Professores de Macau acreditam que a inteligência artificial pode ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta tecnologia. As autoridades locais, recorde-se, anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano lectivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial”.
Professores de Macau reconhecem que a inteligência artificial (IA) pode ajudar a reduzir a carga de trabalho, mas alertam para as fragilidades desta tecnologia, nomeadamente quando utilizada para a correção de trabalhos dos alunos. As autoridades da região anunciaram recentemente o lançamento, no próximo ano letivo, de “uma plataforma de serviços localizada, no âmbito do ensino de inteligência artificial”.
Esta ferramenta vai incluir funções como “composição de enunciados inteligente, a correção inteligente e outras funções, com vista a reduzir a carga de trabalho dos docentes, desde a preparação das aulas até à avaliação”.
Embora sejam a favor da plataforma, professores sublinharam limitações actuais da tecnologia. “Usar a IA para classificar trabalhos pode resultar em erros que exigem correção manual”, reagiu Ruan Zhanpeng, professor de tecnologias de informação na Escola Secundária Pui Va.
Ruan reconheceu que a IA pode reduzir a carga de trabalho na “correcção de perguntas de escolha múltipla simples, mas para perguntas de resposta aberta, ainda são necessários ajustes manuais”.
A professora de chinês Nora Lam, da Escola dos Moradores de Macau, tem a mesma opinião quanto às limitações da IA no que diz respeito a questões que exigem desenvolvimento. “É necessária revisão após a correção de uma composição feita pela IA, porque esta não consegue entender textos baseados em sentimentos”, referiu.
Pedro Lobo, professor com mais de 30 anos de experiência em tecnologias de informação no território, revelou que tem usado a IA como “ponto de partida na preparação das aulas e de materiais para os alunos”. O português concorda que pode ser uma boa ferramenta para os docentes, mas enfatiza a necessidade de formação. “Para os professores que não falam chinês, dificilmente tenho visto qualquer formação”, disse à Lusa.
A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que, para o ano lectivo corrente, disponibiliza pelo menos 10 horas de formação para professores de tecnologias de informação e pelo menos seis horas para professores de outras disciplinas. “No ano lectivo de 2025/2026, foram disponibilizadas cerca de três mil vagas de formação e mais de 51.800 horas letivas aos docentes da disciplina de tecnologias de informação e cerca de nove mil vagas de formação e mais de 355 mil horas lectivas aos docentes das outras disciplinas”, referiu a DSEDJ numa resposta escrita a uma interpelação da deputada Ella Lei sobre estratégias para reduzir a carga de trabalho dos professores. Lusa











