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      Macaenses e portugueses são muito importantes para Macau, frisa Ho Iat Seng

      No almoço de Primavera do Governo da RAEM com personalidades da comunidade macaense, o Chefe do Executivo reiterou a importância da continuidade dos portugueses e do uso da língua portuguesa em Macau. Os macaenses ouviram e mostram-se satisfeitos com o discurso oficial, considerando-o “honesto” e “apaziguador”, apesar de “político”.

       

      O Chefe do Executivo RAEM afirmou, ontem, durante o habitual almoço de Primavera oferecido a personalidades da comunidade macaense, que o Governo “continuará a apoiar a comunidade em vários sectores locais, a respeitar a sua língua, cultura, religião e costumes e a garantir a herança cultural macaense, uma característica valiosa de Macau, transformando Macau numa base de intercâmbio e cooperação que, tendo a cultura chinesa como predominante, promove a coexistência de diversas culturas”.

      Ho Iat Seng referiu que “Macau continuou a enfrentar os desafios da pandemia, no entanto, com a união de todos os residentes, o território conseguiu encarar, de forma activa, os diversos obstáculos e avançar apesar das dificuldades”.

      O líder do Executivo local, que agradeceu à comunidade macaense, em particular, e aos portugueses, em geral, o apoio e colaboração dada ao Governo, acrescentou que a comunidade macaense “como parte integrante e relevante da população local”, tem desempenhado as suas funções com “total lealdade e empenho em diferentes postos de diversos sectores”, dando o seu contributo para que Macau continue a ser “uma cidade turística segura e apropriada para visitar”. “Macau é o nosso Lar, espero que, todos juntos, continuemos a envidar esforços na construção de uma Macau moderna, bela, feliz, segura e harmoniosa”, pontuou Ho Iat Seng.

      Carlos Marreiros, Leonel Alves, Edith Silva, José Sales Marques, Manuel Silvério, Jorge Fão, Francisco Manhão, Rita Santos ou José Pereira Coutinho, entre outros, foram alguns dos notáveis macaenses que estiveram presentes no almoço.

      Ao PONTO FINAL, o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel de Senna Fernandes, fala em “discurso apaziguador”. “Gostei do almoço. Nada de especial em comparação com outros anos. No essencial a mensagem é a mesma, mas este ano pareceu-me que ele quis enfatizar a presença da comunidade portuguesa em Macau. Senti que houve ali uma palavra de apaziguamento para tentar até evitar esta debandada de portugueses. Ele deixou uma palavra de apreço aos macaenses e aos portugueses”, começou por dizer.

      O advogado macaense ficou com sensação de que o Governo preza a multiculturalidade de Macau, apesar da predominância chinesa que tanto apregoa e que, “é normal, sempre foi”. “Penso que foi um discurso optimista, com bons sinais. Não houve indicações para ficarmos alarmados. Sem receios. Esta é a minha leitura”.

      Senna Fernandes admitiu ainda ao nosso jornal que, agora, nos tempos que correm, “é preciso estar-se muito atento a cada palavra dos discursos oficiais”. “Numa altura em que estão a ocorrer grandes mudanças, é preciso estar muito atento. Agora, no próximo dia 20, vamos almoçar com o Gabinete de Ligação”, revelou.

      Durante o almoço com notáveis da comunidade macaense, Ho Iat Seng referiu ainda que em 2022, tendo em conta a orientação geral das Linhas de Acção Governativa, “o Governo continuará a efectuar bem o trabalho de desenvolvimento diversificado da economia e de prevenção e controlo da pandemia, de modo a garantir o desenvolvimento estável dos diversos sectores e a promover, de forma ordenada, acções vocacionadas para o bem-estar da população”.

      O Chefe do Executivo salientou “o dever de acreditar de que se vão enfrentar os desafios, ultrapassar as dificuldades e aproveitar todas as oportunidades de desenvolvimento, designadamente, estreitar as relações com os Países de Língua Portuguesa, tendo em conta o posicionamento de ‘um centro, uma plataforma e uma base’ e promover a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, para uma melhor integração na conjuntura do desenvolvimento nacional, redigindo, assim, um novo capítulo da implementação bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”.

       

      Continuar a trabalhar em prol de Macau

       

      Rita Santos considera que “naturalmente” se tratou de um “discurso político”, mas foi “muito bom”. “Ele frisou, novamente, a importância dos macaenses e dos portugueses, dizendo que estamos a trabalhar com muito empenho. Falou, penso eu, num sentido bastante honesto e quer que nós continuemos a trabalhar”, referiu.

      Ouvida pelo PONTO FINAL, a Conselheira das Comunidades Portuguesas entendeu que o Governo, no geral, e Ho Iat Seng, em particular, “respeita a nossa herança cultural e destacou a importância da permanência dos portugueses e a existência da língua portuguesa em Macau”. “Tenho contactos com o Governo local e com o Governo Central. Garanto que eles dão muita importância à continuidade dos portugueses em Macau. Há confiança”, garantiu a antiga secretária-geral adjunta do Fórum Macau.

      Para Jorge Fão, aquilo que ouviu ontem foi “bonito para nós”. “Para nós macaenses e, claro, portugueses. Penso que apesar do discurso político, foi agradável ouvir o que todos nós ouvimos”, admitiu o presidente da Mesa da Assembleia Geral da APOMAC

      O macaense, antigo deputado da Assembleia Legislativa, ficou com a certeza que “podemos viver descansados” em Macau. “Espero, muito sinceramente, que as coisas aconteçam como ele disse durante o almoço, tanto para o lado dos macaenses e como dos portugueses, até para que possamos viver aqui descansados”, desabafou

      Ainda assim, a debandada de portugueses nos últimos dois anos tem deixado Fão preocupado, apesar do Ho Iat Seng ter “deixado claro que não há razão para receios”. “É verdade que a comunidade, em conversas de café, tem comentado que os portugueses estão a ser pressionados para irem embora, mas eu não senti isso no discurso de Ho Iat Seng”, rematou, esperando que, no próximo dia 20 de Fevereiro, aquando do almoço com o Gabinete de Ligação, com quem a APOMAC tem tido “bons contactos e boas relações”, tudo seja “aberto e amigável”.

       

      PONTO FINAL