Inquérito aponta que 40% das ‘startups’ poderão fechar o negócio caso surjam mais surtos

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FOTOGRAFIA: ANDRÉ VINAGRE

De acordo com uma pesquisa sobre os impactos operacionais causados pelo surto nos jovens empreendedores, 40% das ‘startups’ entrevistadas disseram que, se a evolução epidémica continuar a agravar no segundo semestre deste ano, poderão entrar em suspensão ou encerramento de actividades num futuro breve. O Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau, entidade responsável pelo estudo, concluiu ainda que muitas empresas novas estão a enfrentar problemas como falta de capitais.

 

Um inquérito conduzido pelo Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau indicou que 82% das ‘startups’ entrevistadas admitiram que os fundos actualmente disponíveis não são suficientes para manter a operação durante meio ano, e 40% afirmaram que o seu negócio poderá ser suspenso ou encerrado brevemente, caso a situação epidémica não se estabilize nos próximos seis meses.

Os resultados mostram ainda que mais de 70% dos jovens empreendedores inquiridos revelaram que foram seriamente afectados pelo surto recente, estando a enfrentar uma enorme pressão para sustentar as respectivas operações comerciais.

Na sequência do surto comunitário que começou no mês passado e as consequentes restrições antiepidémicas, como a suspensão de actividades industriais e comerciais, o ambiente de negócios em Macau está estagnado. Segundo o Jornal Ou Mun, o estudo foi realizado pelo Centro de Incubação em meados deste mês, com o objectivo de compreender os impactos impostos do actual surto nas ‘startups’ e nos jovens empreendedores.

Entre os entrevistados, 36% são empresas novas envolvidas na área de ciência e tecnologia, 24% estão relacionados com a medicina tradicional chinesa e cuidados de saúde, e 24% do sector de serviços empresariais. Relativamente ao modelo de operação de negócio, 30% das empresas inquiridas operam de forma online, 52% têm operação bidireccional online e offline, e apenas 18% funcionam só nas respectivas instalações.

No que diz respeito às influências concretas no seu negócio devido à pandemia, a pesquisa concluiu que 67% das empresas salientaram que os pedidos e as receitas registaram uma diminuição significativa e 14% dos inquiridos queixaram-se do aumento dos custos operacionais, o que resultou em problemas como o fluxo de capital apertado e a perda de liquidez.

O Centro de Incubação revelou que algumas ‘startups’ que têm negócios com empresas do interior da China registaram prejuízos ainda mais graves devido às restrições da circulação transfronteiriça, e os planos de negócios não puderam ser iniciados e desenvolvidos conforme o previsto, sendo necessárias pagar indemnização a outras partes ou entidades parceiras.

Por outro lado, relativamente ao plano de assistência económica de combate à epidemia, que foi anunciado pelo Governo no início do surto, entre os jovens empreendedores entrevistados, 64% deram uma classificação “mediana” às medidas. Foi ainda concluído que 70% acreditam que o apoio pecuniário é a mais útil entre as várias medidas destinadas aos estabelecimentos industriais e comerciais.

“Mais de metade das ‘startups’ inquiridas frisaram que não puderam beneficiar das medidas de apoio financeiro por motivos do período de actividade ou da natureza da operação comercial, sentindo-se desesperadas por não serem elegíveis nas medidas para empresas, nem poderem receber subsídios na qualidade de profissionais liberais. Além disso, alguns entrevistados acreditam que o valor do pagamento de imposto não é um indicador suficiente para reflectir objectivamente a capacidade de sustento da operação das empresas, particularmente as novas”, apontou o inquérito.

Reagindo aos resultados da pesquisa, o presidente do Centro de Incubação, José Chui Sai Peng, mostrou-se esperançado que as autoridades refinem e incluam mais indicadores de consideração nas futuras implementações de planos de apoio financeiro, de forma a disponibilizar assistência mais precisa e razoável às pequenas e médias empresas (PME) e às micro-empresas, bem como às ‘startups’ de diferentes sectores.

“Nos últimos anos, os empreendedores mudaram muito o seu modelo de negócio, quase todos iniciam-se com capital mais baixo, poucos empreendedores têm apenas operações comerciais offline. Contudo, a epidemia continua a causar-lhes enormes perdas e, subsequentemente, terão mais desafios pelos riscos decorrentes de mudanças no ambiente económico e do mercado geral”, asseverou José Chui Sai Peng.

Já o CEO do Centro, Carlos Lam, sugere que, além de distribuir mais recursos para ajudar as PME, as autoridades devem também estabelecer um mecanismo completo dedicado à impugnação dos actos administrativos, para as PME consideradas inelegíveis para os apoios recorrerem para uma nova revisão das qualificações. O responsável espera ainda que os empreendedores se esforcem para aumentar a sua capacidade de reacção aos riscos e inovação, desenvolvendo mercados em diferentes regiões.

 

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