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      Jovens de Macau têm pouca vontade de casar e ter filhos, aponta inquérito

      A população de Macau tem pouca vontade de ter filhos, sendo o fenómeno mais evidente entre os jovens locais. Um inquérito conduzido pela Associação Geral das Mulheres descobriu que mais de metade dos jovens entrevistados não quer ou não tem planos para se casar, e a sua intenção de ter filhos é “significativamente inferior à média”. O estudo aponta que o factor financeiro, como as despesas de vida e habitação, influencia as escolhas dos jovens.

       

      A Associação Geral das Mulheres realizou um inquérito sobre a vontade de casar e ter filhos. Este inquérito também já tinha sido feito em 2019 e 2022. As conclusões do inquérito deste ano mostram que a vontade dos residentes de ter filhos registou uma quebra significativa em comparação com o passado, e os jovens de Macau têm falta de vontade tanto para se casar como de ter filhos.

      De acordo com os resultados, menos de metade dos jovens inquiridos pretendem casar-se brevemente ou nos próximos cinco anos. Entre os inquiridos que nasceram depois de 1990 (dos 25 aos 34 anos), apenas 30% disseram ter planos para o casamento, enquanto que quem nasceu depois de 2000 (dos 18 aos 24 anos), 32% planeia contrair matrimónio.

      Entretanto, o grupo dos que nasceram após 1990 e após 2000 que afirmam não tencionar casar-se, as percentagens atingiram quase 50% e 41%, respectivamente, sendo que os restantes indicaram que “ainda não” ou que “nunca” ponderaram sobre o assunto.

      A associação realçou que os principais factores que afectam a vontade do casamento dos residentes são a condição financeira (49%) que envolve despesas de casamento e de vida bem como a habitação após o casamento; seguido dos factores do parceiro (25%) como hábitos de vida e compatibilidade das perspectivas de vida; e das suas próprias razões (19%), incluindo as perspectivas matrimoniais e o planeamento de carreira. Por último estão os factores sociais (5%) sobre a igualdade de género e taxa de divórcio, e os factores familiares (3%) com a opinião dos pais e situação da sua família.

      “Uma vez que a organização de um casamento e a habitação para o casal implicam grandes despesas financeiras, isso obviamente afecta a vontade de casar dos residentes”, salientou a associação. Assim, foi ainda investigada a relação entre a remuneração dos inquiridos e a respectiva vontade de casar, tendo-se verificado que os grupos que têm um rendimento pessoal mensal igual ou inferior a 11.999 patacas e igual ou superior a 40.000 patacas são os com menos vontade.

      “Os grupos de rendimento elevado e de rendimento baixo mostram um desejo relativamente baixo de casar, enquanto o grupo de rendimento médio tem mais intenção de casar. É possível que o grupo de rendimento elevado esteja preocupado com a diminuição da sua qualidade de vida após o casamento, enquanto o grupo de rendimento baixo sente dificuldades em satisfazer as necessidades financeiras da sua vida familiar”, diz a análise.

      Recorde-se que o inquérito foi realizado entre Março e Abril e recolheu 925 questionários válidos. O estudo analisou a vontade de dar à luz entre a população, de uma escala de 0 a 10 pontos, a pontuação média deste ano foi de 4,76 pontos, o que corresponde a uma queda de 1,57 pontos em relação aos 6,33 pontos do inquérito em 2022. Comparando entre os grupos etários, salienta-se que a geração mais nova tem uma vontade mais baixa de procriar, dado que os inquiridos que nasceram após 2000 registaram pontuação 4,02, os inquiridos que nasceram após 1990 pontuaram 4,54 e os que nasceram após 1980 pontuaram 4,81.

      Por outro lado, entre os inquiridos casados e com um filho, apenas 20% manifestaram o desejo de ter mais filhos, e quase 70% afirmaram que não vão ter mais filhos no futuro. Além disso, quase 90% dos inquiridos com dois filhos frisaram que não querem ter um terceiro filho.

      No inquérito de 2022, verificou-se que o principal factor para os jovens não quererem ter filhos era a falta de tempo para criar as crianças. Agora, há outros factores que afectam essas intenções: as despesas elevadas da criação dos filhos (73%); a falta de tempo para cuidados devido ao trabalho (70%); falta de espaço da habitação (69%); a pressão sobre a educação dos filhos (66%) e a preocupação com o factor de a próxima geração não poder viver em condições felizes (57%).

      Wong Kit Cheng, deputada e vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, alertou na conferência de imprensa que o inquérito reflecte uma mudança na perspectiva de casamento e de maternidade entre os jovens, “o que pode agravar ainda mais o declínio da taxa de casamento e natalidade no futuro em Macau, tendo impactos negativos no desenvolvimento sustentável da sociedade”. Sublinhou, portanto, que a sociedade precisa de trabalhar para dar mais incentivos e apoio aos cidadãos em relação à sua opção de casar e ter filhos.

      A deputada considera que seria eficiente conceder um bónus para bebés ou um subsídio mensal para despesas com crianças, citando o exemplo da política dos pais de recém-nascidos em Hong Kong, que podem receber 20 mil dólares de Hong Kong.