Ho Ion Sang e Chan Lai Kei apresentaram interpelações escritas ao Governo em que denunciaram vários pontos a melhorar na recepção dos turistas internacionais. Algumas das medidas propostas pelos deputados passam pela formação de guias turísticos multilingues e de uma oferta mais diversificada de opções de pagamento electrónico.
Macau deve optimizar a sua capacidade de acolhimento de turistas internacionais, reforçando aspectos como o atendimento em línguas estrangeiras e a variedade de serviços de pagamento electrónico. Esta foi a posição defendida por dois deputados à Assembleia Legislativa (AL), Ho Ion Sang e Chan Lai Kei, nas respectivas interpelações escritas que dirigiram ao Governo.
Na sua interpelação, Ho Ion Sang nota que a “tendência de aumento contínuo dos turistas internacionais” que chegam à cidade tem sido acompanhada da implementação de diversas medidas, como os serviços “Check’ N Fly” (em que os passageiros podem concluir o ‘check-in’ do voo e entregar a bagagem em hotéis designados) e “Fly You to Macau” (em que os turistas que entram em Hong Kong pelo aeroporto têm bilhetes de autocarro gratuitos para Macau). Ainda assim, reconhece que alguns aspectos podem ser melhorados.
Menciona, num primeiro ponto, que a gratuidade das viagens de autocarro de Hong Kong para Macau poderia ser igualmente estendida para as viagens de barco, de forma a aumentar “a flexibilidade dos itinerários” e a promover “uma complementaridade entre os serviços rodoviários e marítimos”.
Num segundo ponto, o líder dos Moradores argumenta que a diversidade de turistas internacionais na região exige uma maior “capacidade geral de acolhimento, especialmente no que se refere aos serviços em línguas estrangeiras”. Recorde-se que o número total de turistas internacionais em Macau foi de 2.755.474 em 2025, um aumento de 13,7% em comparação com o período homólogo. Na lista dos dez mercados turísticos com maior representatividade em Macau, destacam-se a Coreia do Sul (com um aumento anual de 11,3%), as Filipinas (mais 9,5%), a Indonésia (mais 3,9%), a Tailândia (mais 38,1%), os Estados Unidos da América (mais 9,8%) e o Japão (mais 26,1%).
Ho Ion Sang lembra que, no ano passado, a Universidade de Turismo de Macau (UTM) procurou lançar cursos de formação para guias em “línguas menos comuns”, sendo que a maioria nunca chegou a ser ministrada “devido ao número insuficiente de inscritos”. O deputado considera que a resposta a esta fraca procura poderá passar pela oferta de “modelos mais flexíveis de formação linguística para guias turísticos”, como o ensino misto presencial e ‘online’, que poderiam contribuir para aumentar “a atractividade da inscrição e da formação nesta área”.
Por fim, Ho Ion Sang sugere também que se adopte o uso de ferramentas tecnológicas como resposta à escassez de recursos humanos. De acordo com esta sugestão, os guias turísticos e os funcionários que trabalhem na área de atendimento ao público e não falem línguas estrangeiras poderiam, por exemplo, recorrer a sistemas de inteligência artificial ou dispositivos de tradução em tempo real, de forma a comunicar eficazmente com os visitantes internacionais e proporcionar-lhes “uma experiência turística satisfatória”.
REFORÇAR A LIGAÇÃO ÀS ZONAS COMUNITÁRIAS
Também o deputado Chan Lai Kei enviou ao Governo uma interpelação escrita em que chamava a atenção para os aspectos a melhorar quanto à experiência dos turistas internacionais, nomeadamente no que respeita ao consumo e às deslocações.
“O Ano Novo Lunar é não só um período de pico para os turistas do interior da China visitarem Macau, mas também um momento dourado para mostrar a imagem de Macau como cidade de convergência entre o Oriente e o Ocidente e de intercâmbio cultural”, assinala o deputado da Aliança de Povo de Instituição de Macau, lista ligada à comunidade de Fujian. De facto, os dados da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicam que Macau acolheu um total de 1.554.285 visitantes durante a semana dourada do Ano Novo do Cavalo, sendo que 78% eram do interior da China.
Chan Lai Kei considera que os principais obstáculos dos visitantes internacionais se relacionam com “a insuficiência das formas de pagamento”, que deveriam ser alargadas para abranger mais carteiras electrónicas, e “os serviços linguísticos”, que beneficiariam da formação de guias turísticos multilingues. “Qual é o ponto de situação (…) em termos de optimização da experiência dos turistas internacionais, que tem por objectivo eliminar efectivamente os pontos problemáticos desses turistas durante o consumo e as suas deslocações em Macau?”, questiona.
Na sua interpelação, Chan Lai Kei identifica ainda como aspectos problemáticos a concentração dos turistas nos pontos turísticos tradicionais, como as Ruínas de São Paulo, e as consequências negativas para as pequenas e médias empresas das zonas comunitárias. Uma solução proposta pelo deputado passa por “implementar planos de incentivo exclusivo para consumo nas zonas comunitárias e de serviços de transportes de ligação, com vista a estender o fluxo de passageiros” até às zonas menos visitadas da cidade.
Na mesma mensagem, realça-se também o aumento expressivo de excursionistas em Macau. “O mero aumento do número de turistas já não consegue reflectir a real eficiência turística”, assinala o deputado, interrogando: “Como é que o Governo vai analisar, de forma científica, a estrutura das despesas dos turistas, (…) a fim de atrair mais turistas a permanecerem mais uma noite ou a entrarem nos bairros comunitários?











