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      InícioPolíticaEconomista acusa Governo de falta de bom senso  

      Economista acusa Governo de falta de bom senso  

      Gonçalo Lobo Pinheiro

      O português Albano Martins acredita que o Executivo liderado por Ho Iat Seng deverá arrecadar 80 mil milhões de patacas em receitas de jogo no próximo ano e não 130 mil milhões como previsto e anunciado nas Linhas de Acção Governativa (LAG).

       

      O Chefe do Executivo previu na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2022 que as receitas oriundas do jogo sejam de 130 mil milhões de patacas, tal como havia anunciado para este ano. O economista Albano Martins acha pouco sensata uma previsão desta ordem. Ao PONTO FINAL, disse mesmo que as receitas do jogo serão ligeiramente menores que as de este ano, na ordem das 80 mil milhões de patacas.

      “Aquando da discussão das LAG para 2022, seria importante que o Governo estimasse as receitas do jogo de 2021 que, na minha opinião, não deverão ultrapassar os 83 mil milhões de patacas. Valor que deverá estar muito próximo dos valores do jogo para 2022 que prevejo sejam de 80 mil milhões”, afirmou, apontando o dedo ao Executivo por estar a mostrar “alguma falta de bom senso” nas previsões.

      Se as contas de Ho Iat Seng estiverem correctas, ao arrecadar receitas brutas na ordem das 130 mil milhões de patacas, o Governo terá de ver a percentagem habitual ser aplicada, o que significa que, na verdade, chegarão aos cofres públicos 50,7 mil milhões de patacas. As contas de Albano Martins vão mais longe. “Ora, como o orçamento é de 100,1 mil milhões de patacas e como espera o Governo recorrer à reserva financeira em cerca de 33,3 mil milhões, fácil é concluir que terão de conseguir gerar os restantes 66,8 mil milhões”.

      O economista português, apesar do discurso esperançoso de Ho Iat Seng, não compreende como é que em apenas metade de um ano de consegue gerar, em média, 10,83 mil milhões de patacas por mês em receitas. “É um contrasenso. Podia-se estimar por baixo o primeiro semestre e depois ser-se um pouco mais optimista para o segundo. Na prática, o défice será bem maior e só pode ser pago pela reserva, pois não será possível numa economia fechada, hostil à unica indústria de facto desta terra, e sem luz ao fim do túnel da política de zero casos”, explicou ao PONTO FINAL.

      O Governo poderá assim vir a gerar apenas para os cofres públicos 31,2 mil milhões de impostos sobre o jogo, o que significa que vai ter de arranjar 68,9 mil milhões para equilibrar as contas, refere ainda Albano Martins. “Como as receitas ‘normais’ de outros impostos e taxas não deverão estar muito longe de 14 mil milhões, isto significa que o Governo em vez de ter de recorrer à reserva financeira em apenas 33,3 mil milhões, como anunciou, vai ter de ir buscar 54,9 mil milhões para equilibrar as contas”, nota o economista que, uma vez mais, pede prudência no exercício orçamental.

       

      Fotografia sem enquadramento

      Albano Martins fala mesmo em Macau “ficar mal na fotografia”, uma vez que, acredita, serão apresentados diversos orçamentos rectificativos ao longo do ano. “Como dizia o secretário para a Economia e Finanças, pretende-se evitar o esbanjamento de recursos públicos, mas é prudente que se saiba o mais exactamente possível qual vai ser a factura a pagar pela reserva financeira do Governo. O Governo, que quer um sistema financeiro moderno e forte, porque não recorrer a ele em vez de usar o baú público?”, deixa a questão no ar.

      Albano Martins sugere um cenário pessimista e muito complicado para o lado do Governo. Sem grandes medidas de combate à situação complicada em que se encontra a economia, afirma o economista, “o Governo pode vir inclusivamente a ter de arranjar ainda mais financiamento se a economia se afundar mais. E isso arrasta ainda mais políticas de apoio ao consumo e às PME, aumentando a necessidade de financiamento do déficit”. “Quando se está num ciclo perigoso de contracção económica, e em deflação ou muito próximo dela, o Governo deve dar um sinal positivo à comunidade empresarial, investindo ou lançando políticas de apoio aos operadores e comunidade”, sugere.

      Para o português, “contrair o orçamento público é passar a mensagem de que o futuro estará pior”. “Não são muito positivas as notícias de que os níveis de devolução do imposto profissional vão baixar para 14 mil patacas e as empresas vão deixar de ter uma dedução à colecta de 300 mil patacas”, aponta, referindo que o Governo “ainda está a tempo de ter uma política económica mais positiva”.

       

      PONTO FINAL

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau