Edição do dia

Quarta-feira, 22 de Maio, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nevoeiro
24 ° C
24.9 °
23.9 °
100 %
2.6kmh
40 %
Qua
26 °
Qui
26 °
Sex
27 °
Sáb
28 °
Dom
28 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeInformático da Suncity confirma presença de dados de jogo paralelo  

      Informático da Suncity confirma presença de dados de jogo paralelo  

      Após Alvin Chau, mais um arguido do processo relativo ao grupo Suncity atribuiu a responsabilidade da operação das apostas paralelas a Cheong Chi Kin, 5.º arguido do caso. Celestino Ali, enquanto 4.º réu, referiu ontem em julgamento que o sistema “Opsman” de Cheong Chi Kin, parceiro da Alvin Chau, continha dados de jogo paralelo. No entanto, o também responsável do departamento informático da Suncity assumiu que o sistema antigo da empresa também tinha esses dados.

       

      O sistema operacional onde constam dados de jogo paralelo não pertence ao grupo Suncity, mas é propriedade de Cheong Chi Kin, 5.º arguido do caso de Alvin Chau, disse ontem Celestino Ali, funcionário informático do grupo Suncity, e também o 4.º réu no processo.

      Na sessão de ontem do julgamento do processo de alegado jogo ilícito e branqueamento de capitais da antiga maior operadora de ‘junkets’ em Macau, e no seguimento do interrogatório do Ministério Público (MP), Celestino Ali, que trabalhava na Suncity como vice-chefe do departamento de Tecnologia de Informação, apontou que “Opsman” era um sistema de gestão que Cheong Chi Kin utilizava, sendo diferente aos sistemas da Suncity. “O sistema ‘Opsman’ tem conexão a um sistema operacional e pode receber os dados de jogo privado, as contas das apostas paralelas, e é usado para registar os dados dessas actividades”, afirmou.

      Recorde-se que, no início do julgamento, Alvin Chau sugeriu que Cheong Chi Kin poderia ser o responsável das actividades de jogo ilegal que as autoridades estão a apurar neste caso. Na audiência de ontem, Celestino indicou que Cheong Chi Kin era parceiro de Alvin Chau. “‘Opsman’ é uma cópia do sistema ‘Sunpeople’ da Suncity. Cheong Chi Kin disse-me que queria utilizar esse sistema, mas ele não é da nossa empresa, portanto fiz uma coisa igual para ele”, salientou, admitindo ter criado o sistema para Cheong Chi Kin.

      Celestino Ali disse que entrou na empresa em 2013 e, nessa altura, a Suncity estava a utilizar o sistema “Rollex”, tendo mudado para o “Rollsmary”, um sistema desenvolvido por uma empresa tecnológica em Hong Kong. As principais funções do “Rollsmary” eram registar as contas de “marker” (empréstimo para apostas), reserva de fichas e reserva de quartos nos hotéis, sobretudo para clientes das salas VIP.

      No entanto, o arguido assumiu ao mesmo tempo que o “Rollex” também tinha um sistema operacional que dava acesso a dados operacionais ligados ao jogo paralelo. “Tinha, mas foi separado depois”, referiu.

      Além disso, Celestino destacou que as antigas operações das apostas telefónicas foram todas instaladas nas Filipinas, garantindo que os sistemas foram vendidos a outra empresa em 2019, quando a Suncity anunciou o término desse negócio no estrangeiro.

      Dado que o julgamento vai continuar hoje, é estimado que terminem as respostas a perguntas dos advogados por parte de Celestino Ali e se entrem nas perguntas a Cheong Chi Kin, que foi acusado por várias vezes como o líder do jogo paralelo.

      Até à audiência de ontem, os réus que testemunharam afastaram a sua ligação aos crimes acusados, incluindo o 3.º arguido, Ellute Cheung Yat Ping, que assegurou ontem novamente que não tinha qualquer relação operacional com o funcionamento das apostas ilícitas telefónicas e online da empresa UE. Indicou na ocasião que as mensagens mostradas pelo MP sobre o plano da Suncity acerca dessas actividades são apenas “uma conversa casual com um colega”, “especulação” e “ouvir-dizer”.

      O MP mostrou ontem as instâncias das informações de Wechat e Whatsapp, onde o arguido referiu a uma colega que “Alvin Chau não iria desistir das apostas telefónicas, só que seria preciso ponderar como o fazer”.

      Ellute Cheung está acusado no processo pela exploração ilícita de jogo, por meio de telefone ou internet, precisamente numa plataforma operada pelo grupo UE.

      Ao advogado de defesa, João Varela, que tentou argumentar a acusação com a carreira de Ellute Cheung, o arguido declarou que entrou na Suncity apenas em 2015, o que não corresponde ao alegado envolvimento a crimes em 2014. “Trabalhei durante cinco anos como director de uma única sala VIP da promotora, no Studio City, e depois mudei para ser o vice-director do departamento do planeamento estratégico, mas a hierarquia é igual”, disse, justificando que a mudança foi uma consideração do potencial de carreira.

      Ao revelar o seu estado financeiro, Ellute Cheung afastou a participação dos actos ilícitos de alto rendimento, frisando que mora numa casa arrendada, conduz um Toyota há mais de dez anos, ganha agora menos de 30 mil patacas e tem uma poupança de dois milhões de patacas.