Joana Chantre
Hoje, ao fim da tarde, vai realizar-se a primeira de quatro sessões englobadas num seminário estruturado à volta do novo livro da investigadora portuguesa Maria do Carmo Piçarra, “Azuis Ultramarinos”, que fala do papel da propaganda e censura através do cinema de Portugal e das ex-colónias, no âmbito dos movimentos de libertação que daí emergiram.
“Azuis Ultramarinos. Re-imaginar o império pela análise das projecções (anti-)coloniais no cinema” é o título do novo livro de Maria do Carmo Piçarra, investigadora do Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA), em Portugal, e a base para o seminário organizado pela Fundação Oriente e pelo Centro de Investigação para os Estudos Luso-Asiáticos (CIELA) da Universidade de Macau. O seminário começa hoje às 18h30, no auditório da Fundação Oriente. A entrada é livre e a autora do livro vai estar presente através da Plataforma Zoom, a partir de Portugal.
Este seminário tem por base a obra de Maria do Carmo Piçarra e vai ser estruturado em quatro sessões de duas horas cada. O objectivo, segundo a organização, é mostrar um olhar alternativo ao da propaganda sobre as ex-colónias portuguesas em obras de autor do Cinema Novo que foram censuradas e proibidas.
Vão ser abordados também os usos do cinema durante as lutas de libertação e particularizará os casos de Goa, Macau e Timor, considerando também a emergência de projectos de cinema nacional em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. Por fim, fará uma breve panorâmica sobre as cinematografias actuais nos países africanos de língua oficial portuguesa, com particular atenção aos casos orientais.
Mário Pinharanda Nunes, director do CIELA e professor de português na Universidade de Macau, explica ao PONTO FINAL que a autora do livro em análise vai apresentar projecções do cinema do Estado Novo sobre as colónias portuguesas, sendo que a última das sessões vai focar-se na propaganda relativamente a Macau e a Timor. O foco será o cinema na óptica da “propaganda como arma de divulgação e controlo”, nota Mário Pinharanda Nunes.
Segundo o docente universitário, Maria do Carmo Piçarra “tem vindo a fazer um trabalho valioso no sentido de recorrer às imagens que estavam na Cinemateca Portuguesa e trabalhá-las sob esta perspectiva que está um pouco na moda, dos estudos pós-coloniais, de olhar as coisas já de uma perspectiva pós-acontecimento”.
Relativamente a como a ideia deste evento surgiu, o director do CIELA responde que foi um pouco por acaso, como uma das actividades que o centro procura desenvolver para os seus alunos do departamento de português. “Nos últimos três anos desde que eu comecei a trabalhar com o centro, é a primeira vez que fazemos algo deste género, ou seja, em que uma investigadora apresenta a sua análise, neste caso do cinema feito durante o Estado Novo e com o objectivo da propaganda. Mas o centro já existe há 30 anos dentro do nosso departamento, e tem sempre funcionado para promover actividades junto dos alunos”, sublinha.
PONTO FINAL












