Nos últimos anos foram diagnosticadas anualmente mais de 700 crianças com diferentes formas de transtornos de desenvolvimento, correspondendo a uma percentagem de entre 8% a 12% do total. Os Serviços de Saúde apontaram que a taxa de Macau já ultrapassou a taxa internacional da Organização Mundial de Saúde. As autoridades justificam os números dizendo que se devem à acumulação de casos antes da criação dos centros de prestação de serviços de tratamento precoce, bem como a uma maior sensibilização da sociedade que permite descobrir casos potenciais.
Os dados estatísticos dos Serviços de Saúde desde 2016 mostraram que, por ano, mais de 700 crianças em média foram diagnosticadas com diversos tipos de transtornos de desenvolvimento, o que representa entre 8% a 12% do número total de crianças, sendo esta taxa superior à percentagem média da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é entre 6% a 8% do número total de crianças.
A informação foi adiantada pelo médico-adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, em declarações a um programa da Rádio Macau em língua chinesa. O médico revelou ainda que o Centro de Reabilitação Pediátrica e o Centro de Avaliação Conjunta Pediátrica, após o seu estabelecimento em 2016 e 2017, respectivamente, já acompanharam mais de seis mil crianças, com idade igual ou inferior a 6 anos, para submetê-las à avaliação e tratamento.
“Considero que a razão da alta taxa em Macau é que, por um lado, foram acumulados muitos casos não oficialmente diagnosticados antes da criação dos centros. E, por outro lado, devido à promoção e sensibilização reforçada, a sociedade tem mais consciência e valoriza mais os serviços de avaliação e diagnóstico precoce, assim conseguimos descobrir e ajudar mais casos potenciais na comunidade”, salientou Tai Wa Hou.
Em resposta a algumas queixas sobre a demora no tempo de espera para o tratamento precoce das crianças, o responsável realçou que, através da prestação de mais recursos, as autoridades já encurtaram o tempo de espera. O responsável indicou também que são disponibilizados serviços de avaliação e terapêuticos aos fins-de-semana, prolongando o horário de atendimento, bem como foram adquiridos serviços das instituições médicas qualificadas.
“Actualmente, o tempo de espera para a primeira consulta é de quatro semanas, e pode receber o tratamento após seis a nove semanas depois do diagnóstico. O tratamento tem oito fases, depois disso a criança pode regressar à escola e à comunidade, sendo acompanhada continuamente pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e o Instituto de Acção Social”, explicou.
O tempo de espera para tratamento também está relacionado com os recursos humanos. Indicando que em Macau existem actualmente 51 terapeutas da fala registados, o médico disse acreditar que o tempo de espera dos serviços precoces poderá ser reduzido com mais licenciados de cursos de Terapia da Fala e de Língua a servir a sociedade no futuro.
Por outro lado, o responsável sublinhou que o sistema da terapia da fala auxiliada por inteligência artificial do Centro de Reabilitação Pediátrica está a ser optimizado, tendo sido concluída a fase experimental no mês passado, e “70% dos pais de crianças necessitadas manifestaram-se satisfeitos”, disse.
Entretanto, Tai Wa Hou defendeu que “não é realista a ideia de esperar que o Governo seja responsável por todo o tratamento, sem interrupção, das crianças”, reiterando que “os pais são os melhores terapeutas”, e que podem fornecer tratamento adequado em casa enquanto aguardam pelos serviços prestados pelo Governo.
Na ocasião, vários ouvintes do programa lamentaram a falta de serviços relacionados com a utilização de implante coclear, que tem vindo a dificultar a eficácia de tratamento precoce para crianças com deficiência permanente de audição. Tai Wa Hou explicou que, no passado, os Serviços de Saúde tinham cooperado com os serviços médicos de Hong Kong para coordenar os necessitados que precisam de operação cirúrgica para implantação do dispositivo. “Devido às restrições pandémicas, os utilizadores não podem ir a Hong Kong realizar a manutenção e programação do sistema. Portanto, já entrámos em negociações há alguns meses com duas associações e universidades em Cantão para prestar o serviço aos utilizadores de Macau”, revelou.
Neste caso, o médico disse que os Serviços de Saúde estão ao mesmo tempo a estudar o lançamento do referido serviço no território, sendo que “a técnica não é complicada, só que é necessária a aquisição de máquinas especiais e formação de pessoal especializado dessa área”.
PONTO FINAL











