Residentes ficam sem 1,35 milhões de dólares após falsa investigação da polícia chinesa

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RODRIGO DE MATOS

Duas residentes terão sido vítimas de uma burla telefónica, tendo perdido um total de 1,35 milhões de dólares de Hong Kong em dois esquemas realizados por indivíduos que fingiam ser agentes policiais das autoridades chinesas que alegaram estar a investigar casos de venda ilícita de medicamentos para o tratamento da Covid-19 no interior da China.

As queixas foram apresentadas à Polícia Judiciária (PJ) na semana passada, cerca de um mês após as duas lesadas terem recebido os telefonemas suspeitos. De acordo com as autoridades, no primeiro caso, a queixosa de 30 anos recebeu uma chamada de um indivíduo falante de mandarim no final de Junho, que acusou a vítima de ter cometido crimes de venda ilegal na China.

Um suposto agente policial de Cantão exigiu à residente que fosse àquela cidade para cooperar com a investigação devido à “gravidade do caso”. Todavia, por causa da pandemia, o agente indicou que a mulher podia optar por prestar declarações através da gravação de vídeo. Segundo o caso divulgado ontem pela PJ, o suspeito mostrou ainda dois documentos falsos de detenção e congelamento de capitais para obter a confiança da lesada, pedindo-lhe para preencher os seus dados pessoais e número da conta bancária, bem como o respectivo código, de forma a proceder à “inspecção de capitais e comprovar a inocência” da residente.

O suspeito pediu à vítima para depositar mais dinheiro na sua conta para ajudar a investigação e a jovem decidiu pedir empréstimos de 550 mil patacas à família e amigos. Após a alegada investigação, a queixosa não recebeu mais informações sobre o caso e descobriu, no final do mês passado, que o dinheiro todo da sua conta foi desviado, declarando um prejuízo de 726 mil dólares de Hong Kong.

Já a outra vítima recebeu uma chamada em meados de Junho de um homem que também se apresentou como funcionário dos serviços de saúde chineses. Segundo o porta-voz da PJ, a queixosa também estava a ser investigada por alegadamente vender medicamentos para a Covid-19 e acabou por perder 600 mil dólares de Hong Kong da sua conta bancária.