Registado aumento exponencial de mortes

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

No mês de Dezembro disparou o número de óbitos em Macau. Só nesse mês foram registadas mais de 600 mortes. A escala do aumento é visível quando comparado com os números de 2021. No total, nesse ano registaram-se 2.320 óbitos, o que dá uma média de cerca de 193 por mês. No último trimestre de 2021, registaram-se 608 mortos.

Ainda assim, as autoridades de saúde não atribuem à pandemia este aumento exponencial de óbitos. Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, disse na conferência de imprensa de ontem que as mortes durante o mês de Dezembro se deveram a “diferentes causas”. O responsável disse ainda que o “número de óbitos tem vindo a aumentar e esse é um fenómeno muito natural em todas as regiões onde há Covid”.

Segundo as contas oficiais do Governo, o número de mortos em Macau entre 13 de Dezembro e 4 de Janeiro foi de 57 pessoas. Questionado sobre se o número de mortos por Covid-19 não está a ser subavaliado pelas autoridades, Alvis Lo indicou que “cada lugar e país tem um critério diferente para definir [as mortes por Covid-19] e nós temos a definição estabelecida pelo país”. Segundo as autoridades do interior da China, só é considerada morte por Covid-19 se um paciente infectado morrer por pneumonia ou disfunção pulmonar. Por outro lado, os infectados que morrem mas que já tinham outras doenças graves ou doenças crónicas não são considerados como tendo sido vítimas de Covid-19.

Na conferência de imprensa, Alvis Lo foi questionado sobre o alto número de idosos encontrados mortos sozinhos em casa nas últimas semanas, mas o director dos Serviços de Saúde disse apenas que “as causas podem ser muitas”.

Sobre a grande sobrecarga que se verifica nas casas mortuárias e nos serviços funerários, Alvis Lo também não quis atribuir a situação ao aumento das mortes ligadas à Covid-19.