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      Jogo paralelo tem sido comum em Macau, mas não faz parte das actividades da Suncity, diz Alvin Chau

      Alvin Chau, que liderava o grupo Suncity, afirmou ontem em julgamento que as apostas paralelas têm vindo a acontecer na maioria das salas VIP do território há mais de 20 anos e fazem parte, de uma forma geral, de um acordo verbal entre jogadores e representantes de ‘junkets’, pelo que é difícil às autoridades intervirem. O antigo promotor de jogo reiterou, assim, que a empresa que liderava não praticava essas actividades. Outros dois arguidos, funcionários do grupo, rejeitaram também ter explorado apostas online e telefónicas, relacionadas sobretudo ao grupo UE.

       

      O jogo paralelo tem sido “comum” em Macau há muito tempo, sobretudo nas salas VIP dos casinos locais operados tanto por promotores de jogo, como pelas seis concessionárias de jogo, salientou o ex-líder do grupo Suncity, Alvin Chau, na segunda sessão de julgamento realizada ontem no qual o próprio é suspeito de estar envolvido na alegada prática de associação criminosa e branqueamento de capitais. No entanto, o empresário de ‘junkets’ voltou a assegurar no Tribunal Judicial de Base (TJB) que a Suncity não praticava actividades de apostas paralelas.

      “Esta operação acontece na maioria das salas VIP em Macau, até nos espaços das operadoras de jogo. Já existia antes do estabelecimento do grupo Suncity, provavelmente antes da transferência de soberania de Macau”, disse Alvin Chau, em resposta à questão sobre a prevalência dessa prática na cidade, levantada pelo advogado Chao Koc Keong, que representa o 5.º arguido, Cheong Chi Kin, empresário que Chau tinha apontado que “talvez” tivesse estado envolvido em jogo paralelo.

      O magnata dos ‘junkets’ referiu que essa actividade decorre normalmente quando mais de 10 pessoas se reúnem numa sala VIP pequena, mas o valor do jogo não é elevado, estando presentes em geral os jogadores e os representantes de ‘junkets’, uma vez que o jogo paralelo se trata de uma promessa verbal entre as duas partes, fora das apostas na mesa de jogo.

      “Às vezes, quando há muitas pessoas numa sala, os seguranças do casino ou pessoal das autoridades fazem inspecções e interrogatórios, ou expulsam-nos, para manter a ordem”, destacou. “Não é fácil as autoridades provarem os factos”, prosseguiu, afirmando que “os jogadores vão responder só que são amigos. E é apenas um acordo verbal entre eles, não se sabe se há uma transacção monetária. Caso não se concretize a transferência de dinheiro, este acto vai continuar a ser considerado ilegal? Eu não sei”, frisou.

      Alvin Chau indicou ainda que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) não tinha colocado avisos nos casinos de forma a alertar para a ilicitude do jogo paralelo em Macau.

      No julgamento, que continuou ontem com a ausência de 11 arguidos, cuja maioria está agora detida no interior da China, no seguimento do pedido do advogado Kong Seng Hin, as autoridades mostraram ainda um documento com o logótipo do grupo Suncity onde consta a tutoria para os funcionários sobre a exploração do jogo paralelo e a sua forma de cálculo.

      O responsável da Suncity, nesse sentido, insistiu que “as apostas paralelas não fazem parte das actividades da empresa” e “ninguém de nós tem o direito de aprovar as contas dessa prática”. De acordo com o seu relato, a distribuição de dividendos da Suncity foi um processo financeiramente atractivo durante vários anos. “Não era preciso promover o jogo paralelo”, embora o trabalho de alguns funcionários da equipa era acompanhar os jogadores na sua viagem no território. Ao advogado Pedro Leal, Alvin Chau reiterou que o seu único trabalho era a análise de risco dos jogadores, de modo a efectuar empréstimos nas suas salas VIP.

      Na mesma linha, Alvin Chau voltou a afirmar que as apostas online que explorava eram legais. “Não operei apostas telefónicas, as online foram aprovadas pelas autoridades em 2013 e operei até 2014, e depois foram mudadas para as Filipinas”, sublinhou, assumindo não ter enviado funcionários ao Continente para fazer promoção das actividades. Questionado sobre a operação das apostas online, Chau respondeu de forma sucinta: “eu não jogo e não sei bem sobre as coisas na mesa de jogo”.

      O antigo promotor de jogo revelou também que o grupo estava em dificuldades operacionais após a pandemia, altura em que as autoridades chinesas reforçaram a fiscalização nas actividades de jogos de fortuna e azar. A Suncity encontrou várias vezes cortes na cadeia de financiamento em 2021 e tinha de emprestar dinheiro a outrem para liquidar os empréstimos e dívidas. Recorde-se que a empresa contabilizou no ano passado perdas líquidas de 469 milhões de dólares de Hong Kong.

      Os 2.º e 3.º arguidos Si Tou Chi Hou e Ellute Cheung Yat Ping, funcionários da Suncity e que estão acusados da prática de apostas ilícitas via online e telefónica, também testemunharam e negaram as acusações. O Ministério Público enfatizou ontem a ligação dos dois réus ao grupo UE que explorava essa actividade considerada ilegal.

      Ambos destacaram na audiência que o grupo UE era apenas “uma empresa amiga” da Suncity. “Trabalhava na comunicação entre as duas empresas”, frisaram ambos. Si Tou Chi Hou, que trabalhou na empresa entre 2015 e 2019, garantiu que não participava nas transferências da UE e não participava nas apostas online, e pediu para se demitir porque “o público achava que a Suncity continuava a fazer apostas online mesmo após ter anunciado desistir desse negócio, não me sentia bem com isso”. O grupo UE foi criado originalmente pela Suncity. Alvin Chau afirmou que foi posteriormente transferido ao empresário Richard Yeung, enquanto Si Tou Chi Hou indicou que Patrick Tan era o responsável pela gestão da empresa.

      O julgamento do processo prossegue hoje no TJB.

       

      PONTO FINAL