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      Início Grande China China e Taiwan prosseguem exercícios militares com fogo real

      China e Taiwan prosseguem exercícios militares com fogo real

      FOTOGRAFIA RITCHIE B. TONGO/EPA

      O Exército chinês anunciou ontem que vai prolongar pelo sexto dia consecutivo os exercícios militares que está a realizar em redor de Taiwan, como retaliação pela visita à ilha da líder do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi. Em resposta, Taiwan iniciou ontem exercícios militares de defesa da ilha contra um possível ataque chinês, utilizando também fogo real.

       

      Em comunicado, o Exército de Libertação Popular indicou que “vai continuar a organizar manobras conjuntas, orientadas para o combate pelas vias marítima e aérea”, que se focaram ontem em “operações de contenção e segurança conjunta”.

      As manobras que Pequim iniciou na quinta-feira incluíram o uso de fogo real e o lançamento de mísseis de longo alcance, e foram descritas pelas autoridades de Taiwan como “irresponsáveis”, além de suscitarem preocupação na comunidade internacional. Em resposta, Taiwan iniciou ontem exercícios militares de defesa da ilha contra um possível ataque chinês, utilizando também fogo real.

      O ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan acusou ontem Pequim de ter usado os exercícios militares para preparar a invasão da ilha. Pequim “utilizou os exercícios militares para se preparar para a invasão de Taiwan”, disse Joseph Wu numa conferência de imprensa em Taipé, após manobras das forças armadas da ilha que decorreram ontem. “A verdadeira intenção da China é alterar o ‘status quo’ no Estreito de Taiwan e em toda a região”, sublinhou. “Está a conduzir exercícios militares e lançamentos de mísseis em grande escala, bem como ciberataques, uma campanha de desinformação e coerção económica para enfraquecer o moral da população de Taiwan”, acrescentou.

      A China lançou na semana passada as suas maiores manobras militares em torno de Taiwan, em resposta a uma visita da líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a mais importante figura política norte-americana a visitar a ilha em 25 anos. Pequim descreveu a visita de Pelosi como uma “farsa” e “traição deplorável”.

      A China considera Taiwan, com uma população de cerca de 23 milhões de habitantes, como uma das suas províncias, que deve ser reunificada ao resto do território, desde o fim da guerra civil chinesa de 1949, quando os nacionalistas perderam o conflito para os comunistas e refugiaram-se na ilha.

      O exército de Taiwan disse na segunda-feira que os exercícios já estavam programados e não constituíam uma resposta aos exercícios chineses em curso. A ilha realiza regularmente exercícios militares a simular uma invasão chinesa e no mês passado efetuou manobras do mar, num cenário em que procurava repelir ataques numa “operação de intercepção conjunta”, como parte dos seus grandes exercícios anuais.

      China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso a ilha declare independência.

       

      NANCY PELOSI DIZ QUE XI JINPING REAGIU COMO UM “TIRANO ASSUSTADO”

       

      A presidente da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, disse ontem que o Presidente chinês, Xi Jinping, reagiu como “um tirano assustado” à sua visita a Taiwan. Pelosi falou ontem à estação NBC sobre o seu périplo por vários países asiáticos, na semana passada, que incluiu a ilha de Taiwan, motivando a fúria das autoridades de Pequim, que reclamam a soberania do território. Pequim considerou a visita de Pelosi, a terceira figura de Estado mais importante dos Estados Unidos, como uma provocação. Xi Jinping “está a tentar isolar Taiwan (…). Não seremos cúmplices do seu isolamento de Taiwan”, disse Pelosi. “Acho que [Xi] está numa situação frágil. Ele tem problemas com a sua economia. Ele está a agir como um tirano assustado”, acrescentou.

      A líder da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) foi a mais importante figura política norte-americana a visitar a ilha nos últimos 25 anos. Pelosi sublinhou que o Presidente da República Popular da China se prepara para ser reeleito pelo Partido Comunista Chinês, no final deste ano, para um terceiro mandato. Numa aparente demonstração de força após a visita de Pelosi, a China começou a realizar exercícios militares perto de Taiwan, incluindo dentro de águas territoriais taiwanesas, manobras que já duram há quase uma semana. Para Pelosi, não cabe ao Presidente da China “controlar as agendas dos membros do Congresso ou de qualquer outra pessoa que queira visitar Taiwan”. “Não íamos tirar Taiwan da nossa lista porque a líder de Taiwan [Tsai Ing-wen] nos convidou”, referiu.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau