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      Amostras da missão lunar Chang’e-5 devem chegar a Macau nas próximas semanas

      Foram atribuídas a duas equipas de investigação do Laboratório Estatal de Ciências Lunares e Planetárias da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau duas amostras de rocha lunar recolhidas pela missão chinesa Chang’e-5. As amostras atribuídas à MUST são de solo lunar e de cascalho. Devem chegar ao território durante as próximas três semanas.

       

      Gonçalo Lobo Pinheiro

       

      O Laboratório Estatal de Ciências Lunares e Planetárias da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) receberá, muito breve, duas amostras lunares recolhidas pela missão chinesa Chang’e-5.

      O professor Zhang KeKe, director do laboratório, lidera uma equipa que se inscreveu para receber parte das amostras. Após um período de avaliação, no passado dia 8 de Outubro, um total de 17 instituições de investigação científica receberam a aprovação de Pequim para analisar, separadamente, um total de 17.936 gramas de material lunar. O laboratório da MUST é a única instituição não continental seleccionada.

      No final do ano passado, a missão chinesa recolheu 1.731 gramas de amostras de rochas lunares trazendo-as para a Terra. As amostras forneceram dados científicos importantes como, por exemplo, o período de actividade do magma lunar e as limitações do fluxo de impacto do sistema solar interno, entre outras questões. No total, a equipa analisou 47 fragmentos de rocha diferentes extraídos dos materiais de amostra. Uma parte, veio para Macau. As amostras atribuídas à MUST são de solo lunar – com o peso de 100 mg e catalogada com o n.º CE5C0400, atribuída a uma equipa liderada pelo investigador Zhu Menghua – e de cascalho – com o peso de 17,3 mg e catalogada com o n.º CE5Z0403YJYX012, que será analisada por cientistas orientados por Li Shaolin.

      O PONTO FINAL tentou o contacto com os dois investigadores da MUST, algo que não foi possível até ao fecho desta edição. Recorde-se que, investigadores do laboratório têm vindo a estar envolvidos nas pesquisas científicas das missões lunares chinesas desde a Chang’e-4, uma missão robótica que pousou no lado não visível da Lua. Posteriormente, a República Popular da China lançou a Chang’e-5, uma missão que tinha como prioridade trazer de volta para o nosso planeta amostras de rocha e poeiras lunares, o que aconteceu, pela primeira vez, em 40 anos.

       

      Actividade geológica longínqua e possível presença de água

       

      Uma parte das amostras lunares trazidas pela missão chinesa já foi, entretanto, analisada pelo Instituto de Geologia e Geofísica (IGG) da Academia Chinesa de Ciências (CAS), e os resultados foram publicados em três artigos na revista Nature, na passada terça-feira.

      Os investigadores chineses dataram as amostras trazidas e a rocha mais jovem tem cerca de dois mil milhões de anos, estendendo o período do vulcanismo lunar 800 a 900 milhões de anos a mais do que era anteriormente conhecido. “A missão Chang’e-5 foi um sucesso e as amostras lunares trouxeram uma nova luz sobre a evolução da Lua”, referiu Li Xianhua, académico da CAS que liderou a equipe de investigação, citado pela agência noticiosa Xinhua.

      O planeta satélite da Terra está há muitos anos sem actividade geológica, sugerem os cientistas chineses. “O magma da Lua solidificou-se e a atividade geológica já cessou. Quando a actividade vulcânica do satélite parou, surgiu um dos principais problemas na sua história evolutiva”, acrescentou Li Qiuli, chefe do laboratório de espectrometria de massa de íons secundários do IGG.

      Usando o método de cronologia conhecido como contagem de crateras, os investigadores inferiram que o Oceanus Procellarum, o local de pouso da missão Chang’e-5, provavelmente foi testemunha de uma das últimas erupções vulcânicas da Lua. Os cientistas poderiam então calibrar os resultados da contagem de crateras com amostras datadas radioisotopicamente.

      Li Qiuli referiu ainda que a equipa de investigação “sempre esteve bem preparada para estudar as amostras lunares apanhadas” e desenvolveu continuamente a tecnologia da sonda de íons na última década, alcançando um nível de especialização aclamado internacionalmente.

      Os investigadores referiram ainda que as amostras recuperadas pela missão Chang’e-5 são de um único fluxo de lava basáltica. “Com um cenário geológico tão simples e claro, as amostras, portanto, fornecem uma boa oportunidade para abordar a questão se o reservatório do manto da Lua há dois mil milhões de anos era húmido ou seco”, explicou ainda outro membro da equipa de investigação Lin Yangting.

      A China anunciou, em Abril deste ano, que pretende lançar a sonda Chang’e-6 para recolher amostras na Bacia do Pólo Sul-Aitken, no lado oculto da lua, em 2024. A missão surge como reforço da missão anterior. São esperadas ainda as missões Chang’e-7 e Chang’e-8 que terão como objetivo construir um protótipo de estação de investigação científica lunar até 2030.