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      InícioSociedadeMais de três mil disseram adeus às corridas de cavalos

      Mais de três mil disseram adeus às corridas de cavalos

      As corridas de cavalos de Macau passaram à história após mais de quatro décadas de actividades. Mais de três mil residentes, turistas e entusiastas assistiram ao último dia das corridas, sendo que o montante total de apostas para as 14 corridas atingiu 5,46 milhões de patacas. A Macau Jockey Club afirmou que as corridas de Macau concluíram a sua “missão histórica” e agradeceu o apoio do público.

       

      O hipódromo de Macau acolheu no passado sábado as suas últimas corridas de cavalos e fechou as portas de forma definitiva, pondo fim a uma tradição de mais de 40 anos. Muitos residentes, fãs de corridas e até turistas aproveitaram a ocasião para testemunhar o último dia das corridas no território. Com bancadas quase cheias, o espaço da Macau Jockey Club albergou no sábado mais de três mil espectadores, dos quais mais de 700 eram membros do clube.

      Um total de 14 corridas estavam programadas para esse último dia, com a primeira corrida a começar às 12h30 e a última às 19h05. O montante total das apostas para as 14 corridas, segundo o Jornal Ou Mun, foi superior a 5,46 milhões de patacas.

      Nesse dia, à medida que se aproximava o final de tarde, cada vez mais pessoas deslocaram-se para assistir às corridas e formou-se uma fila à porta do hipódromo para visita à pista. Os espectadores agarraram a oportunidade para tirarem fotografias e registar os últimos momentos da corrida, muitos decidiram apostar nas corridas em Macau como primeira e última vez. Com uma corrida a cada meia hora, os entusiastas, com os papéis de apostas na mão, gritaram e aplaudiram o cavalo no qual apostaram.

      O encerramento da Jockey Club surgiu na sequência da rescisão do contrato entre a empresa e o Governo, que foi anunciado ao público em Janeiro deste ano. A decisão surgiu a pedido da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau, que a justificou com desafios operacionais como parte dos motivos do encerramento, indicando também que as corridas de cavalos não satisfazem as necessidades de desenvolvimento da sociedade actual.

      As corridas de cavalos do território atravessaram dificuldades económicas nos últimos anos e não recuperaram dos impactos da pandemia de covid-19, tendo a empresa acumulado perdas operacionais de mais de 2,5 mil milhões de patacas, desde a sua exploração iniciada em 1991.

      Recorde-se que o Executivo, em Fevereiro de 2018, anunciou a prorrogação do contrato de franquia com a Macau Jockey Club relativa às corridas de cavalos por um período de 24 anos e meio, até 31 de Agosto de 2042. Como já tinha sido anunciado, a Macau Jockey Club terá falhado em cumprir a maioria das promessas constadas na prorrogação de contrato de franquia, incluindo um investimento de 1,5 mil milhões de patacas por ano para desenvolver elementos de lazer, entretenimento e desporto, bem como 12 projectos de construção, como um parque temático e uma escola equestre, dois hotéis e um campo de ténis até 2026.

      Na vizinha Hong Kong, as corridas de cavalos continuam populares e lucrativas, com o seu clube a organizar diversas actividades de jogos de sorte, sendo o principal doador de muitas obras de caridade da cidade.

       

      “MISSÃO HISTÓRICA”

       

      Numa nota de imprensa publicada no seu portal online, a Macau Jockey Club assinalou que as corridas de cavalos de Macau “concluem com sucesso a sua missão histórica” e “fechou as cortinas do seu palco”. Na ocasião, a empresa dirigiu o agradecimento ao Governo, aos cidadãos de Macau, aos entusiastas das corridas de cavalos, aos proprietários de cavalos, aos seus membros e aos parceiros de negócios pelo “apoio inabalável ao longo dos anos”.

      “Gostaríamos também de dar reconhecimento da dedicação e o trabalho árduo dos nossos colegas que contribuíram para o nosso sucesso. Ao despedirmo-nos, apreciamos as memórias criadas e os marcos alcançados durante o nosso percurso”, destacou. A Macau Jockey Club disse ainda que deseja “à RAEM e à Pátria uma prosperidade contínua”.

      O terreno do hipódromo e as respectivas instalações foram revertidos ontem, a título gratuito, para a RAEM. Nos termos do acordo de rescisão, a empresa de corridas de cavalos comprometeu-se a providenciar o transporte dos cavalos dos proprietários para outros locais até Março de 2025 e a tratar os funcionários da empresa de acordo com a lei, disse o Governo.

      O problema de tratamento dos cavalos motivou recentemente queixas por parte dos seus proprietários. Um grupo de cem donos de cavalos pediram indemnização à Jockey Club por causa do fim das corridas, mas o mesmo foi recusado, e enviaram entretanto cartas ao Executivo para solicitar uma intervenção.

      A empresa garantiu ter mantido a comunicação com os proprietários de cavalos e revelou ao canal chinês da Rádio Macau que recebeu pedidos de proprietários de cavalos para que estes se reformem e os tratem adequadamente. Ben To, director de Operações da Jockey Club, disse esperar que todos os donos de cavalos possam informar o clube a sua decisão final sobre o futuro dos seus cavalos antes do final de Maio, indicando que, para os cavalos reformados, “é muito provável que sejam transportados para o interior da China”.