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      InícioSociedade ‘Junkets’ foram alvo de “operação de limpeza”

       ‘Junkets’ foram alvo de “operação de limpeza”

      Levo Chan, director da Tak Chun, e Billy Choi, director da empresa Ying Hai, foram ontem detidos pela Polícia Judiciária por suspeita de operações de jogo ilegais e branqueamento de capitais, um caso que estará conexo à detenção e prisão preventiva do antigo director do grupo Suncity, Alvin Chau. Ben Lee, analista da consultora de jogo IGamiX, está convencido que “será extremamente difícil” para as empresas de ‘junkets’ continuarem a exercer actividades no território e para Macau voltar a ser como era antes. O advogado Sérgio de Almeida Correia considera que é importante as autoridades limparem todas as irregularidades e más práticas que permaneciam ao longo do tempo na cidade, em conformidade com o mecanismo de ordenamento jurídico. Já o académico Glenn McCartney mantém uma atitude “optimista” para o futuro da indústria de jogo em Macau.

       

      A detenção do director da Tak Chun, Levo Chan, e do líder da empresa Ying Hai, Billy Choi, no âmbito de um caso de exploração ilícita do jogo e branqueamento de capitais, foi ontem divulgado pelas autoridades policiais. Ao PONTO FINAL, o analista da consultora de jogo IGamiX, Ben Lee, admitiu que o sucedido “reforçou a hipótese de que as ‘práticas antigas’ de fazer negócios [do sector de jogo] em Macau vão deixar de fazer parte da indústria do jogo no futuro”.

      Além disso, o especialista do jogo frisou que é surpreendente a existência de empresas de ‘junkets’ a quem foram concedidas licenças considerando a “ilegitimidade dos acontecimentos recentes”. “A Tak Chun é geralmente considerada a segunda maior empresa de ‘junkets’ de Macau, depois da Suncity. Depois deste incidente, será extremamente difícil ver a continuação do negócio de qualquer outra empresa de ‘junkets’ no território”, salientou Ben Lee.

      Ao ser questionado sobre a influência na economia do território e o futuro após este episódio, o consultor de jogo alertou que Macau futuramente só “poderá depender e contar com o mercado de massas”. “Significa essencialmente que a cidade necessitará de muito mais visitantes para chegar perto de metade da receita bruta do jogo que vimos em 2019,” sublinhando que se traduzirá num impacto nas receitas públicas da RAEM.

      No entanto, Sérgio de Almeida Correia tem uma perspectiva diferente, considerando que a detenção de mais um promotor “não vai ter qualquer impacto para a economia de Macau”, “nem qualquer influência nas alterações que serão introduzidas na lei do jogo pela proposta do Governo”.

      “Trata-se apenas de mais uma detenção, resultado da continuação do trabalho anteriormente iniciado pelas autoridades locais, em articulação com as políticas do Governo Central, no sentido de corrigir as disfunções e más práticas de muitas décadas, limpando o jogo ilegal, dentro e fora dos casinos, controlando a lavagem de dinheiro, os movimentos ilegais de capitais transfronteiriços, bem como as actividades paralelas que floresceram paredes-meias com a corrupção. Mas também com o desleixo, os abusos e a complacência da elite política e empresarial e a ineficiência das entidades de supervisão do jogo e dos fluxos do capital”, referiu o advogado ao PONTO FINAL.

      Para Sérgio de Almeida Correia, as acções das autoridades são “apenas a limpeza do submundo e o afastamento de alguns elementos que contribuíram para todo um conjunto de práticas perniciosas”, assinalando que as actividades que estas empresas de ‘junkets’ têm exercido “penetraram e influenciaram os lucros de meia dúzia de indivíduos, das respectivas famílias e das concessionárias”.

      O advogado lamenta apenas que as irregularidades e “más práticas” só agora tenham sido detectadas, realçando a importância desta “operação de limpeza” e que se conclua antes do próximo concurso das licenças de jogo, para assegurar que a cidade tenha uma vida “normal, saudável, transparente e limpa”, e que as pessoas possam “voltar a ter confiança para poderem trabalhar em paz e contribuírem para o desenvolvimento de Macau e da China”.

      Sérgio de Almeida Correia frisou ainda que é essencial respeitar o Estado de Direito e que as acções das autoridades devem ser feitas “com rapidez”, “respeitando os direitos dos arguidos e não apenas as formalidades da lei, mas também o direito substantivo, sem que se cometam atropelos à legalidade, sem interpretações abusivas, sem que a propaganda e a vontade de agradar ao poder político se sobreponham à lei e à justiça”.

      Face à crise emergente no sector de jogo, Glenn James McCartney, professor de Gestão Integrada do Turismo e Hotelaria da Universidade de Macau, admitiu que a situação é recorrente, recordando o caso de Alvin Chau. No entanto, mostra-se optimista em relação à indústria do jogo no território, referindo que “a trajectória do desenvolvimento futuro de Macau está bem estabelecida, juntamente com a realidade física da Cotai ‘Strip’, os projectos de hotelaria integrada e a vizinha ilha de Hengqin”, realçando a existência dos sinais positivos com todas as infraestruturas em curso.

       

       

      PONTO FINAL