EUA acusam Pequim de difamar opositores que vivem fora da China

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Os Estados Unidos acusaram Pequim de querer “silenciar” os opositores que vivem fora da China através de difamações, relatando, em particular, a tentativa de travar a candidatura ao Congresso de um dissidente naturalizado norte-americano.

 

O Departamento de Justiça norte-americano revelou na quarta-feira, em conferência de imprensa, três documentos judiciais que, segundo este, provam “o grau de agressividade” do governo chinês para suprimir os seus opositores que vivem nos Estados Unidos. A primeira prova diz respeito a uma campanha de difamação contra um ex-manifestante, refugiado nos Estados Unidos em 1992, naturalizado norte-americano e que, após cumprir serviço militar nos EUA, é agora candidato a um lugar na Câmara dos Representantes em novembro.

Apesar do nome não ter sido divulgado, parece ser Yan Xiong, que concorre pelo 1.º distrito do Estado de Nova Iorque, noticia a agência AFP. Segundo os documentos, um polícia reformado, suspeito de trabalhar para o Ministério da Segurança chinês, recrutou um detetive particular nos Estados Unidos para seguir o candidato e descredibiliza-lo. O detective informou a polícia federal em setembro e as conversas foram registadas.

Qiming Lin, que terá contratado o detective, explicou que pretendia derrotar o candidato antes das primárias dos democratas em maio. “Caso contrário, ele será eleito parlamentar e não queremos que o seja”, explica. Foi emitido um mandado de detenção a Qiming Lin, de 59 anos, que se acredita estar na China. Os Estados Unidos realizaram detenções em outros dois casos semelhantes.

Na quarta-feira, Shujun Wang, professor de 73 anos nascido na China e naturalizado norte-americano, foi detido acusado de fornecer informações à China sobre ativistas pró-democracia, sendo que pelo menos um foi detido posteriormente em Hong Kong.

Cofundador de uma organização nova-iorquina considerada crítica do regime comunista, o homem é suspeito de ter usado o seu estatuto para recolher informações e entregar secretamente a quatro agentes de Pequim.

Outras duas pessoas, Fan “Frank” Liu, chefe de uma empresa de comunicações, de 62 anos, e Matthew Ziburis, guarda-costas, de 49 anos, foram detidos em Nova Iorque na terça-feira. Estes são acusados ​​de espiar opositores chineses que vivem nos Estados Unidos e de terem realizado uma campanha de difamação contra eles, em troca de indemnizações.

De acordo com os documentos judiciais, os dois detidos tentaram subornar um funcionário das finanças para obter declarações sobre um dissidente. Os dois homens também planearam destruir a estátua de um artista nascido na China, instalada em Los Angeles, que retrata o Presidente chinês Xi Jinping como coronavírus. Esta obra acabou por ser vandalizada. Para as autoridades norte-americanas, estes processos “reflectem a determinação dos Estados Unidos em combater a ameaça da China, mas não só”.

Irão, Rússia, Coreia do Norte ou Bielorrússia também se envolvem neste tipo de “repressão transnacional”, alertou Matthew Olsen, responsável pelos arquivos de segurança nacional no Departamento de Justiça. “Não permitiremos que nenhum governo estrangeiro transgrida a liberdade de expressão” dos norte-americanos e daqueles que vieram morar nos Estados Unidos, garantiu. Lusa