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      Sector dos livros de fotografia está em expansão na China

      Essa é uma das grandes conclusões de um estudo da autoria Jorge Arévalo Rodríguez, tornado público pela Representação Económica e Comercial de Espanha em Xangai. O autor considera ainda que é um “mercado com muito potencial e oportunidades, mas é um mercado complicado de entrar”.

       

      Um estudo, recentemente publicado pela Representação Económica e Comercial de Espanha em Xangai, da autoria de Jorge Arévalo Rodríguez, revela que o mercado livreiro da fotografia está “em franca expansão” na China, com uma taxa de crescimento anual de novos títulos de até 30%. “Cidades como Xangai ou Pequim assistiram ao aparecimento de feiras, festivais e locais especializados que captam as tendências culturais internacionais”, escreve o autor.

      Dados para este nicho são, no entanto, limitados. Contudo, algumas posições relacionadas com produtos editoriais e objectos de arte, indicam tendências significativas.

      O livro de fotografia, ou livro fotográfico, é uma área de nicho de consumo relacionada com a indústria de bens culturais. Estabeleceu-se como um dos meios mais reconhecidos internacionalmente para comunicar e dar visibilidade às obras dos autores entre a comunidade fotográfica. “A configuração do sector corresponde a um ambiente altamente especializado, onde as publicações são o resultado de uma colaboração multidisciplinar entre fotógrafos e profissionais dos sectores editorial e gráfico, pré-impressão, fotomecânica, impressão, entre outros”, explica Jorge Arévalo Rodríguez, aludindo às características do mercado chinês.

      Muitos dos livros são edições de autor, comercializados em tiragens limitadas, cujos custos de produção são superiores aos de outros livros comerciais, e através de canais de distribuição exclusivos. “O seu duplo estatuto, que permite a sua inclusão tanto na categoria de livros como na categoria de obras de arte, torna a sua classificação difícil e exige uma abordagem ampla”, sugere o autor.

      A China é um dos maiores mercados editoriais do mundo, com um valor de 120 mil milhões de patacas, só perdendo apenas para os Estados Unidos da América, revelam dados divulgados pelo The Economist em 2021. “É um mercado com muito potencial e oportunidades, mas é um mercado complicado de entrar”, disse o autor ao PONTO FINAL, numa breve declaração, acrescentando que o mercado de Macau, “de forma específica, não foi considerado”.

      Jorge Arévalo Rodríguez descobriu que o segmento editorial temático, que poderia incluir os livros de fotografia, “ascende a cinco mil milhões de patacas e, nos últimos anos, as categorias de cultura e ciências sociais mostram uma taxa de crescimento anual de novos títulos até 30 %”, conforme as perspectivas editoriais contidas no relatório da Feira do Livro de Frankfurt no ano passado.

      Em qualquer dos casos, assume o estudo, “deve ter-se em conta que os dados dão uma visão limitada, uma vez que alguns dos distribuidores regionais mais relevantes estão em Hong Kong e são responsáveis por trazer produtos para a China continental através da reimportação”.

      Outro aspecto que o autor aborda e considera importante é que grande parte do mercado “é secundário, onde os preços de alguns títulos de referência são consideravelmente mais elevados, uma vez que são considerados artigos de colecção”.

       

      Editoras estatais dominam

       

      Contrariamente ao que sucede no panorama internacional, onde o número total de editoras dedicadas ou parcialmente dedicadas à fotografia é de 485, diz o estudo que, na China, o sector “tem as suas próprias particularidades, uma vez que existe uma clara diferenciação entre grupos editoriais estatais e privados”. O autor recorda que apenas os editores estatais podem adquirir ISBN, por isso, acrescenta, “os editores privados são obrigados a colaborar com eles por forma a puderem publicar”.

      Dentro das editoras estatais existe também outra divisão: as editoras centrais, que são directamente controladas pelo Governo, e as editoras provinciais, que estão localizadas nas diferentes regiões administrativas e capitais de província. Existem livros de fotografia publicados pela China Photographic Publishing House, Shanghai Culture Publishing House, Zheijiang Photographic Publishing House e Guangdong Lingnan Fine Arts Publishing House.

      Contudo, refere o estudo, em geral, “as editoras estatais têm pouca iniciativa de criar livros ilustrados para adultos, são os editores privados e outros actores individuais, através de canais informais, que estão mais interessados em desenvolver conteúdos em linha com outras tendências contemporâneas”.

      Ao mesmo tempo, as principais editoras de livros de arte, fotografia, arquitectura, design e estilo de vida como a Taschen, a Thames & Hudson, a teNeues, a Rizzoli, a Hantje Cantz, a Flammarion, a Charta, a Prestel, a Phaidon ou a Skira estão no mercado chinês através da secção de títulos estrangeiros das livrarias. “Nestas livrarias, tais produtos não são a oferta principal e, dada a sua baixa rotatividade, têm um catálogo menos actualizado”, constata Jorge Arévalo Rodríguez.

      Há ainda editoras que estão mais concentradas no estudo da fotografia, nas lojas de museus de arte, nos centros de fotografia e outros espaços similares. Editoras independentes, refere o estudo espanhol, “encontram normalmente o seu lugar em feiras de livros de arte e livrarias especializadas”.

