denunciar o caso.
O suspeito foi detido no local de trabalho na passada quinta-feira, tendo sido encaminhado para o Ministério Público com possíveis acusações de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência e importunação sexual.
A PJ está ainda a investigar se há mais vítimas neste caso. A instituição médica em questão continua a funcionar normalmente neste momento, e a PJ recusou dar mais detalhes quanto ao facto de a instituição de saúde onde o psicoterapeuta trabalha ser pública ou privada, localização da mesma e ao tempo de serviço específico do suspeito.
SECTOR APELA AO RESPEITO PELA ÉTICA PROFISSIONAL
Em resposta ao caso, a Associação dos Psicoterapeutas Certificados de Macau manifestou “grande preocupação” e lançou um apelo ao respeito pela ética profissional e à protecção dos utentes do serviço de psicoterapia.
Numa nota publicada no Jornal Ou Mun, a Associação reiterou que os profissionais devem procurar preservar a confiança entre médico e paciente, devendo “respeitar rigorosamente os limites profissionais e evitar qualquer contacto físico que não tenha sido objecto de consentimento informado ou que possa dar origem a mal-entendidos”.
A entidade apela ainda para um ambiente seguro de estágio e supervisão, sendo que os estagiários devem ser encorajados a manifestar-se ou a procurar ajuda formal caso sejam alvo de tratamento inadequado. “Em Macau, continuam a existir inúmeros terapeutas que cumprem rigorosamente os princípios profissionais; caso os residentes se sintam desconfortáveis durante a terapia, têm o direito absoluto de interromper a terapia a qualquer momento e de comunicar a situação às entidades competentes”, salientou a Associação, que promete melhorar as directrizes éticas e empenhar-se-á em garantir serviços de apoio psicológico seguros e profissionais prestados aos residentes.
ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES CONDENA A PRÁTICA
A Associação Geral das Mulheres, por sua vez, manifestou a sua indignação perante o caso e mostrou solidariedade às vítimas. Num comunicado, a Associação deixou grandes críticas ao psicoterapeuta envolvido no caso por “trair os princípios da sua profissão” por o sector médico ser fundamental na saúde pública. “O seu comportamento viola gravemente a ética profissional, infringe abertamente a lei e pisa os direitos legítimos das mulheres”, condenou.
A Associação aproveitou a ocasião para pedir uma eventual revisão de lei, sendo que 2026 assinala o nono ano da última alteração das disposições do Código Penal relativas aos crimes sexuais, referiu. “Sugere-se que o Governo, em colaboração com instituições de assistência social e profissionais da linha da frente, faça um balanço da situação real na aplicação desta legislação, de modo a fornecer uma base sólida para a futura optimização da lei”, frisou a associação, apelando ao mesmo tempo para se reforçar o mecanismo de apoio às vítimas de casos de assédio sexual.











