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      InícioSociedadeProprietários de restaurantes e cafés falam em situação “sem sentido” e “desumana”

      Proprietários de restaurantes e cafés falam em situação “sem sentido” e “desumana”

      Com a cidade suspensa devido a algumas dezenas de casos positivos de Covid-19, a grande maioria assintomáticos, o comércio local encerra portas e os proprietários desesperam pela forma como as autoridades locais lidam com a pandemia, quase três anos depois, com o território com quase 90% de taxa de vacinação e com um vírus, apesar de contagioso, “mais fraco”. O risco das micro, pequenas e médias empresas desaparecerem é, agora, de acordo com quem falou com o PONTO FINAL, “muito elevado”.

      A vida em Macau encontra-se suspensa depois de encontrados, no seio da comunidade, algumas dezenas de casos positivos de Covid-19. O Governo pediu aos residentes para que se quedassem por casa, estando apenas supermercados e farmácias abertas. Serviços públicos estão encerrados, mas os casinos continuam abertos. Os restaurantes e cafés, só takeaway.

      O PONTO FINAL conversou com alguns proprietários de cafés e restaurantes que se mostram desiludidos. Nélson Rocha, gerente do Mariazinha, é um deles. “Por mais de dois anos que temos mantido todos os postos de trabalho, apesar de todos os meses as receitas não serem suficientes para cobrir as despesas, mas é cada vez mais difícil manter a esperança e continuar a luta quando nem tão pouco conseguimos ver a luz ao fundo do túnel”, desabafou o português, que gere um dos restaurantes lusos no centro da cidade.

      Para Nélson Rocha, a situação começa a tornar-se “desesperante”. “Ao fim de dois anos e meio felizmente o vírus enfraqueceu, esta política, além de desactualizada, é desumana”, referiu, acrescentando que “foi com muita surpresa que foi informado de que os restaurantes apenas podem operar para serviço de takeaway. “Macau continua a insistir numa política de Covid zero quando as quarentenas já se provaram ineficazes várias vezes. Esta é já a terceira ou quarta situação em que a população fica em alerta com o aparecimento de casos na comunidade”.

      O proprietário do Mariazinha refere-se mesmo ao termo “depressão” para justificar o que a população sente, porque, diz, apesar de tantos cuidados, o vírus acabará sempre por entrar. “Para quê levar as empresas à falência e a população à depressão? Esta política fez sentido no início para ganhar tempo até à chegada de vacinas e tratamentos mais eficazes.Numa fase em que as pessoas estão ou deviam estar vacinadas, e os hospitais estão preparados, não faz sentido ainda vivermos como se fosse o início da pandemia. É preciso também salvar a sanidade mental da comunidade e os seus postos de trabalho”, notou ainda Nélson Rocha.

      PEQUENOS NEGÓCIOS VÃO CONTINUAR A DESAPARECER

      Elias Colaço, proprietário do Quiosque do Lilau, também está de rastos com a situação. O português, nascido em Damão, na Índia, não entende como é que quase três anos depois ainda se combate a pandemia como se não soubéssemos nada acerca dela e mostra-se apreensivo quanto ao futuro das pequenas e médias empresas, já para não falar da sua, que é uma microempresa. “A situação vigente, com a imposição de encerramento de lojas, cafés restaurantes, etc., causa enormes perturbações na situação económica dos mesmos”, começou por dizer ao PONTO FINAL.

      Para Colaço, “pequenos negócios familiares que dependem do diaadia estão sujeitos a desaparecer” e dá como exemplo o seu espaço, o Quiosque do Lilau. No meu caso com um quiosque, o facto de terem encerrado o jardim e vedado o uso das mesas e cadeiras condiciona-me a abertura, pois sem um sítio para sentar e tomar o seu café o cliente não pára”, explicou, lamentando que nem pode exercer a função de takeaway. “Deixo de vender aquela água ou sumo, gelados,que é produto de compra e leva. No máximo por dia aquele local terá entre 10 e 15 pessoas sentadas”, acrescentou, concluindo o pensamento dizendo que não percebe o porquê fechar um local arejado como aquele”.

      EXTREMAMENTE STRESSADOS FINANCEIRAMENTE

      Stephen Anderson é um dos que também manifestou o seu desagrado nas redes sociais. Proprietário de dois restaurantes no centro da cidade – a Cathedral e o BistroD’Indochine –, o australiano sente-se de mãos e pés atados, num cenário que ele próprio intitulada de “loucura sem sentido”. “São quase três anos de um jogo ilógico em que o Governo fica preso entre a sua própria agenda e os factos. Mas este ridículo Covid zero, três anos depois, sabendo que temos de lidar com isto de forma natural, não faz sentido”, desabafou ao nosso jornal.

      Anderson admitiu que recorreu aos empréstimos de apoio lançados pelo Governo, mas ao mesmo tempo ainda não conseguiu entender como se vai processar a nova ajuda de 10 mil milhões de patacas anunciada entretanto pelo Governo. “AAdministração interrompe a principal fonte de receita da cidade, o que destrói todos os negócios familiares locais, que são o coração da cidade. Além disso, a cidade devese diversificar e isso só pode ocorrer com mão de obra importada, educação, medicina, câmbio de RMB, moda e beleza,espectáculos, etc.”, sugeriu.

      Comprometido com Macau há 14 anos, com família e negócios no território, restaurantes que ganharam o reconhecimento da população, inclusive das autoridades, o australiano faz notar que tem demonstrado compromisso com esta comunidade”. “Vivemos os bloqueios anteriores e agora estamos extremamente stressados ​​​​financeiramente por causa desta reacção exagerada à pandemia”, afirmou.

      Suspender o território, neste momento, é, do ponto de vista de Stephen Anderson, “de partir o coração e frustrante. O Governo deveria tomar medidas proactivas hoje para garantir que as empresa familiares sobrevivam. Esta semana vou informar a CTM, a CEM, a Macao Water e o Banco da China que não conseguimos cumprir as nossas obrigações para o mês de Junho, mas que fique claro que vamos cumprir as nossas responsabilidades para com os nossos trabalhadores”, revelou.

      PONTO FINAL