DSEDJ aposta forte em cursos com “características próprias” para formar talentos  

0
87
FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude está apostada em promover desenvolvimento de cursos com “características próprias”, bem como novos programas curriculares com “características próprias”. A finalidade passa por promover o desenvolvimento do ensino superior, orientado para o mercado, apostando, claramente, defende Kong Chi Meng, na formação de talentos sem esquecer a “participação activa na construção da Grande Baía”. As dez instituições de ensino superior de Macau devem concluir a primeira auditoria da qualidade da instituição até 2025.

 

Na resposta a uma interpelação escrita do deputado da Assembleia Legislativa (AL) Lei Chan U que pediu o “desenvolvimento do empreendedorismo do ensino superior”, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) resguarda-se em frases feitas e chavões para explicar como garante o desenvolvimento sustentável do ensino superior de Macau.

No seguimento da implementação dos conceitos governativos “promover a prosperidade de Macau através da Educação” e “construir Macau através da formação de talentos”, explicou o director da DSEDJ, as instituições de ensino superior “têm desenvolvido as suas potencialidades e, nos últimos anos, criaram, gradualmente, novos programas curriculares com características próprias”. Kong Chi Meng começa mesmo a sua resposta enfatizando a existência de “quatro laboratórios de referência do Estado e outros projectos científicos importantes que também desenvolvem as suas potencialidades, formando, continuamente, talentos em diversas áreas, para Macau”.

O responsável sublinha que a premissa do Governo da RAEM é a de “garantir a prioridade de acesso dos estudantes ao ensino e a qualidade educativa das instituições de ensino superior de Macau”. Por isso, o Executivo deverá continuar “a incentivar estas entidades a criarem mecanismos de funcionamento mais perfeitos e orientados para o mercado”, quer “através do aumento adequado do número de estudantes, da optimização da estrutura da origem dos estudantes, da prioridade à consolidação das disciplinas, do desenvolvimento de cursos com características próprias e com orientação profissional, da promoção do desenvolvimento da relação entras as áreas de indústria-universidade-pesquisa, bem como do aumento da eficiência e da flexibilidade do regime financeiro e do pessoal das instituições de ensino superior públicas, pretendendo-se promover o desenvolvimento do ensino superior orientado para o mercado”.

Aliás, “características próprias”, que nunca são explicadas por Kong Chi Meng, é a expressão que fica na retina ao ler-se a resposta de quatro páginas da DSEDJ. O director do organismo preferiu enfatizar que, nos últimos anos, “a qualidade do ensino e o reconhecimento internacional das instituições de ensino superior de Macau têm vindo a aumentar”. “A Universidade de Macau (UM) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) estão actualmente classificadas entre as 300 melhores do mundo no Ranking Mundial de Universidades do Times Higher Education (THE)”, sublinhou, acrescentando que um total de oito cursos de licenciatura ministrados pelo Instituto de Formação Turística de Macau (IFTM) receberam a classificação “TedQual” pela Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas.

 

PRIMEIRA AUDITORIA DE QUALIDADE ATÉ 2025

 

Recorde-se que, em 2018, o Governo da RAEM criou o regime de avaliação da qualidade do ensino superior. A decisão prendeu-se, referiu o anterior Executivo liderado então por Chui Sai On, “para impulsionar o desenvolvimento, de forma ordenada, dos respectivos projectos de avaliação”.

Kong Chi Meng observou que, nos termos da lei, as dez instituições de ensino superior de Macau devem concluir a primeira auditoria da qualidade da instituição até 2025. “Actualmente, duas das instituições já concluíram o processo de acreditação da instituição e quatro encontram-se a proceder ao mesmo. Caso fiquem acreditadas, as instituições podem pedir a isenção da auditoria de qualidade, nos termos do diploma acima referido. Por outro lado, a DSEDJ irá promover, de forma ordenada, a auditoria de qualidade das restantes instituições”, sublinhou, lembrando que as instituições podem, de acordo com a sua própria dimensão de desenvolvimento, características, necessidades, “contratar entidades independentes de avaliação, previamente aprovadas pela DSEDJ, de modo a garantir que satisfazem as exigências e assegurar a viabilidade dos resultados, maximizando, assim, a eficácia dos trabalhos de avaliação”.

Outro dos pontos destacados por Kong Chi Meng é a não inclusão do pessoal da UM, MUST e IFTM no grupo de trabalhadores dos serviços públicos, no âmbito do controlo do número destes trabalhadores, o que “contribuiu para que as instituições passassem a dispor, eficazmente, de diferentes tipos de profissionais, através do recrutamento de pessoal de excelência, de acordo com as suas necessidades reais, por exemplo, relativas às mudanças no número de estudantes, ao desenvolvimento da investigação académica e científica e ao aumento da competitividade, no recrutamento de pessoal profissionalizado”.

Com todas estas mudanças e implementações, a DSEDJ espera que as instituições de ensino superior de Macau possam “alcançar melhores resultados na formação de quadros qualificados, na investigação académica e científica e na elevação do reconhecimento internacional, o que contribui para atrair mais pessoas de todo o mundo para estudarem em Macau, bem como mais investigadores de excelência para realizarem intercâmbios académicos em Macau e, assim, desenvolver a investigação científica”, tudo em prol “da qualidade seu ensino e da participação activa na construção da Grande Baía”.