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      Receitas de jogo devem melhorar até ao final do ano, mas desemprego pode aumentar

      Tanto as receitas de jogo como a taxa de desemprego deverão aumentar até ao final do ano. Esta é a previsão de três economistas ouvidos pelo PONTO FINAL, que acreditam que em Abril as receitas dos casinos bateram no fundo e, a partir daqui, só irão aumentar – se as restrições fronteiriças não se agravarem. Quanto ao desemprego, a opinião é que, até ao final deste ano, a taxa poderá chegar aos 5%.

       

      A opinião de três economistas ouvidos pelo PONTO FINAL é unânime: as receitas de jogo terão atingido o mínimo deste ano no mês passado; e a taxa de desemprego deverá continuar a aumentar. Ainda assim, Henry Lei, Ricardo Siu e Toro Chen avisam que é preciso esperar que as restrições fronteiriças não se agravem.

      No início desta semana, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) anunciou os resultados das receitas de jogo relativos ao mês de Abril, que revelam uma descida para 2,7 mil milhões de patacas, o valor mensal mais baixo desde Setembro de 2020. Em comparação com o mês de Abril do ano passado, o valor das receitas caiu mais de 68%.

      Em termos de receita bruta acumulada, os casinos obtiveram, até ao final de Abril, 20,8 mil milhões de patacas, ou menos 36,2%, em relação a igual período do ano passado, em que registaram 32 milhões de patacas. Estes números ainda ficam muito aquém daquilo que se registava antes da pandemia. Em 2019, os casinos de Macau tiveram receitas de 292,4 mil milhões de patacas, sendo que nesse ano a região tinha recebido quase 40 milhões de visitantes.

       

      RECEITAS DE JOGO: O PIOR JÁ PASSOU

       

      Henry Lei, professor de Economia na Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau (UM), diz que o valor das receitas de jogo em Abril já “era esperado”, devido aos recentes surtos de Covid-19 que têm ocorrido no interior da China, nomeadamente na província de Guangdong, de onde é proveniente a maioria dos visitantes de Macau.

      O economista assinala também que a extensão da validade dos testes para 72 horas para quem chega do interior da China tem feito com que mais visitantes queiram vir a Macau, em particular ao longo dos feriados do Dia do Trabalhador. Nos feriados do Dia do Trabalhador, recorde-se, a média diária de visitantes foi de 30.800. “Com a estabilização da situação [pandémica], haverá menos restrições e, com isso, antevejo um aumento no número de visitantes, o que poderá ajudar a melhorar a situação”, comenta.

      Dizendo-se “optimista” quanto ao futuro, Henry Lei diz que o pior já passou. “Espero mesmo que os resultados de Abril tenham sido os piores do ano. No final de Maio ou Junho poderá haver um maior relaxamento das fronteiras e isso poderá fazer com que venham mais visitantes”, assinala, lembrando que a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) tem promovido eventos e espectáculos em Macau como forma de atrair mais turistas.

      Segundo Henry Lei, as receitas de jogo estão cada vez mais ligadas ao número de visitantes, uma vez que o sector do jogo VIP e dos ‘junkets’ é actualmente residual, devido ao controlo mais apertado por parte do Governo. “Os números mostram que as receitas de jogo estão têm uma relação directa com o número de visitantes que entram em Macau”, reitera.

      Ricardo Siu é exactamente da mesma opinião: “Acredito que o mês de Abril tenha sido o mais fraco deste ano”. “Como vemos, os casos no interior da China têm diminuído e também o número de visitantes dos primeiros dois ou três dias dos feriados [do Dia do Trabalhador]. Esperamos que a pandemia não volte e que haja uma recuperação na segunda metade do ano”, refere o também professor da Faculdade de Gestão de Empresas da UM, ressalvando que, devido à pandemia, “ninguém sabe o que poderá acontecer”. Também Siu nota que a DST tem criado mais atracções para os visitantes do interior da China e assinala que Macau já está preparada para receber mais visitantes no futuro.

      Para acelerar uma recuperação dos casinos, o economista diz que é essencial que o Governo de Macau coopere com o Governo de Guangdong para monitorizar os casos de surto e procurar soluções.

      Por fim, Toro Chen partilha da mesma opinião, mas é mais comedido. Para o também professor de Economia da UM, é possível que Abril venha a ser o mês de 2022 em que as receitas de jogo são mais baixas. No entanto, os próximos dois ou três meses poderão ser igualmente fracos, considera. Toro Chen diz que um dos factores que tem prejudicado as receitas dos casinos têm sido os confinamentos em cidades como Xangai e Pequim. “Se os confinamentos persistirem, a indústria do jogo precisará de mais tempo para recuperar”, afirma, sugerindo que o Executivo deve apostar mais na vinda de visitantes de outras cidades para além de Cantão, Xangai ou Pequim. “Se o Governo de Macau promover mais e der mais incentivos aos cidadãos das cidades mais remotas para virem a Macau, isso ajudará muito”, propõe.

       

      DESEMPREGO: O PIOR AINDA ESTÁ PARA VIR

       

      Também na semana passada, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou os dados do desemprego relativamente ao primeiro trimestre do ano. Segundo as informações do organismo, a taxa de desemprego dos residentes subiu, em comparação com o último trimestre de 2021, 0,2 pontos percentuais para os 4,5%. A taxa de desemprego geral de Macau também subiu 0,2 pontos percentuais para os 3,5%.

      Porém, o pior pode ainda estar para vir. “Quanto à taxa de desemprego não estou tão confiante porque há um desfasamento”, comenta Henry Lei, assinalando que a revisão à lei do jogo poderá trazer impactos negativos ao emprego na indústria. “O aumento da taxa de desemprego é inevitável nesta fase de reestruturação económica de Macau”, aponta.

      O economista dá o exemplo dos casinos-satélite na zona do Porto Exterior, cujos clientes alimentam várias outras lojas na zona. “Se os casinos-satélite fecharem, isso vai trazer um impacto negativo a essa cadeia de serviços, o que pode piorar a taxa de desemprego”, avisa Henry Lei.

      Por outro lado, os estudantes que se vão graduar este mês vão contribuir para o aumento da taxa de desemprego. “Não ficaria surpreendido se a taxa de desemprego [dos residentes] chegasse aos 4,6 ou 4,7%”, diz.

      Ricardo Siu também diz que a taxa de desemprego continuará a aumentar nos próximos meses. Também ele fala nas “alterações estruturais da economia” de Macau e dos recém-licenciados que vão entrar no mercado de trabalho. “Por isso, nos próximos dois ou três meses é possível que se atinja uma taxa de desemprego [dos residentes] total de 5%”, antevê. Já a taxa de desemprego geral poderá chegar aos 3,8%, indica.

      Toro Chen concorda que “vai levar tempo até que o mercado laboral recupere”. “A taxa ainda não está no pico; talvez possa aumentar até aos 4,8% ou 5%”, aponta.