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      InícioSociedadeTribunal condena gestores de empresa de esquema de pirâmide sediada em Macau

      Tribunal condena gestores de empresa de esquema de pirâmide sediada em Macau

      Audiência Nacional de Espanha decreta pena de 10 anos de prisão a Tiago Fontoura, considerado o rosto da empresa GetEasy, e condena ainda o líder da Igreja Católica Ortodoxa de Portugal e outros dirigentes por uma fraude que terá vitimado mais de seis mil pessoas e causado um rombo de mais de 282 milhões de patacas. Alguns dos condenados já apresentaram recurso no Supremo Tribunal.

       

      De acordo com a sentença proferida pela Audiência Nacional de Espanha, avançada pela imprensa espanhola e citada ontem pela Macau News Agency (MNA), gestores da empresa GetEasy, com sede fiscal em Macau, foram condenados num processo relacionado com um dos maiores esquemas de pirâmide do mundo dos últimos dez anos.

      Segundo as autoridades espanholas, revela a MNA, milhares de pessoas investiram mais de 282 milhões de patacas em falsos negócios de compra de aparelhos GPS. Para justificar actividades, a empresa prometia retornos garantidos aos participantes, que deviam fazer um pagamento inicial mínimo de cerca de 3.300 patacas e recrutar novos membros para a “pirâmide”.

      O administrador executivo da GetEasy era Tiago Fontoura e recebeu uma pena de prisão de até 10 anos e meio, avançou a imprensa espanhola. António Lóios foi condenado a três anos e seis meses depois de reconhecer os factos e colaborar com a justiça. Os dois empresários espanhóis, que também conheceram os factos e colaboraram, foram condenados a penas de três anos e nove meses de prisão cada um, para além de uma multa de cerca de 17 milhões de patacas. Os restantes líderes da empresa foram condenados a penas de até três meses e Mário Manuel Lopes Ribeiro, líder da Igreja Católica Ortodoxa de Portugal, foi condenado a dois anos de prisão pelo crime de branqueamento de capitais.

      A decisão da Audiência Nacional, que não é definitiva e foi objecto de recurso por parte de alguns dos condenados no Supremo Tribunal, também obriga os cabecilhas da organização criminosa e os dois empresários espanhóis a devolverem as mais de 282 milhões de patacas aos enganados.

      Recorde-se que em Novembro de 2014, o Banco de Portugal emitiu um aviso às empresas GetEasy Limited (com sede em Macau) e GetEasy Ltd. (com sede em Portugal) pelo facto de “não estarem autorizadas a exercer a actividade de recebimento de depósitos ou outros fundos reembolsáveis ​​(ou qualquer outra actividade financeira sujeita à supervisão do Banco de Portugal)”. Nessa altura, o banco central português sinalizou seis pessoas, entre elas, Tiago Fontoura, Edgar Fontoura, António Lóios e Pedro Mira Godinho.

      O tribunal espanhol estima que os afectados sejam mais de seis mil pessoas em várias dezenas de países, mas a polícia espanhola acredita – e defendeu-o em julgamento – que mais de 10 mil pessoas em 33 países tenham sido afectadas pelo esquema de pirâmide, uma vez que o GetEasy não nasceu em Espanha e tampouco apareceu pela primeira vez em 2014.

      Os juízes acreditam que este golpe da pirâmide é herdeiro de outro muito semelhante investigado pelos tribunais brasileiros, denominado BBOM, que foi primeiro transferido para Portugal e depois para a Espanha, França e, por fim, Tunísia.

      O alarme disparou em Espanha quando o Caixabank denunciou o inusitado fluxo de milhões numa das contas, sem que os seus titulares pudessem provar que a origem do dinheiro era legal. A operação da Guarda Civil espanhola, liderada pelo juiz José de la Mata e realizada em coordenação com a Europol, foi baptizada como ‘Bateo’ e resultou no total de duas dezenas de detenções em Julho de 2016.

      A GetEasy Limited começou a operar a 9 de Setembro de 2013 na AIA Tower e, posteriormente, mudou-se para a Avenida da Praia Grande. No registo da empresa estão identificados quatro sócios – Pedro Mira Godinho, Tiago Foutoura, Edgar Foutoura e António Lóios. Em 14 meses, a companhia – que se dedicou a negócios em regime de comodato – expandiu-se para 137 países e tem cerca de 60 mil membros que recebem dividendos depois de investirem na GetEasy. Alguns alegaram ter obtido, na altura, montantes na ordem das 50 mil patacas por mês. A imprensa francesa chegou a avançar que cerca de 300 mil pessoas podem ter sido prejudicadas pelo esquema em todo o mundo.

      O PONTO FINAL já havia dado conta de uma investigação a decorrer em Macau, em 2014, depois de o Gabinete de Informação Financeira ter apresentado queixa junto do Ministério Público por suspeita relativa a branqueamento de capitais por parte da GetEasy Limited.

       

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau