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      Insistência na política de zero casos merece debate na comunidade, diz Sulu Sou

      O antigo deputado Sulu Sou considera que, após mais de dois anos de persistência da pandemia, a questão que opõe a continuação da política de zero casos e a implementação da política de conviver com o vírus é digna de discussão na sociedade. Sulu Sou diz temer que em Macau não haja espaço público para a comunidade debater o assunto. Para o antigo deputado, o Governo dá a entender que a política de zero casos é o único rumo possível, mas pode não ser assim.

       

      A comunidade local deve prestar mais atenção e discutir de forma séria a direcção da política de prevenção e controlo da epidemia adoptada em Macau, sendo o mais importante o público ponderar se o Governo deve insistir na política de zero casos ou começar a coexistir com o vírus, defendeu Sulu Sou, vice-presidente da Associação Novo Macau.

      A situação pandémica já dura há mais de dois anos em Macau e a população, entretanto, não teve a oportunidade de realizar um debate crítico sobre essas duas distintas orientações. Em declarações ao portal All About Macau, o antigo deputado confessou: “Não me sinto optimista sobre a existência de espaços públicos em Macau para os cidadãos discutirem tais questões fundamentais da prevenção epidémica”.

      Sulu Sou notou que recentemente têm aumentado as opiniões na sociedade que questionam a estrita política de zero casos, salientando que o princípio fundamental da política de prevenção deve obter um consenso da comunidade, sendo também necessário o Executivo criar um espaço público de forma a permitir e promover a discussão, em vez de se “sobrepor a tudo”.

      “Neste momento, o espaço público de discussão parece estar tomado por problemas como o número de postos de atendimento para os idosos, a fila de espera para o teste em massa, e os motivos de fechar um edifício ou não”, lamentou.

      O democrata destacou que esta não é apenas uma questão de escolher uma ou outra política. Além disso, avisou que não se deve criar um estereótipo à volta da política de coexistência com o vírus dizendo que esta é uma política de “deixar morrer os infectados”.

      “Alguns discursos e propagandas locais acusam a política de coexistência como sendo de não fazer nada, ou até podem ter sido levados a acreditar que não há outra maneira para enfrentar a situação além de medidas rígidas contra a pandemia”, frisou, criticando que o Governo acha que a política de coexistência com o vírus é não apoiar os infectados, “assim, os cidadãos naturalmente irão opor-se a esta abordagem e dão apoio à actual política de zero casos”.

      Na perspectiva de Sulu Sou, o Governo deve saber que a política de conviver com o vírus não significa desistir de todas as medidas. O antigo deputado cita a Organização Mundial de Saúde e afirma que a coexistência não implica deixar as pessoas morrerem da doença, nem permitir que a epidemia se espalhe indefinidamente.

      Recorde-se que, na conferência de imprensa na passada quinta-feira, o Chefe do Executivo reiterou a prioridade de política de zero casos, dado que “se não tivermos política de zero casos, não vamos ter as fronteiras abertas para o interior da China, manter turistas e revitalizar a economia”.

      Na altura, Ho Iat Seng também apelou à calma e garantiu que o vírus “não é um monstro” e que os residentes “não precisam de temer”. Contudo, Sulu Sou assinalou que as acções e medidas tomadas pelo Governo parecem não estar em conformidade com o que disse ao público.

       

      EVITAR COLAPSO NO SISTEMA MÉDICO

       

      O antigo deputado alertou que deve ser reconhecido que o vírus está sempre em mutação e, sob essa realidade, a actuação científica do Governo convém ser o uso com precisão de mão-de-obra e recursos limitados para responder à necessidade dos grupos desfavorecidos, de idosos, de crianças e doentes com sintomas graves.

      Relativamente ao que assegurou o director dos Serviços de Saúde, que o organismo procura controlar todos os infectados e pessoas com alto risco mais rápido do que o vírus, Sulu Sou afirmou: “Parece-me estranho que as autoridades queiram competir com o contágio do vírus. Ao longo da história, quando é que os seres humanos foram capazes de superar a propagação de um vírus?”, questionou Sulu Sou, realçando que um Governo científico e responsável pela sociedade deve evitar como prioridade o colapso do sistema médico face às medidas severas.

      No entanto, Sulu Sou considera que Macau não dispõe actualmente de condições suficientes para a coexistência com o vírus, sendo que muitas medidas antipandémicas foram implementadas pela primeira vez no surto mais recente. O democrata sublinhou que as autoridades devem estabelecer um plano mais concreto e transparente para lidar com o surto comunitário.

      “Temos de avançar. No futuro, pode não haver necessidade de testagem massiva e, em vez disso, usamos o teste rápido para a Covid-19 enquanto ferramentas de rastreio. Os infectados assintomáticos podem não ser enviados para hospital, e ficam em casa. Então a sociedade não precisará de fechar todos os locais”, disse.

       

      PONTO FINAL