A artista angolana Tchusca Songo inaugura, no próximo dia 18 de Setembro, pelas 16h, na galeria Hold On to Hope, na aldeia de Nossa Senhora em Ká-Hó, a exposição individual “Desperdício”. Promovido pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), “Desperdício” é a 16.ª exposição do projecto que nasceu nas casas amarelas da antiga leprosaria. As criações da mostra são feitas principalmente a partir de objectos encontrados na praia de Hac-Sá, em Coloane. Os materiais vão desde o plástico, esferovite, redes de pesca, troncos de árvores, madeiras à deriva nas correntes oceânicas, garrafas, sapatos, brinquedos de praia, ou, ainda, diversos objectos perdidos ou desenterrados durante tempestades. “Um tufão trouxe muitas bóias de pesca. Bóias feitas com enormes pedaços de esferovite envoltos em redes de pesca. Devem servir de sinal para redes e armadilhas. Uma bóia em particular era tão grande que a artista não resistiu em salvá-la antes que ela acabasse em um aterro sanitário. Foi a partir dessa bóia que a artista criou o carro de corridas para uma exposição relacionada com o Grande Prémio de Macau”, pode ler-se na nota de imprensa enviada pela ARTM às redacções. As peças apresentadas são criadas e transformadas com o intuito de promover reutilizar, reciclar e reduzir – três acções que, em Macau, segundo a artista, “ainda têm muito trabalho pela frente”. Tchusca Songo nasceu no enclave de Cabinda, em Angola, corria o ano de 1978, tendo chegado a Macau em 2006. Em 2012, licenciou-se em Design de Produto pela Universidade de São José. Ao longo dos anos, adquiriu experiência em impressão em xilogravura, fabricação de lanternas tradicionais, fotografia, joalharia e marionetes, tendo participado em diversas exposições relacionadas com essas expressões artísticas. A conservação da natureza e a reciclagem de resíduos são a base de sua obra. Por isso, tem sido frequentemente convidada por associações locais que se preocupam com questões ambientais a participar em actividades e exposições. Em 2018, obteve uma menção especial do júri na exposição “Anno Cannis”, que envolveu artistas de todos os sectores da comunidade artística em Macau.












