Um grupo de cinco jovens estudantes do ensino secundário em Macau – Mandy Zhang, Jahzeel Felizardo, Yoyo Xu, Maria Quental e Hao Jin Kai – organizou no passado sábado uma iniciativa de apoio aos trabalhadores migrantes na região. A recolha de donativos, que decorreu nos Jardins do Oceano, alcançou mais de 6.500 patacas. “O resultado foi muito mais elevado do que esperávamos”, disseram ao PONTO FINAL os jovens da página de Instagram “Students for Migrant Workers”.
O montante foi entretanto entregue à Caritas para que a organização possa ajudar os trabalhadores não-residentes em dificuldades. “Sabemos que a Caritas ajuda na alimentação e no vestuário para trabalhadores migrantes e também tem defendido a mudança das leis para que os trabalhadores migrantes tenham mais liberdade e justiça em situações em que, como expatriados, podem não receber o tratamento que merecem”, afirmaram os estudantes.
Agora, estes jovens querem fazer com que esta iniciativa seja organizada todos os anos: “Pelo menos nos próximos dois anos, até irmos para a universidade. Depois disso queremos passar a missão aos mais novos, manter a iniciativa na comunidade”.
Será este um sinal de que os jovens de Macau estão conscientes para os problemas dos migrantes? Hao Jin Kai respondeu que “os jovens de Macau têm de se consciencializar mais sobre os problemas que afectam os trabalhadores migrantes”. “Muitos ainda estão alheios aos problemas que os migrantes enfrentam e ignoram a questão, não por maldade, mas por ignorância. Queremos encorajar os jovens a saberem mais sobre a questão e ajudar na mitigação desses problemas”, acrescentou.
Aquando da apresentação da iniciativa, os estudantes apresentavam-se como “um grupo local de estudantes de F4 empenhados em melhorar as vidas dos trabalhadores migrantes e em mostrar as violações dos direitos humanos de que eles são vítima, através de investigações aprofundadas, eventos de recolha de donativos na comunidade, e entrevistas a peritos e aos próprios trabalhadores migrantes sobre este tema”.
Num nota que partilharam nas redes sociais, o grupo notava que “a Covid-19 impactou as pessoas a nível global, milhões perderam o seu emprego, as economias desmoronaram, o que resultou numa crise alimentar”. “Os trabalhadores migrantes foram afectados em grande medida: perderam os seus trabalhos em detrimento dos locais devido a incentivos do Governo, foram acusados de espalhar casos de Covid-19 por serem estrangeiros, e estão longe daqueles que amam durante este período”, destacavam os jovens.
“Mesmo durante tempos pré-Covid, os empregadores aproveitavam-se do seu trabalho, já que a política de salário mínimo não é aplicável, e eles eram alvo de micro-agressões e racismo com regularidade”, acrescentavam os jovens, salientando também que a iniciativa era “a oportunidade perfeita para retribuir à comunidade e ajudar os trabalhadores migrantes”.











