Foram precisas menos de três semanas para que o surto de Covid-19 que se tem espalhado em Macau atingisse a marca dos 1.000 casos positivos. Até à tarde de ontem, o número de confirmados era de 1.168. Apesar do aumento exponencial, as autoridades reiteram que estes números já eram esperados. As medidas a serem aplicadas no futuro continuam a ser uma incógnita.
Registaram-se no dia 18 de Junho os primeiros casos confirmados deste surto de Covid-19 em Macau. Passaram-se menos de três semanas e agora o território já regista mais de um milhar de casos positivos. Segundo os dados do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, até à tarde de ontem, tinham sido confirmados, no total, 1.168 casos. Terça-feira bateu-se o recorde no número de casos detectados, com 146. “Estes números estão dentro da nossa previsão”, garantiu Leong Iek Hou, chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde.
A partir de ontem e até sábado, todos os trabalhadores de limpeza, de segurança e de gestão de condomínios vão ter de realizar diariamente testes de ácido nucleico. Ontem, as autoridades indicaram que, dentro deste grupo alvo, já foram detectados 59 casos.
Lei Wai Seng, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, informou também que, até agora, apenas pouco mais de 10% dos pacientes tem de ser internado, sendo que a grande maioria dos infectados são levados para hotéis de observação médica.
Face ao aumento exponencial no número de casos positivos, as autoridades foram questionadas sobre eventuais medidas mais severas a serem aplicadas. O representante dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) afirmou que o Governo não afasta a possibilidade de suspender todas actividades da sociedade, porém, quer afastar rumores falsos. Até porque “as corridas aos supermercados poderão trazer maior risco para transmissão do vírus”. “Se houver essa medida [de suspensão de todas as actividades], iremos anunciá-la de forma atempada”, referiu. Leong Iek Hou salientou a importância das várias rondas de testes em massa e disse que só depois de concluídos esses trabalhos é que serão pensadas as próximas medidas. “Vamos, de acordo com o resultado, decidir qual será a próxima etapa”, frisou.
Na conferência de imprensa de ontem, Leong Iek Hou lançou um apelo aos empregadores de trabalhadores domésticos, pedindo-lhes que os deixem pernoitar em sua casa, uma vez que, se tiverem de se deslocar, podem contrair o vírus e depois infectar também a família, “gerando uma situação grave”.
Por outro lado, as autoridades avançaram também que todo o centro comercial Four Seasons foi encerrado por ser considerada uma zona de risco. Na terça-feira, apenas o primeiro andar do local tinha sido encerrado. Além disso, também o hotel Grand Lisboa foi encerrado, sendo considerada uma zona vermelha. No Grand Lisboa estão retidas cerca de 500 pessoas, hóspedes e trabalhadores do casino. Os clientes do casino puderam sair do local quando o espaço foi encerrado. O Instituto para os Assuntos Municipais está a proceder aos trabalhos de desinfecção das zonas públicas do hotel. O espaço comercial do One Central também foi considerado zona de risco e, por isso, foi encerrado durante sete dias.
O Governo de Macau chamou ao território uma equipa de 650 técnicos do interior da China para dar apoio nos trabalhos dos testes em massa. Esses técnicos estavam a pernoitar no hotel Venetian, mas, segundo o que explicou Lei Wai Seng, esses trabalhadores vão agora mudar-se para um outro hotel, cujo nome não foi adiantado.
PONTO FINAL











