Um inquérito realizado pela Associação Geral das Mulheres de Macau revela que 70% dos residentes entrevistados consideram que as crianças devem começar a receber educação sexual desde o jardim de infância ou início do ensino primário, e mais de 95% concordam que os pais devem promover mais a educação sexual aos seus filhos.
Já 48% dos inquiridos preferem que o conhecimento relativo à educação sexual às crianças comece apenas depois do jardim de infância, ou seja, quando o menor tiver por volta de seis anos de idade.
Os resultados indicam ainda que a maioria dos inquiridos admite que a educação sexual deve ser iniciada nas famílias e os pais têm a primeira responsabilidade em sensibilizar as crianças sobre a matéria. No entanto, acreditam que o encarregado da educação sexual para os filhos são, em primeiro lugar, as mães (93,2%), seguindo-se professores das escolas (85,6%), e, por último, os pais (80,2%).
Segundo adiantou a associação, a análise descobriu também que os entrevistados mostraram uma compreensão relativamente superficial sobre diferentes tópicos de educação sexual.
“Constata-se que mais inquiridos tomam a iniciativa de falar, e têm mais confiança para ensinar os filhos, relativamente a tópicos sobre a autonomia do corpo e a origem da vida, estando, entretanto, menos preocupados com o facto de que os filhos encontrarão problemas nesta área; pelo contrário, quando se trata de questões sexuais, media online e pornografia, os pais confessaram que estão mais preocupados com a possibilidade dos seus filhos enfrentarem esses problemas, mas não estão suficientemente confiantes para conversar com os menores sobre este tema”, pode ler-se no relatório.
A análise concluiu que a conscientização dos pais sobre educação sexual em diferentes temas deve ser melhorada, ou seja, os encarregados da educação precisam de se empenhar em enriquecer os seus próprios conhecimentos em educação sexual. Neste caso, o trabalho de promoção da educação sexual familiar na sociedade ainda necessita de ser aprimorado.
De acordo com uma nota de imprensa emitida ontem pelo Centro de Apoio Familiar da Associação Geral das Mulheres de Macau, o inquérito visou analisar a situação relativa à educação sexual em Macau, investigando a influência da relação entre pais e filhos sobre o progresso da educação sexual dos menores. A realização do inquérito é também um dos projectos-chave do Plano do “Apelo ao Amor” – plano de promoção da educação sexual em família, subsidiado pelo Instituto de Acção Social (IAS).
O inquérito foi conduzido entre Junho e Outubro do ano passado, através de questionários online, tendo como público-alvo residentes de Macau com filhos nascidos entre 2009 e 2013. A associação recolheu um total de 754 respostas, das quais 750 foram válidas.
Entre os inquiridos, 703 são do sexo feminino (93,7%) e 47 do sexo masculino (6,3%), e a maioria deles tem idade compreendida entre 36 e 40 anos, seguida pelo grupo etário de 41 a 45 anos. Mais de metade (57%) têm qualificação académica universitária e mais de 70% são trabalhadores a tempo integral.
Após a análise dos resultados, a organizadora do inquérito sublinhou que a função parental, o relacionamento entre pais e filhos e a conscientização sobre educação sexual dos entrevistados estavam em nível “médio-alto”, sendo que esses elementos implicam uma interligação positiva com a vontade e frequência da educação sexual aos menores. Isto quer dizer que, quanto melhor for a relação entre pais e filhos, e quanto mais conscientes estiverem da importância da educação sexual, maior será a motivação para falar sobre o assunto com os filhos.
Além disso, relativamente à forma de resolver as dificuldades na educação sexual, os pais procuram mais frequentemente informações na internet, referiram 34% dos entrevistados, ou pedem ajuda ao cônjuge (24%), e a terceira escolha é recorrer a livros didáticos. “É de frisar que os pais ainda encontram tabus sobre falar sobre sexo com as crianças, bem como outras pessoas, e não se atrevem a comunicar pessoalmente com amigos ou familiares directamente, optando por encontrar informações através da internet”, notou o estudo.











