Wong Kit Cheng preocupada com recentes crimes de droga envolvendo jovens

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

A deputada lembrou dois recentes casos de tráfico e de consumo de droga envolvendo estudantes universitários para interpelar o Governo sobre o assunto. O consumo oculto de droga, assim como a chegada de estupefacientes por correio e a legalização de drogas como a marijuana em certos países, são os pontos que preocupam a também vice-presidente da direcção da Associação Geral das Mulheres de Macau.

 

Tendo em conta as mudanças nas práticas dos crimes relacionados com a droga registadas durante a epidemia, em particular o aumento do crime de tráfico de droga via pacotes postais, segundo os dados disponíveis, as autoridades devem reforçar os seus trabalhos, considera a deputada da Assembleia Legislativa (AL) Wong Kit Cheng, que enviou uma interpelação escrita ao Governo da RAEM onde se mostra preocupada com a chega de estupefacientes por correio.

Recorde-se que a Polícia Judiciária detectou, no mês passado, dois casos de tráfico e de consumo de droga envolvendo estudantes universitários, “o que suscitou a ampla atenção da sociedade”, notou a deputada na sua missiva.

A parlamentar admitiu que, durante a pandemia de Covid-19, “estão a verificar-se, de facto, algumas mudanças nos problemas e nas práticas dos crimes relacionados com a droga”.

Dados da Secretaria para a Segurança, entre Janeiro e Setembro do ano passado, mostram que se registaram 64 casos de tráfico de droga, um aumento de 11 casos em comparação com o período homólogo de há dois anos, e muitos deles estão relacionados com droga via pacotes postais. “A pandemia está a afectar bastante a economia. No passado, muitos estudantes universitários trabalhavam em part-time nos seus tempos livres, mas, como agora o mercado laboral está instável, as oportunidades de emprego em part-time para os universitários diminuíram significativamente, portanto, alguns malfeitores aproveitam a oportunidade para seduzir, com dinheiro, adolescentes e estudantes universitários a receberem pacotes com droga, situação que não se pode menosprezar”, considerou a deputada, igualmente enfermeira-especialista do Hospital Kiang Wu.

Wong Kit Cheng lembra ainda que, de acordo com os dados do Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau, divulgados no final do ano pelo Instituto de Acção Social (IAS), no primeiro semestre de 2021, o número de pessoas registadas reduziu entre 10 e 20% em termos anuais, totalizando 92 pessoas, o número mais baixo destes últimos anos. “Contudo, é de notar que o consumo oculto de droga continua, mesmo sob o impacto da pandemia, e tendo em conta a legalização de drogas como a marijuana em certos países, alguns jovens deixam de ser cautelosos em relação a esta droga. Por exemplo, nos casos mencionados, os suspeitos confessaram o consumo de marijuana em casa, portanto, esta situação mostra que se os conceitos dos jovens não forem corrigidos atempadamente, as repercussões, para toda a sua vida, vão ser, possivelmente, irreversíveis”.

Segundo o mesmo registo, há, actualmente, nove toxicodependentes com idade igual ou inferior a 21 anos que, na sua maioria, consomem marijuana, “o que reflecte que alguns adolescentes têm um conceito errado sobre a droga”, notou a parlamentar. “As autoridades devem reforçar a respectiva divulgação, para evitar que os adolescentes caiam na armadilha da droga devido à falta de conhecimentos”, apontou.

Para a deputada, as autoridades devem reforçar os seus trabalhos para combater a prática de crime narcótico. Para isso, sugere Wong Kit Cheng, “devem ainda colaborar com os sectores da aviação e da logística, com vista a evitar a entrada de pacotes com droga na comunidade”. As autoridades devem ainda “reforçar a colaboração com as associações, escolas, etc., para fazer face e impedir o consumo oculto de droga”.

 

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