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      InícioSociedadeMassacre de Nanjing aconteceu há 85 anos

      Massacre de Nanjing aconteceu há 85 anos

      Como é habitual, os mais altos quadros do elenco governativo de Macau, bem como os representantes do Governo Central no território, homenagearam as mais de 300 mil vítimas do massacre perpetrado pelas tropas japonesas durante Segunda Guerra Sino-Japonesa, no âmbito da II Guerra Mundial.

      Manhã fria em Coloane. Quando chegámos à Escola Superior das Forças de Segurança de Macau, situada naquela vila piscatória, ultimavam-se preparativos. Em poucos minutos o campo de futebol dos recrutas da polícia ficaria cheio de altos cargos governativos, tanto da RAEM como do Governo Central, para ali se enfatizar o dia nacional de luto pelas vítimas do massacre de Nanjing, acontecido há 85 anos.

      Faltando meia-hora para as 9h, a organização começou a colocar as peças nos devidos lugares. Secretários, deputados, conselheiros, directores e chefes de departamento, bem como destacados presidentes de associações do território, alinharam-se para prestarem a devida vénia àqueles que perderam a vida no final de 1937, início de 1938, quando as tropas japonesas do Imperador Hirohito, comandadas pelo príncipe tenente general Asaka Yasuhiko, em plena Segunda Guerra Sino-Chinesa, invadiram a cidade de Nanjing, na altura a capital do país e hoje a capital da província de Jiangsu.

      O número de mortos não pode ser estimado com precisão porque a maioria dos registos militares japoneses foram deliberadamente destruídos ou mantidos em segredo após a rendição do Japão, em 1945, depois de o país ser um dos perdedores da II Guerra Mundial, juntamente com a Alemanha nazi de Adolf Hitler e a Itália de Benito Mussolini.

      Várias são as fontes que relataram as atrocidades feitas pelo exército japonês que terá matado mais de 300 mil pessoas entre crianças, mulheres e homens, novos e velhos. Estima-se que cerca de 20 mil mulheres tenham sido violadas. Pequim acredita que esse número pode até pecar por escasso, mas assume o consenso à volta dele. Outras fontes, mais independentes e de cariz académico também sugerem que tenham ocorrido 300 mil mortes, mas não descartam a possibilidade de terem sido bem menos. Uma coisa é certa, nada desculpa o massacre cometido às margens do rio Qinhuai. O evento foi julgado tanto pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente como pelo Tribunal de Crimes de Guerra de Nanjing, tendo os principais culpados das atrocidades sido julgados e executados.

      Ontem, ninguém ficou, mais uma vez, indiferente ao que aconteceu em Nanjing há 85 anos. Ninguém pode ficar indiferente perante tamanha atrocidade, na verdade. E não é preciso ser-se chinês para entender isso.

      Já com todos as personalidades presentes – cerca de 300 pessoas, segundo dados oficiais –, a banda da PSP e ainda um grupo de estudantes do ensino médio de Macau, cantou a Marcha dos Voluntários e respeitou-se um minuto de silêncio em memória das vítimas. Depois, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, juntamente com Edmund Ho, vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o director do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Zheng Xincong, a Comissária em exercício do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM, Wang Dong, bem como o Comandante da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês, Xu Liangcai, adornaram arranjos florais depostos previamente por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), tendo igualmente prestado homenagem com uma longa vénia.