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      Início Cultura Francisco Ricarte apresenta “Dark Matter” no Art Garden  

      Francisco Ricarte apresenta “Dark Matter” no Art Garden  

       

      O mais recente projecto do arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte vai estar patente no Art Garden da Art For All Society. Trata-se de um conjunto de 12 fotografias captadas em Coloane no início de 2021. Com o seu novo trabalho, o autor pretende também fazer com que o espectador perceba que podem existir formas inesperadas de experienciar um território como Macau em tempos particularmente desafiantes.

       

      O arquitecto e fotógrafo português Francisco Ricarte apresenta, no próximo dia 17 de Março, quinta-feira, pelas 18h30, no Art Garden da Art For All Society (AFA), o seu mais recente projecto intitulado “DarK Matter”. Trata-se de uma série composta por 12 fotografias a cores e a preto e branco, nos formatos vertical e horizontal, com o tamanho de 90cm x 60cm.

      Ao PONTO FINAL, o autor referiu que espera “que a exposição suscite aos visitantes a reflexão sobre a situação de confinamento em que temos vivido nos últimos anos”. “Há um ‘aqui’ e um ‘ali’, nem sempre facilmente alcançável.”

      Francisco Ricarte captou as imagens no início de 2021 em Coloane, junto do mar e da natureza. Reveladoras em certa parte, as fotos, por meio de um código visual específico, “procuram ‘esconder’ mais do que dão a ‘ver’”. “Nelas, as sombras, o tom escuro dominante, bem como o que é apenas vislumbrado, poderão ser entendidos como o que é imaterial ou sensitivo que nos rodeia. As imagens remetem-nos assim para algo que sentimos, mas não vemos – uma nostalgia, ou uma memória de algo que não podemos alcançar – enfim, uma ‘matéria negra’ que, à semelhança do Universo, sabemos existir, mas não vemos e nos modela de forma indelével”, explicou o autor de 66 anos.

      Com curadoria da artista local Alice Kok, a exposição surge como primeira parte no âmbito do projecto anual da AFA intitulado “As Within, So Without – The Art of Imagery Exhibition Series”. “A situação de pandemia mundial mergulhou o artista numa profunda reflexão sobre seu próprio ambiente e, talvez mais importante, nas possibilidades do incognoscível. A série de fotografias foi toda tirada à luz do dia em Coloane pela orla de Macau para o mar com uma diminuição deliberada do nível de exposição criando assim uma misteriosa atmosfera de escuridão sob o sol”, escreve a curadora no seu manifesto.

      Para Ricarte, Macau tornou-se um “território em si” para os seus residentes. “Os trilhos paisagísticos de Coloane e o mar envolvente adquiriram um novo significado, destacando o ‘aqui’, onde a percepção da paisagem existente ficou metaforicamente expressa pela cor preta ou azul escura e pelo aparecimento de sombras contra o mar”, notou o fotógrafo.

      Alice Kok, confessa admiradora da obra “O Principezinho” de Antoine de Saint Exupéry, destaca a sua célebre frase “o essencial é invisível aos olhos”. “’Dark Matter’ refere-se a um componente do universo cuja presença é discernida pela sua atracção gravitacional e não pela sua luminosidade. A matéria escura compõe 30,1% da composição matéria-energia do universo; o resto é energia escura (69,4%) e matéria visível “comum” (0,5%)”, acrescentou a artista.

      O autor considera ainda que semelhante à matéria escura do Universo que sabemos que existe, mas não a vemos, a série fotográfica “Dark Matter” “é uma alegoria que evidencia uma emoção sobre como a situação actual nos fez viver Macau”. “Através de uma percepção pessoal do espaço, os ‘lugares interiores’ são escurecidos e mostrados como sombras, enquanto os ‘lugares exteriores’ são vistos, porém, distantes.

      A curadora e representante da AFA vai mais longe. “Eu arriscaria chamar a matéria escura de ‘Paisagem Impossível’”. “É uma paisagem que não pode ser construída por um arquitecto porque só pode ser oferecida pela natureza mágica da luz e pela mente poética de um artista, que busca a imagem perfeita através da abertura da persiana das profundezas da mente dele”, sugeriu.

      A série “Dark Matter” pretende também fazer com que o espectador perceba que podem existir formas inesperadas de experienciar um território como Macau em tempos particularmente desafiantes, admitiu ainda o autor.

      Antes de se tornar arquitecto profissional, Francisco Ricarte já se dedicava à fotografia desde os 21 anos, nos idos anos de 1970, quando lhe foi oferecida sua primeira câmara fotográfica reflex. Desde então, tem vindo a usar o meio de comunicação como uma expressão da sua própria visão sobre o ambiente que o rodeia. Em 2006, mudou-se para Macau e trabalhou como gestor de projecto em arquitectura até hoje. Nos últimos anos, Ricarte tem participado em diversas exposições colectivas onde apresentou os seus trabalhos fotográficos baseados principalmente nos temas paisagem e arquitectura. Aos 66 anos e, em ano de aposentadoria, o autor, que é membro fundador e vice-presidente da associação de fotografia local Halftone – revela o seu mais recente trabalho.

      A mostra fica patente até 11 de Abril e pode ser visualizada de segunda-feira e sábado, das 11h às 19h.

       

      PONTO FINAL