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      InícioSociedadeAcadémico defende que Macau é um excelente lugar para debater inteligência artificial

      Académico defende que Macau é um excelente lugar para debater inteligência artificial

      O professor Rostam J. Neuwirth, da Universidade de Macau, considera que o território tem de tudo um pouco para ser um caso de sucesso em questões relacionadas com a tecnologia de futuro, em especial em questões relacionadas com os sectores do jogo e do turismo.

      “Macau é um lugar fantástico para debater e implementar a inteligência artificial”. A afirmação foi proferida pelo académico da Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM) Rostam J. Neuwirth durante um evento organizado pela Câmara de Comércio França-Macau que teve lugar ontem de manhã no Sofitel, na península de Macau, subordinado ao tema “A economia da experiência: uma breve história dos sistemas de inteligência artificial subliminares e a lei do amanhã”.

      O professor, especialista Estudos Jurídicos Globais, vê com bons olhos a aplicação da tecnologia no território. “O que vejo é que há um grande desenvolvimento, principalmente em questões mais positivas para a humanidade. Macau usa muito a inteligência artificial em bom proveito com aplicações em turismo interactivo, informações de trânsito, excesso de turistas em determinado lugar, etc.”, explicou.

      Ainda assim, seria importante, até devido à sua situação relacionada com o sector do jogo, que a RAEM pudesse discutir profundamente e de uma forma didáctica “os bons propósitos” da utilização de tecnologia de inteligência artificial, nomeadamente também “em questões de combate ao vício do jogo”. “Estamos num excelente lugar para experimentar a economia”, considerou, tendo em mente sempre o lado positivo da inteligência artificial.

      A verdade é que, no dia-a-dia pelo mundo fora, o uso da inteligência artificial nem sempre é sério e correcto, constata Rostam J. Neuwirth. “É um perigo à espreita. Ou tu controlas a tua mente ou então vão controlar-te a ti”, atirou, acrescentando que “a profecia da inteligência artificial passa muito, e infelizmente, por prever o futuro das pessoas”. “Criam-se ferramentas que vão canalizando a vida das pessoas”.

      Nada é explícito, mas tudo é subentendido. Isso significa que estamos a viver numa espécie de limbo, algo que “não atinge o limiar da consciência, mas pode ter efeitos a nível subconsciente”. “E essa percepção, na verdade, vale apenas 5% de toda a percepção humana, com os cinco sentidos envolvidos. As ilusões criadas. As coisas que acabamos por comprar ou por fazer sem que necessitássemos delas”, explicou o professor da UM.

      E, em jeito de brincadeira, dá o exemplo do Sofitel na página Booking.com. “Reparem que se eu quiser reservar um quarto de hotel aqui – e espero que este exemplo não me traga problemas [risos] –, estou sempre a receber mensagens de que alguém viu o quarto nas últimas 24h, ou que já só faltam uns quantos quartos para esgotar, etc. Tudo isto são informações que nos trazem aquela sensação de stress e nos obrigam a reservar logo o quarto, mesmo que queiramos pensar um pouco”, referiu Rostam J. Neuwirth.

      O académico tem vindo a estudar oximoro, ou melhor dizendo, o paradoxismo do que é o absurdo, o contrassenso. “A inteligência artificial nada tem de inteligente, muito pelo contrário. É um oximoro, um truque. Começamos a ficar sem pensamento crítico e livre arbítrio. Quem somos? O que estamos aqui a fazer? Estas e outras questões podem serlevantadas a partir de agora”, admitiu.

      A inteligência artificial é uma tecnologia dos tempos modernos, mas não é do futuro, garante Neuwirth. Já há algum tempo a esta parte que caminhamos lado a lado com ela, seja nas redes sociais, na Internet em geral, seja nas notícias que vemos ou até mesmo nas diversas publicidades que nos vão passando à frente dos olhos. Esta sociedade de informação constante, onde nem toda a informação é idónea, “é preciso estar atento. “Quanto mais estamos engajados, mais consumimos”, conclui o académico.

      Ainda falta muito para o mundo ter uma legislação concreta para reger estas matérias relacionadas com a inteligência artificial. Na verdade, apenas em Abril de 2021 surgiu a primeira tentativa de regulamentação da inteligência artificial que partiu da Comissão Europeia. Meses depois, em Novembro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) redigiu um rascunho de regras “onde revelava não só os aspectos positivos da tecnologia, mas acima de tudo escalpelizava os pontos negativos”. Um mês depois, em Dezembro, o Conselho da Europa adopta um conjunto de possíveis elementos de moldura legal, baseados em questões intimamente ligadas aos direitos humanos.

      Rostam J. Neuwirth é professor de Direito e director do departamento de Estudos Jurídicos Globais da Faculdade de Direito da UM. Tem um doutoramento em Direito pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, em Itália. Tem um mestrado pela Universidade McGill de Montreal, no Canadá, e uma licenciatura pela Universidade Karl-Franzens de Graz, na Áustria. Antes de ingressar na Universidade de Macau, leccionou na Hidayatullah National Law University (HNLU) em Raipur e na National University of Juridical Sciences (NUJS) em Kolkata, ambas na Índia, e trabalhou ainda no Völkerrechtsbüro do Ministério Federal Austríaco para as Relações Exteriores.

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