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      Participação em jogos de apostas por parte dos idosos com tendência de aumento

      A pressão familiar devido à pandemia, a falta de vontade de ficar em casa e a influência dos amigos podem ser as razões principais de se verem cada vez mais idosos a fazerem apostas em jogos, seja nos jardins ou nos casinos. De acordo com o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau, apesar do número de casos de jogo com idosos não estar particularmente elevado, houve recentemente um aumento de pedidos de ajuda por parte de pessoas desta camada da sociedade.

       

      O número de participação de idosos em jogos de apostas tem registado uma tendência de aumento. A pandemia, a pressão da vida familiar e a influência dos amigos podem ser os motivos principais desse acréscimo, segundo o Centro de Bem-Estar Familiar e aconselhamento de jogo, do Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau. A organização notou ainda uma subida recente dos casos de pedido de ajuda, sobretudo por parte dos familiares destes idosos.

      Numa entrevista ao All About Macau, a directora do Centro, Wu Wai Han assinalou que os problemas sociais e conflitos familiares na cidade tornaram-se cada vez mais frequentes nos últimos anos, e a percentagem de pessoas de maior idade a participarem em jogos de apostas, incluindo nos casinos, apesar de não ser elevada, está a crescer ligeiramente.

      “Neste período em que a nossa vida está a ser afectada pela pandemia, a pressão familiar poderá estar também a aumentar. A situação epidémica exigiu que os cidadãos passassem mais tempo em casa e, para evitar possíveis conflitos, os idosos estão mais dispostos a não ficar em casa, e optam por ir ter com os amigos”, salientou Wu Wai Han. “Podem jogar cartas e xadrez nos jardins, e depois apostam dinheiro, podendo até divertirem-se nos casinos”.

      A responsável, que se dedica ao aconselhamento e tratamento de assuntos relacionados com jogos problemáticos há mais de dez anos, destacou que, segundo os dados do centro, não se registaram até agora muitos casos de idosos com sintomas de distúrbios causados pelo vício do jogo.

      Contudo, os idosos podem ter cada vez mais vontade de ir apostar e permanecer em casinos, ficando durante um longo período de tempo por estarem atraídos pelo ambiente. A profissional acredita que os serviços actuais desses locais conseguem atender às necessidades dos idosos, com um ambiente confortável com ar-condicionado, bem como o fornecimento grátis de comida e água.

      Lao Mei I, representante dos Serviços da Linha Aberta de 24 horas para o Aconselhamento da Problemática do Jogo, também da mesma associação de serviço social, revelou que tem registado mais casos envolvendo jogadores idosos, tendo recebido pedidos de ajuda de dez famílias nos últimos dois meses.

      A responsável considera que uma das razões para tal deve-se ao plano de comparticipação pecuniária, permitindo que os idosos tenham dinheiro extra para participarem em actividades de apostas. “Há um idoso que perdeu 10 mil patacas no jogo numa semana, o que deixou a sua família irritada. No passado, os familiares podiam contar que o idoso apenas gastasse o seu próprio dinheiro, mantendo uma atitude de tolerância e conivência. Mas por causa da pandemia, o rendimento geral dos membros familiares diminuiu, e o facto de os idosos gastarem mais dinheiro já faz diferença para a família”, salientou.

      Na opinião da directora Wu Wai Han, analisando os casos actuais, poucos idosos continuam a jogar até terem outros problemas mais extremos, como dívidas. Segundo a directora, os cidadãos seniores podem não ter muitas condições financeiras e, por outro lado, os seus filhos podem deixar de lhes dar dinheiro caso descubram que fazem apostas.

      A também promotora da Jogo Responsável apontou que o vício do jogo surge, muitas vezes, nos aposentados ou nas domésticas, sendo mais difícil de resolver a sua dependência do jogo. “Neste caso, o acompanhamento dos familiares é muito importante. A maioria dos idosos vai ao casino porque estão aborrecidos e não têm nada para fazer. Se os filhos puderem passar mais tempo com os pais, isso deve reduzir a vontade dos idosos de participarem em jogos de apostas”, afirmou.

      Recorde-se que, segundo o sistema de Registo Central do Distúrbio do Vício do Jogo, o número de casos registados das pessoas com idade maior a 60 anos foi de oito casos no ano passado, o que representa um aumento de 10,26% face ao ano anterior. Os motivos do jogo são entretenimento (22,29%) e para desanuviar (18,29%).

       

      PONTO FINAL