A organização de concertos de uma banda coreana no Estádio de Macau gerou polémica na sociedade devido aos ruídos causados pela montagem do palco e dos ensaios. Os moradores da zona queixaram-se do barulho que durou durante alguns dias, mesmo durante a noite. O Governo garantiu uma “exigência mais rigorosa” na futura concessão do recinto para eventos. Já a empresa organizadora de concertos emitiu uma nota a pedir compreensão e apoio do público para a promoção de Macau como uma “cidade do espectáculo”.
Uma banda da Coreia do Sul estreou-se no Estádio de Macau na Taipa no passado fim-de-semana, cuja realização de dois concertos, no entanto, foi alvo de críticas dos residentes por causa do ruído. Diferente dos concertos que costumam decorrer nas arenas dentro das instalações das concessionárias de jogo, os concertos do grupo de K-pop Seventeen, sendo as últimas sessões da sua tournée de concertos na Ásia, foram organizados ao ar livre no estádio, que se situa perto de vários prédios residenciais.
Alguns residentes que vivem nas imediações do Estádio de Macau mostraram-se revoltados em relação ao incómodo sonoro causado pelos trabalhos preparativos dos concertos, incluindo a construção do palco durante a noite, o ajustamento acústico e os ensaios no local.
Além de terem apresentado queixa à polícia e à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), vários cidadãos ligaram ao programa matutino do canal chinês da Rádio Macau na passada sexta-feira, referindo que os ruídos “causaram uma grande perturbação”. Alguns descreveram mesmo que houve a sensação de “vibração em toda a casa e todos os vidros de casa”, e o problema não podia ser resolvido fechando as janelas ou colocando rebocos acústicos.
O deputado José Pereira Coutinho também disse ter recebido queixas por parte dos cidadãos, quer do problema do ruído intenso que levou à insónia dos moradores, quer do trânsito, dado que a realização dos concertos obrigou à implementação de medidas de controlo de fluxo e até suspensão da parte do Metro Ligeiro e de algumas paragens de autocarros.
Em resposta à situação, a DSPA admitiu ter recebido queixas relevantes e enviou imediatamente pessoal para “solicitar ao organizador do evento que tomasse medidas adequadas para reduzir o impacto nos residentes circundantes”.
O Instituto de Desporto (ID), entidade responsável do Estádio de Macau, não recebeu quaisquer queixas directas a este respeito, segundo avançou Pun Weng Kun. O presidente do ID destacou que o mecanismo de arrendamento das instalações e recintos desportivos está em vigor há muito tempo, sendo que a utilização pode ser igualmente destinada para fins não desportivos. Citado pelo All About Macau, o responsável assegura “uma comunicação estreita” com o organizador do evento e que irá seguir “requisitos mais rigorosos” para a utilização do recinto no futuro.
Sábado foi o dia das Competições Desportivas Escolares da modalidade de natação, que decorreu também no Centro Desportivo Olímpico. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude anunciaram, apenas às 22h de sexta-feira, um serviço de autocarros directos para ir buscar os alunos até ao local de competições devido à “realização de evento à grande escala”.
Atendendo às críticas na internet, a empresa organizadora, Live Nation, de Hong Kong, emitiu na imprensa chinesa um “lembrete amigável”, garantindo que os ensaios e actuações estão de acordo com as leis de Macau. Admitindo a possibilidade de ter sido criado “um certo grau de ruído” que “causará incómodo aos residentes”, a empresa pediu a compreensão e o apoio do público, apelando ainda para “trabalhar em conjunto para a construção de uma “cidade do espectáculo” e “injectar novas dinâmicas ao desenvolvimento das artes e da cultura em Macau”.











