A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) apresentou ontem o relatório das “Projecções da População de Macau 2022-2041” onde estima que a população do território cresça 14%, ou seja de 683.200 em 2021 para mais de 786 mil habitantes, no final de 2041.
No relatório apresentado ontem, que tem como base 2021, quando foi realizado o último Censos, a estimativa a cada cinco anos mostra uma tendência constante de crescimento da população: 714.100 em 2026, 748.000 em 2031, 770.100 em 2036 e 786.100 em 2041.
No entanto, e apesar do número de residentes em actividade aumentar no futuro, o envelhecimento contínuo da população local fará ainda ser necessário importar trabalhadores não residentes para suprir a insuficiência de mão-de-obra, sendo que o número destes trabalhadores varia consoante o ciclo económico. Estima-se que, em 2041, vivam em Macau um total de 92.100 trabalhadores não residentes.
Paralelamente, a estimativa da DSEC revela uma tendência de envelhecimento da população residente, ao prever que a fatia de habitantes com mais de 65 anos passe de 12,2% para 20,9% em 2041, agarrada a uma esperança de vida mais longa. “A esperança média de vida das mulheres será mais longa, mantendo-se a preponderância da população feminina face à masculina. Estima-se que a proporção de mulheres em relação à população total cresça de 53% (362.200) em 2021 para 54,7% (429.800) em 2041, e que a relação de masculinidade da população diminua, passando de 88,6 homens por cada 100 mulheres em 2021, para 82,9 homens por cada 100 mulheres em 2041”, pode ler-se no relatório, que assume, sem reservas, que “o ritmo de envelhecimento populacional acelerará”.
Para os próximos vinte anos, prevê-se que a esperança média de vida dos homens da população local aumente ligeiramente 1,7 anos e a das mulheres aumente 1,9 anos. A diferença entre as esperanças médias de ambos os sexos situar-se-á entre 5,8 e 6 anos (83 anos para homens e 89 anos para mulheres). Resumindo as respectivas hipóteses, estima-se que nos próximos vinte anos o número de óbitos em Macau varie entre 2.700 e 4.900.
Recorde-se que, recentemente, a plataforma Our World in Data mostrou, através de um mapa interactivo, que a expectativa de vida em Macau é de 85,4 anos. O território só é ultrapassado pelo principado do Mónaco, onde a esperança de vida é de 85,9 anos, e pela região vizinha de Hong Kong, onde se estima viver-se até aos 85,5 anos. Em 1950, vivia-se no território, em média, até aos 59,8 anos. A sociedade de Macau tornar-se-á numa sociedade envelhecida em 2023. Em 2041, ainda não entrará na fase de sociedade hiper-idosa, “mas estará próximo do limite”, considera a DSEC.
O índice de dependência total crescerá, prevê a DSEC. A mediana de idade da população total subirá 6,4 anos, passando de 38,1 anos em 2021 para 44,5 anos em 2041. O índice de dependência total continuará a subir a par do envelhecimento populacional, estimando-se que a dependência de jovens e idosos suba gradualmente de 36,5 por cada 100 adultos em 2021, para 45,8 por cada 100 adultos em 2041. “Salienta-se que se prevê que o índice de dependência de idosos cresça rapidamente, passando de 16,6 por cada 100 adultos em 2021, para 30,5 por cada 100 adultos em 2041”, lê-se no documento, que lamenta que “a sociedade entrará na fase de sociedade com muitíssimo poucas crianças”.
MENOS TRABALHADORES NÃO RESIDENTES
Ainda no mesmo documento, a DSEC prevê uma redução dos trabalhadores não residentes, portadores de ‘bluecard’, que só podem permanecer em Macau com contrato de trabalho válido.
Em retrospectiva, a proporção dos trabalhadores não residentes que habitam em Macau em relação à população total subiu significativamente de 5,9% em 2001 para 16,1% em 2019, porém, após a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, esta proporção caiu para 13,7% em 2021, ou seja, existia um trabalhador não residente em aproximadamente cada sete pessoas da população de Macau. A tendência até 2041 continua a ser de queda.
Uma estimativa que coincide com a tendência verificada nos três anos de pandemia de Covid-19, com a saída de milhares de trabalhadores não-residentes. Na projecção da DSEC, enquanto a população local cresce de 570.100 para 663.000, verifica-se uma descida de trabalhadores não residentes de 93.500 para 92.100. Já os estudantes de fora deverão aumentar dos 19.600 para os 31.000, indica-se.
Numa última análise, em 2021, estimou-se um total de 9.600 residentes de Macau que trabalhavam em Macau e habitavam no exterior. A DSEC prevê que o número aumente continuamente, a par da entrada em funcionamento do Posto Fronteiriço Qingmao e do Novo Posto Fronteiriço Hengqin, da passagem fronteiriça aberta 24h por dia nalguns postos de migração e da maior conveniência na passagem de residentes entre as fronteiras de Macau e a China continental. Utilizando um modelo aritmético, apura-se que no futuro este número continue a aumentar, oscilando entre 13.400 e 24.400 pessoas.
As “Projecções da População de Macau 2022-2041” apresentam hipóteses de projecções da composição da população de Macau (população local, trabalhadores não residentes e estudantes do exterior que habitam em Macau), obtidas através do método das componentes por cortes da população, aplicadas em três níveis de probabilidade: alto, médio e baixo, com o período base de 2021, de forma a apurar a dimensão da população de Macau para os próximos vinte anos.











