Edição do dia

Quarta-feira, 7 de Dezembro, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu limpo
17.9 ° C
21.6 °
17.9 °
72 %
7.2kmh
0 %
Qua
19 °
Qui
22 °
Sex
22 °
Sáb
22 °
Dom
21 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Economia Especialistas olham para o futuro da economia de Macau com optimismo mas...

      Especialistas olham para o futuro da economia de Macau com optimismo mas cautela

      Kevin Ho, José Luís Sales Marques, Henry Lei e Rui Pedro Cunha estiveram juntos no debate “Macau’s Economy: The way forward”, que decorreu ontem na Fundação Rui Cunha. Na ocasião, os intervenientes aplaudiram o regresso das excursões e mostraram-se moderadamente optimistas quanto ao futuro da economia da região.

       

      Decorreu ontem o debate “Macau’s Economy: The way forward”, que juntou na Fundação Rui Cunha Kevin Ho, José Luís Sales Marques, Henry Lei e Rui Pedro Cunha. O futuro da economia da região, a falta de quadros qualificados e a diversificação económica foram os temas em destaque.

      Kevin Ho, presidente da Associação da Indústria e Comércio de Macau, começou por admitir que, no futuro, mais empresas irão fechar devido à crise, mas o anúncio do Chefe do Executivo, que anunciou o regresso das excursões do interior da China e dos vistos electrónicos, é uma luz ao fundo do túnel.

      Após quase três anos de pandemia, o Governo Central vai voltar a permitir a emissão dos vistos electrónicos e excursões turísticas para visitantes do interior da China a Macau. Segundo o Governo, a retoma das políticas turísticas deverá ser iniciada no final de Outubro ou no início de Novembro, prevendo acolher 40 mil turistas por dia.

      “Este é um grande sinal positivo”, afirmou Kevin Ho, acrescentando que “o que Macau precisa agora é de turistas do interior da China”. “Com este anúncio, podemos esperar um melhor Novembro e um Dezembro mais feliz”, referiu o empresário. “Mas não podemos ficar demasiado optimistas, temos de ter calma”, ressalvou.

      Rui Pedro Cunha concorda que esta medida é “muito bem-vinda”. “São muito boas notícias”, frisou o presidente da Câmara de Comércio Europeia em Macau (MECC). No entanto, assinalou que a medida pode ser secundária numa perspectiva a longo prazo.

      José Luís Sales Marques, economista e presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, descreveu 2022 como “provavelmente o pior ano da última década”. “Em 2021 vimos alguma recuperação, mas tudo piorou [em 2022]”, lembrou. Recorde-se que, em Junho, Macau sofreu um surto de Covid-19 que fez com que o Governo decretasse um confinamento. Só em Agosto é que foram retiradas todas as medidas das autoridades para combater o surto.

      Isso faz com que Sales Marques esteja “moderadamente optimista” em relação ao futuro. “Esperemos que nada aconteça”, sublinhou. “Neste momento o que é importante é a recuperação económica e essa deve ser a prioridade. Precisamos de estabilidade e de luz ao fim do túnel”, afirmou.

      Sobre o regresso das excursões do interior da China e da emissão dos vistos electrónicos, o economista disse que idealmente a medida deveria ter sido implementada pelo Governo antes da Semana Dourada do Dia Nacional – já na próxima semana – para atrair mais visitantes durante esses feriados.

      Henry Lei falou sobre o novo plano de apoio à subsistência dos residentes, anunciado recentemente pelo Governo. Este plano contempla a atribuição de oito mil patacas a cada residente. O professor do Departamento de Finanças e Economia Empresarial da Universidade de Macau repetiu os argumentos do Governo, dizendo que este programa serve de “rede de segurança” para os residentes, “especialmente os desempregados”. A taxa de desemprego dos residentes subiu em Agosto para 5,4%.

      Acerca do regresso das excursões e dos vistos electrónicos, Henry Lei afirmou: “São boas notícias, estou optimista”. O economista disse esperar que estas medidas façam com que as empresas que ponderam fechar repensem a situação e se mantenham abertas.

      Um dos factores para que haja uma recuperação económica é a abertura de Macau ao exterior. “Temos de recuperar a economia, voltar a um ponto em que a economia se sinta confortável para enfrentar os desafios. Para isso, precisamos de turistas, do jogo e de que as coisas corram de forma estável. A chave é, no momento certo, abrir. Abrir de forma radical”, afirmou Sales Marques.

      Kevin Ho, também delegado de Macau à Assembleia Popular Nacional, não quis dar a sua previsão sobre o fim da política de tolerância zero à Covid-19, disse apenas que a China irá seguir a Organização Mundial de Saúde (OMS). O director geral da OMS disse há duas semanas que o fim da pandemia de Covid-19 pode estar próximo. Segundo a agência de saúde da ONU, o número de mortes semanais relatadas caiu para o menor nível desde Março de 2020.

      Outra questão abordada ontem no debate “Macau’s Economy: The way forward” foi a falta de quadros qualificados em Macau. Rui Pedro Cunha sugeriu que o Governo implemente políticas para atrair estrangeiros à região. Sales Marques acrescentou: “Se queremos atrair talentos para Macau, primeiro temos de fazê-los sentirem-se bem-vindos. E penso que, por vezes, a comunicação não é clara. Temos de trabalhar como comunicar com as pessoas que queremos aqui e mostrar que nós apreciamos a sua ajuda”.

      A diversificação da economia, um dos grandes objectivos do Governo de Macau ao longo das últimas décadas, está dependente da chegada de talentos. Para Kevin Ho, a atitude dos locais perante os talentos estrangeiros terá de mudar: “Temos de perceber que essas pessoas vêm para cá mas não é para lutarem por uma vaga de trabalho. Não conseguimos competir com eles. É a realidade”.