Testemunhas não acreditam que Jackson Chang, como pessoa “honesta”, praticasse corrupção passiva

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ ARQUIVO

Algumas pessoas próximas de Jackson Chang foram arroladas, na semana passada, como testemunhas para a avaliação da personalidade do reu. Alguns nomes conhecidos da sociedade, tais como Rita Santos, Lam Chong In e Echo Chan, compareceram no tribunal e deram depoimentos, afirmando que o ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau é uma pessoa “diligente”, “responsável”, “imparcial” e “honesta”, acrescentando que não estão convencidas sobre as acusações de prática de corrupção passiva e abuso de poder.

 

O Tribunal Judicial de Base continuou, na passada sexta-feira, a audiência de julgamento que envolve Jackson Chang, ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), pelos crimes de corrupção passiva e abuso de poder, procedendo-se à inquirição de testemunhas arroladas pela defesa. Cinco testemunhas foram chamadas a comparecer, inclusivamente alguns ex-colegas de trabalho, amigos da escola secundária e médica familiar de Chang.

Rita Santos, Conselheira das Comunidades Portuguesas e presidente do Conselho Regional dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, começou a trabalhar junto do IPIM aquando da nova criação do Fórum de Macau estabelecida em 2003. Descreveu Chang como uma pessoa “diligente” e “calma”, e acrescentou que o ex-dirigente do IPIM não gostava de ter contacto próximo com empresários. A testemunha lembrou ainda que nas visitas de estudo ao exterior, Chang ficava sempre atrás das pessoas. A figura representativa da comunidade macaense ressaltou que o ambiente de trabalho era “harmonioso” sob a liderança de Chang.

Lam Chong In, presidente da Associação de Comércio e Exposição de Macau, conheceu Jackson Chang no ambiente de trabalho desde os anos 90, e confessou que foi apanhado de surpresa quando foi informado da acusação por corrupção passiva. Mesmo que, no âmbito da indústria de convenções e exposições, seja comum o ex-dirigente ter contacto próximo com as propostas e os preços no que diz respeito ao concurso público, Chang é considerado uma pessoa “honesta” e “responsável” devido à “sinceridade” e “imparcialidade” que mostrou no trabalho, referiu o líder da associação.

Echo Chan, ex-secretária geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, que conheceu Chang há mais de 30 anos, descreveu o antigo presidente do IPIM como um funcionário público “justo” e “competente”. A funcionária aposentada admitiu que o trabalho do IPIM é “duro”, mas nunca tinha ouvido qualquer queixa relativamente a Chang. Na observação de Echo Chan, Jackson Chang estava sempre cuidadoso e ciente relativamente à conduta profissional, e por isso não acredita que pudesse praticar corrupção passiva.

De acordo com o depoimento dado pela subordinada e secretária da Chang, durante 15 anos de colaboração nunca tinha visto quaisquer intervenções superiores de Chang sobre os pareceres elaborados pelas técnicas do Gabinete Jurídico e de Fixação de Residência. Outras pessoas próximas do suspeito, incluindo o seu colega de escola secundária e médica familiar, também reconheceram a boa personalidade de Chang.

As alegações finais estão marcadas para 4 de Abril.

 

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