A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois residentes por suspeitas de estarem envolvidos na operação de um fórum de exploração de prostituição. De acordo com as informações divulgadas ontem pelas autoridades, um dos detidos, de 58 anos, é funcionário da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), trabalhando na administração pública há 30 anos.
Reagindo ao caso, a DICJ revelou que tinha sido instaurado um processo disciplinar interno contra o funcionário envolvido e aplicada a suspensão preventiva, no sentido de efectivar a responsabilidade disciplinar do infractor nos termos da lei.
“A DICJ foi informada pela Polícia Judiciária de que um funcionário da DICJ terá praticado actos que violam a lei. A DICJ dá elevada atenção às suspeitas de violação da lei por parte do seu pessoal, reiterando que as mesmas serão tratadas de acordo com a lei e punidas severamente”, realçou o organismo, numa nota de imprensa emitida logo após a divulgação do caso.
As autoridades policiais realizaram ontem uma conferência de imprensa especial no âmbito deste caso, avançando que a situação foi detectada no acompanhamento de um caso do ano passado acerca de uma rede de exploração de prostituição transfronteiriça que angariava clientes num fórum da internet.
Com base na grande quantidade de dados forenses contidos nos aparelhos informáticos anteriormente apreendidos, a polícia identificou mais suspeitos. Realizou uma operação no passado domingo e deteve o funcionário público e mais um gerente de restaurante de 38 anos, na Taipa e na zona central da cidade, respectivamente.
Citado pelo jornal Ou Mun, durante a investigação, o funcionário da DICJ admitiu que tinha participado no referido fórum de exploração de prostituição durante dez anos, exercendo a função como vice-administrador do fórum.
O residente confessou ainda ter auxiliado o líder da rede a dirigir o fórum online, responsável por formular as regras do fórum, realizando ainda acções administrativas do site, incluindo remover ‘posts’, bloquear contas e banir a publicação de ‘posts’ de determinadas contas. O detido adiantou que podia receber periodicamente transferências bancárias efectuadas pelo cabecilha da rede, e cada pagamento variava entre 500 a 800 renminbis.
Já um outro suspeito disse que tinha sido um dos moderadores do fórum, cujo trabalho era principalmente a supervisão diária do conteúdo do site, e denunciar as irregularidades aos superiores do grupo.
Os detidos foram ontem encaminhados para o Ministério Público, com as possíveis acusações de crimes de Associação Criminosa e Exploração de Prostituição.
Recorde-se que a PJ desmantelou no ano passado uma rede de exploração de prostituição. As operações policiais anteriores levaram já à detenção de 19 suspeitos e à investigação de 54 mulheres oriundas do interior da China, que terão prestado serviços de prostituição em Macau.
As autoridades policiais apuraram que os membros da rede terão angariado clientes através de anúncios pornográficos que publicavam num fórum de discussão da internet, que foi transformado numa “plataforma de negócios de prostituição em grande escala, gerenciada e sistematizada”. O grupo terá também recrutado as mulheres interessadas do Continente para se prostituírem em Macau, distribuindo-lhes utensílios para a actividade de prostituição.
A rede criminosa, segundo a polícia, já estava em funcionamento desde 2009 e tinha lucrado ilegalmente mais de 12 milhões de patacas, através da gestão do fórum onde se encontram cerca de 52 mil anúncios de prostituição, cobrando 300 patacas por cada prostituta.











