Foram divulgados ontem as estatísticas da criminalidade relativas ao primeiro semestre do ano. Os dados do Gabinete do Secretário para a Segurança revelam que, globalmente, a criminalidade diminuiu nos primeiros seis meses do ano. No entanto, o número de crimes de abuso sexual de crianças aumentou significativamente.
O Gabinete do Secretário para a Segurança divulgou ontem as estatísticas referentes ao primeiro semestre do ano da criminalidade em Macau. Segundo os dados, a nível global, foram instaurados menos 15,8% de inquéritos criminais, em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Nos primeiros seis meses deste ano, foram instaurados, no total, 4.983 inquéritos criminais.
Foram registados, no total, 1.102 casos de crimes contra as pessoas, uma redução de 97 casos e de 8,1%, em comparação com o mesmo período de 2021. Entre estes, registaram-se três casos de sequestro, representando uma descida significativa de 14 casos e de 82,4% comparativamente com o mesmo período do ano passado. Registaram-se 518 casos de ofensa simples à integridade física, representando uma redução de 114 casos e de 18%.
No entanto, neste semestre registou-se um aumento de 70% no número de casos de abuso sexual de crianças. No período homólogo do ano passado, foram registados dez casos do género. No primeiro semestre deste ano, o número saltou para 17. No que toca ao crime de violação, houve uma descida de 16 para 14 casos.
No último semestre, foram registados 2.596 casos de crime contra o património, representando uma redução de 305 casos e de 10,5% relativamente ao período homólogo do ano passado, de entre os quais, 57 foram crimes de extorsão, representando um aumento de 18,8% relativamente ao período homólogo do ano 2021.
Registaram-se também 24 casos de usura, o que significa uma diminuição de 13 casos e de 35,1%. Também o número de casos de burla decresceu, com o registo de 648 crimes, representando uma descida de 2,8% comparando com o período homólogo de 2021. Quanto ao crime de furto e de roubo, foram registados 527 e cinco casos, respectivamente, significando uma redução de 14,6% e 68,8%.
Relativamente aos crimes contra a vida em sociedade, foram registados 246 casos, o que significa uma diminuição de 74 casos em comparação com o mesmo período de 2021, ou seja, uma descida de 23,1%. De entre estes, registaram-se 156 casos e 13 casos nos crimes de falsificação de documento e fogo posto, o que representa uma redução de 24,6% e 45,8%, respectivamente.
Quanto ao grupo dos crimes contra o território, registaram-se, no total, 167 casos, uma descida de 101 comparativamente ao período homólogo do ano passado, o que representa uma diminuição de 37,7%; de entre esses crimes, 67 foram casos de crime de desobediência, significando uma descida de 83 casos e de 55,3% comparativamente com o período homólogo do ano passado. Por sua vez, registaram-se 44 casos de crime de falsidade de declaração, uma descida de 22 casos e de 33,3% em comparação com o período homólogo do ano passado.
Por sua vez, registaram-se no último semestre 28 casos de crime de tráfico de estupefacientes, ou seja, uma redução de 11 casos e de 28,2%. Houve também 386 crimes de aliciamento, auxílio, acolhimento e emprego de imigrantes ilegais, o que representa uma subida de 55 casos e de 16,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Quanto à criminalidade informática, registaram-se 107 casos, representando uma descida de 510 casos comparando com o período homólogo do ano passado, ou seja, uma descida significativa de 82,7%.
No primeiro semestre de 2022, registaram-se 83 casos de criminalidade violenta, verificando-se um decréscimo de 35,7% face ao período homólogo do ano passado. “No âmbito dos crimes de violência grave, de rapto, de homicídio e de ofensas corporais graves, continuamos a manter uma taxa zero ou uma taxa muito baixa”, lê-se no comunicado do Gabinete do Secretário para a Segurança.
No âmbito de prevenção e combate à imigração ilegal, nos primeiros seis meses deste ano, detectaram-se 80 imigrantes ilegais, representando uma descida de 84 indivíduos e 51,2% em comparação com o período homólogo do ano passado, dos quais 70 são provenientes do interior da China e os restantes 10 oriundos de outros países. Por outro lado, foram registadas 5.971 pessoas em situação de excesso de permanência, um decréscimo de 723 e de 10,8%, comparativamente ao período homólogo do ano passado.
Foram também registados 41 casos de delinquência juvenil, representando um aumento de sete casos, com o envolvimento de 56 jovens, ou seja, menos oito jovens do que no mesmo período do ano passado.
No total, indicam as autoridades, durante as operações policiais e as operações de investigação efectuadas nos primeiros seis meses deste ano, foram detidos e presentes ao Ministério Público, no total, 1.664 indivíduos, menos 364 indivíduos do que no mesmo período do ano passado, o que significa uma descida de 17,9%.
CAIXA:
Aumento da taxa de desemprego vai provocar “instabilidade à segurança geral de Macau”
O balanço das estatísticas da criminalidade durante o primeiro semestre deste ano detalha os números dos crimes relacionados com o sector do jogo. Nesse capítulo, o Gabinete do Secretário para a Segurança assinala que, apesar de o aumento da taxa de desemprego não ter tido um “impacto negativo significativo na segurança da sociedade, especialmente nos crimes directamente relacionados com o jogo”, se a taxa de desemprego continuar a aumentar, “vários conflitos na sociedade irão inevitavelmente intensificar-se, o que trará inevitavelmente mais factores de instabilidade à segurança geral de Macau”, lê-se no comunicado. A taxa de desemprego dos residentes de Macau está actualmente nos 4,8%, registando um aumento desde que o Governo impôs restrições para combater o surto que se espalhou na região entre Junho e Julho. Ainda assim, no primeiro semestre, a criminalidade ligada ao sector do jogo também diminuiu. Segundo os dados das autoridades, as situações de burla relacionadas com jogo totalizaram 54 casos, representando uma diminuição de 70 casos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma redução significativa de 56,6%. As situações de apropriação ilegítima totalizaram 22 casos, verificando-se uma diminuição de 38,9%. As situações de usura totalizaram 20 casos, representando uma diminuição de 15 casos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma redução de 42,9%. As situações de furto foram 13, representando uma diminuição de 48%. Quanto às situações de sequestro, verificou-se apenas um caso, o que representa uma diminuição de 14 casos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma redução de 93,3%. As autoridades dizem também que, até ao momento, não se detectou qualquer movimento anómalo das sociedades secretas ligadas ao sector do jogo. “Verifica-se uma tendência de queda contínua de outros tipos de crime, especialmente devido à redução de entrada de turistas em Macau pela situação epidémica do novo tipo de coronavírus e aos trabalhos contínuos de reforço à prevenção e ao combate ao crime, por parte da polícia”, salienta o gabinete de Wong Sio Chak.
PONTO FINAL