       

       

       

       

       

      Pelo seu crescimento económico, social e urbanístico, o estudo considera o mercado chinês oportuno, uma vez que esse crescimento “gera um enorme potencial de dinamização dos produtos culturais”.

      Xangai, por exemplo, ficou em terceiro lugar no mundo em termos de número total de galerias de arte, atrás apenas de Nova Iorque e Paris, e à frente de Tóquio ou Londres. Os principais eventos culturais da maior cidade chinesa incluem a Bienal de Xangai, a mais influente bienal de arte contemporânea internacional da China, e uma das mais importantes da Ásia. De notar também a Photofairs, a principal feira de fotografia da China, realizada anualmente no Centro de Exposições de Xangai.

      Já na capital Pequim, o famoso Distrito de Arte 798, também conhecido como Dashanzi, alberga actualmente mais de 500 estúdios de arte, galerias, instituições e estabelecimentos culturais de 25 países e regiões, incluindo a 798 Photo Gallery, o Ullens Center for Contemporary Art (UCCA) e o Inter Art Center. Nas proximidades encontra-se o Three Shadows Photography Art Center, o centro de fotografia mais antigo da China, que tem a sua própria livraria e biblioteca.

      Por fim, cidades como Cantão e Chengdu têm iniciativas relevantes, impulsionadas por espaços como o Museu de Arte de Guangdong e o Museu da Imagem Contemporânea de Chengdu. As feiras do livro de arte também estão a começar a florir em cidades como Wuhan, Xi’na ou Hangzhou.

      O estudo conclui que “embora o controlo político ainda prevaleça, tanto em Xangai como noutros locais do país, os residentes da classe média das grandes cidades estão cada vez menos satisfeitos com bens e serviços homogeneizados, e valorizam a identidade subcultural, a individualidade e a diversidade”. As restrições de mobilidade devido à pandemia de Covid-19, que reduziram as viagens ao estrangeiro, refere ainda o estudo, “favorecem o consumo de produtos culturais no mercado interno”.

       

      Alguns problemas na distribuição

       

      A distribuição é um dos aspectos críticos que determinam as hipóteses de sucesso no mercado, refere Jorge Arévalo Rodríguez. Por isso, adianta, “as empresas optam frequentemente por uma estratégia multi-canal que lhes permite tirar partido de várias oportunidades”. “A distribuição online é uma tendência cada vez mais relevante e as vendas neste canal estão principalmente divididas em plataformas online e meios de comunicação social. As plataformas online incluem o canal de venda directa, através da própria loja online do website, e o canal de venda indirecta, através de um mercado, e os líderes de quota de mercado são Taobao, Dangdang e JD.”

      A Amazon parou, em Maio de 2019, parte do seu comércio electrónico, incluindo a venda de livros. Na China, as redes sociais são um canal indispensável para a promoção e venda, e actuam como um meio através do qual se liga a grupos de conversação, realiza análises de consumidores, promove autores, e assim por diante. A aplicação de mensagens e redes sociais Wechat é uma das mais populares. O Weibo é outra via através da qual os editores alcançam as comunidades e os influenciadores.

      A distribuição tradicional caracteriza-se pela existência de livrarias para títulos estrangeiros e espaços especializados, localizadas em cidades como Shanghai, Pequim, Chengdu ou Ningbo. Os preços nas livrarias variam de 400 yuan a 800 yuan. Nos pontos de venda especializados, refere o autor, “há uma maior diversidade”, variando os preços entre 200 yuan e 2.200 yuan, uma vez que estão disponíveis vários formatos, edições especiais e tiragens mais pequenas. Existem ainda locais especializados de publicação, exposição e venda, tais como a Jiazazhi Press.

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      Jorge Arévalo Rodríguez constatou ainda que não há taxas específicas para este tipo de mercadorias. No entanto, naturalmente, a importação é controlada pelo governo por razões ideológicas. “Além disso, as vendas de livros sem ISBN são ilegais, e o procedimento que obriga as empresas privadas a comprá-los a editores públicos actua como uma forma de censura. Isto condiciona o livre acesso à informação sobre questões políticas e outras consideradas sensíveis pelo governo. Como resultado, a censura é um grande constrangimento à circulação da arte devido aos rigorosos padrões culturais e morais impostos pelo governo chinês”, notou o estudo.

      O autor recomenda ainda que, no que concerne a direitos de autor sobre as obras fotográficas e os direitos de autor sobre a edição publicada coexistem simultaneamente, é recomendável “que sejam estipuladas cláusulas nos contratos para delimitar e proteger os interesses das partes envolvidas”.

      Jorge Arévalo Rodríguez, para além de fotógrafo, tem dupla licenciatura pela Universidade Carlos III de Madrid em Direito e Gestão de Empresas e ainda um MBA em Gestão Internacional.

      A Representação Económica e Comercial de Espanha em Xangai é um órgão estatal espanhol especializado em ajudar à internacionalização da economia espanhola e ajudar empresas e empresários na China.

       

       

      PONTO FINAL