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      Salvaguarda e promoção do património cultural de Macau está assegurada, garante presidente do IC

      Estará o Governo a fazer o suficiente pela protecção e divulgação do património cultural intangível do território? Nick Lei interpelou as autoridades sobre certos ofícios em declínio, e quis saber mais sobre que medidas concretas estão em curso para que as gerações mais jovens possam aprender estas técnicas. E para os turistas, há eventos de grande escala de divulgação do património cultural? A presidente do Instituto Cultural Leong Wai Man garantiu ao deputado que existem diversos programas em curso, enumerando os vários programas, iniciativas e plataformas de educação e promoção do património cultural intangível da RAEM.

       

      Nick Lei, presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, está preocupado com a protecção de certos ofícios tradicionais do património cultural intangível de Macau, como o fabrico de pivetes ou de frutas secas que, sustenta, estão em vias de desaparecer, e carecem do apoio adequado da parte de Governo. Em interpelação, o deputado partilhou algumas sugestões, desde a inclusão destes saberes técnicos no currículo escolar e técnico-profissional, à criação de campanhas promocionais com maior impacto entre os turistas. Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC), enumerou na sua resposta os diversos mecanismos de acompanhamento destes saberes, e outras actividades de salvaguarda e promoção do património cultural intangível de Macau.

      Destacando que, a fim de conhecer o seu estado de preservação, o IC tem vindo a periodicamente acompanhar os projectos do património cultural intangível, este organismo também tem “desenvolvido actividades de investigação e estudo sobre os mesmos”, para além de continuar a fazer uma renovação oportuna da lista para que continuem a ser incluídos no âmbito de preservação projectos “com elevado valor cultural”. Para proteger ofícios em risco de desaparecer, o IC “colabora ainda com as unidades de preservação” e os “herdeiros” destes saberes, acompanhando os seus trabalhos de planeamento de preservação.

      Em relação ao ensino concreto de técnicas manuais, Nick Lei sugeriu que o Governo incorporasse estes saberes no ensino regular e técnico-profissional, “para que os alunos possam aproveitar o património cultural intangível para o desenvolvimento das suas técnicas profissionais, e a prática e a transmissão do património cultural intangível possam ser reforçadas”. Leong Wai Man recordou ao deputado que as disciplinas de Educação Moral e Cívica, Actividades de Descoberta, e História já fazem referência e abordam temáticas em torno do património cultural do território, e que quanto ao ensino técnico-profissional, a “DSEDJ apoia as escolas na criação de cursos de ensino secundário-complementar técnico-profissional, nas áreas de culinária internacional, artes marciais, artes do espectáculo, dança, música, entre outras, cujos conteúdos pedagógicos incluem o património cultural intangível”. A representante do IC descreveu ainda diversos exemplos concretos, desde o “plano de continuidade da arte da dança do leão de Lingnan”, à aula “mestres da cozinha macaense”.

      Outro dos pontos levantados pelo deputado na sua interpelação escrita foi a da falta de actividades promocionais juntos dos turistas. Salientando que o território tem cerca de 70 expressões do património cultural intangível, “incluindo a gastronomia, o artesanato, as crenças e as culturas religiosas, os festivais e os espectáculos artísticos”, Nick Lei diz que estas são reveladoras do “ambiente multicultural único de Macau”, e que “aproveitando a recuperação da economia de turismo após a epidemia”, o Governo deveria promover junto dos turistas demonstrações “de grande escala nas épocas altas do turismo, para que os visitantes possam experimentar várias manifestações do património cultural intangível de uma só vez”.

      A presidente do IC, em resposta, enumerou vários casos em que se adicionaram elementos do património cultural intangível às actividades festivas do ano, dando como exemplo  “o Carnaval do Dia do Património Cultural e Natural da China, Passeando pela Almeida Ribeiro – Projecto piloto para área pedonal, e, as actividades festivas do Ano Novo Lunar na antiga Fábrica de Panchões Iec Long, entre outras”, como a “Preparação de Chá de Ervas, Técnicas de Confecção de Pastelaria Chinesa, Artes Marciais de Wing Chun, Dança do Leão, Dança Folclórica Portuguesa, Percussão Baatyam, etc”.

      Leong Wai Man referiu que se aproveitou ainda o Mês da Promoção Cultural, que se realiza anualmente, para concretizar várias actividades de Cozinha Macaense, Escultura de Figuras em Massa, Confecção de Pastéis de Nata e Confecção de Pastelaria Chinesa. Por outro lado, “a DST faz questão de introduzir elementos do património cultural intangível nas exposições ao ar livre de grande dimensão realizadas no Interior da China”, indicou.

      Nick Lei falou ainda da necessidade de se criar “um museu digital”, um arquivo de vídeo de todas as expressões de património cultural, mas a dirigente do IC disse que já existe uma página dedicada a este conteúdo – www.culturalheritage.mo – e que os visitantes podem aceder também à página “Enjoy Macau” para obter mais informações sobre a programação em torno do património cultural intangível do território.