A primeira edição da conferência “Portugal-China Scientific Research Cooperation” realiza-se entre ontem e hoje. O evento começou de forma presencial em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau. As sessões de hoje acontecem através da internet em Macau entre as 17h e as 20h locais.
Ao PONTO FINAL, David Gonçalves, presidente da Associação em Macau para a Cooperação Científica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (ASCMAC) e Director do Instituto de Ciências e Ambiente da Universidade de São José (USJ), assinalou que o evento, coorganizado pela Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS) em Lisboa e a ASCMAC, tem o objectivo de “destacar as cooperações em investigação científica que têm vindo a decorrer entre Portugal e a China” e “discutir ideias para continuar a promover essa cooperação e identificar as áreas de maior relevância”.
Esta conferência pretende abordar a cooperação dentro de diferentes domínios científicos entre Portugal e a China, apresentando quatro painéis temáticos, designadamente sobre química, novos materiais e nanotecnologia; ciências da educação; ciências marinhas e economia azul; e ciências médicas. O académico salientou que os temas escolhidos assentam não só nos “projectos que têm acontecido entre Portugal e a China”, mas também devido às “redes que as associações organizadoras da conferência têm estabelecidas”, portanto, “não são necessariamente as únicas áreas de cooperação científica relevantes” entre os dois países.
O director do Instituto de Ciências e Ambiente da USJ expressou esperança de que a organização deste evento possa servir como uma plataforma de partilha de conhecimentos e experiências: “Por um lado, queremos dar mais visibilidade aos projectos actuais que têm obtido resultados positivos ao público e a outros investigadores, criando um cenário para nos orientar rumo a um caminho de sucesso. Por outro lado, a troca de experiências ajuda a promover e diversificar a cooperação e a encontrar caminhos para, conjuntamente, procurar uma maneira mais efectiva de ultrapassar os desafios enfrentados”.
O professor afirmou que estamos numa “boa fase” relativamente à cooperação científica e disse acreditar que “o futuro pela frente é brilhante”: “Se olharmos os indicadores científicos, é evidente que a cooperação entre Portugal e a China está em expansão, como indicado pelo crescente número de trabalhos de pesquisa de coautoria publicados entre os dois países, e a melhorar também qualitativamente”. Porém, o académico acredita que ainda há margem para fazer mais no futuro do que tem vindo a ser feito.
O responsável da organização do evento frisou ainda a importância do papel de Macau nesta relação cooperativa: “Não só Macau pode ter um papel importante como mediador nas cooperações científicas entre a China e os países de língua portuguesa, mas também pode ser, e inclusive já é, um participante activo. Essa cooperação pode também contribuir para diversificar a economia do território e observamos que a investigação científica tem vindo a desenvolver-se a um ritmo acelerado”.
Recorde-se que, em 2017, um memorando de entendimento foi assinado entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) de Portugal e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) de Macau. O cientista refere que esta linha de apoio possibilita o desenvolvimento de projectos financiados no âmbito da cooperação bilateral entre Portugal e Macau.











