Uma equipa de investigadores da Universidade de Macau (UM), liderada pelo reitor da instituição Yonghua Song, apresentou quatro propostas para que a região consiga atingir a neutralidade de carbono até 2050. A produção de energias limpas e a aposta na tecnologia estão entre as possíveis soluções para atingir a meta.
Uma equipa de investigação liderada por Yonghua Song, reitor da Universidade de Macau (UM) e também director do Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente, propôs quatro vias para acelerar o alcance da meta da neutralidade de carbono. O estudo da equipa de investigadores intitula-se “Vias Típicas para a Neutralidade de Carbono nos Sistemas Energéticos da Cidade Inteligente): O Caso de Macau” e foi publicado no Bulletin of Chinese Academy of Sciences, uma das principais publicações do National Science Think Tank.
Num comunicado enviado às redacções, a equipa da UM diz que, tendo em conta as necessidades energéticas de Macau, a região adquire a maior parte da sua electricidade à Rede Eléctrica do Sul da China. Assim, a equipa de investigação propôs quatro rumos para que se atinja a neutralidade de carbono no sistema energético urbano da cidade.
Em primeiro lugar, os investigadores indicam que, para alcançar a neutralidade de carbono, é necessário que a região se concentre na gestão da procura e redução das emissões directas de carbono da cidade através de meios técnicos como a electrificação dos transportes terrestres, transportes marítimos movidos a hidrogénio e edifícios com baixo teor de carbono.
Em segundo lugar, para fazer face à falta de terrenos no território, “é necessário utilizar eficazmente os recursos de espaço, por exemplo, telhados de edifícios urbanos podem desenvolver fontes de energia limpa, tais como a produção de energia solar, de modo a conseguir uma alternativa limpa à produção local de energia, reduzindo as emissões directas de carbono provocadas pela produção local de energia”, lê-se no comunicado da UM.
Em terceiro lugar, para lidar com a grande quantidade de electricidade consumida por Macau, os investigadores dizem que a cidade tem de “participar activamente no comércio de electricidade verde e fornecer serviços auxiliares no mercado de electricidade do Sul da China, de modo a consumir activamente electricidade verde, por um lado, e fornecer recursos sem carbono para a rede eléctrica externa, por outro, de modo a assumir responsabilidades mais importantes em toda a cadeia de fornecimento de energia e a alcançar neutralidade de carbono no sentido real”.
Por último, para a aplicação de tecnologias modernas na gestão integrada de sistemas energéticos urbanos, a Internet das Coisas, o ‘big data’ e tecnologias de inteligência artificial devem ser utilizados no planeamento científico, operação e controlo de sistemas energéticos urbanos integrados, a fim de apoiar a integração e aplicação efectiva de várias tecnologias urbanas neutras em carbono, sugerem os investigadores.
Com base nestas sugestões, a equipa de investigação da UM prevê que, a partir de 2025, as emissões locais directas de carbono irão diminuir todos os anos à medida que tecnologias como a electrificação dos transportes terrestres, a hidrogenação dos transportes marítimos, a substituição de energia limpa local, e edifícios com baixo teor de carbono forem promovidos.
Além disso, a rede eléctrica de Macau poderá começar a fornecer activamente serviços auxiliares à Rede Eléctrica do Sul da China, o que poderá resultar num aumento anual dos recursos de carbono. “Por volta de 2050, as emissões locais directas de carbono provenientes da combustão de energia fóssil de Macau serão compensadas pelos recursos de que consomem carbono, o que poderá permitir alcançar a neutralidade de carbono nas emissões locais”. Além disso, diz a equipa, “dado que o Governo pode fornecer incentivos económicos para a rede eléctrica de Macau comprar electricidade verde de fontes externas, espera-se que as emissões indirectas de carbono de Macau a partir de compras externas de electricidade sejam neutralizadas antes de 2050”.
“O Governo da RAEM apoia activamente os objectivos nacionais de ‘duplo carbono’ e está empenhado na protecção ambiental, na poupança de energia e na redução das emissões em Macau. A equipa de investigação da UM acredita que Macau tem as condições básicas para assumir a liderança na neutralidade de carbono entre outras cidades da China. Com a orientação política do Governo Central e do Governo da RAEM e a ampla participação e apoio de todos os residentes de Macau, e impulsionada por tecnologias energéticas avançadas, Macau tem potencial para se tornar numa cidade de demonstração pioneira da neutralidade de carbono na China”, conclui o comunicado da UM.











