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      Início Sociedade Palhinhas de plástico fora de circulação é uma gota num oceano

      Palhinhas de plástico fora de circulação é uma gota num oceano

      Decisão governamental é aplaudida por activistas ambientais, contudo sabe a pouco. Gilberto Camacho, fundador do grupo Macau ECOnscious, fala em “medida de louvar”, mas alerta que se não houver sustentabilidade, as alternativas podem “aumentar a pressão no corte de árvores”. Já Annie Lao, acérrima lutadora contra o uso de plástico, refere-se à iniciativa governamental como “passos de bebé”, ainda que positiva. “A ideia da proibição serve para reduzir o desperdício na fonte”, constata.

      O Governo da RAEM anunciou, em publicação no Boletim Oficial, que vai proibir a importação e circulação de palhinhas de plástico e agitadores de bebidas não-biodegradáveis e descartáveis. O despacho do Chefe de Executivo, tornado público também pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), entra em vigor no primeiro dia do próximo ano e surge depois de diversas medidas amigas do ambiente como a taxação de sacos de plástico e o controlo da circulação de caixas alimentares feitas de esferovite.

      Activistas ambientais ouvidos pelo PONTO FINAL aplaudem a decisão, que consideram ser de poupa monta, mas, ainda assim, muito positiva. Precisa-se uma cidade mais verde e com menos poluição, pedem.

      Gilberto Camacho, fundador do grupo Macau ECOnscious, fala em “medida de louvar” apesar de ainda ter os pés bem assentes na terra em matéria de satisfação quanto às medidas amigas do ambiente promovidas pelo Governo local nos últimos anos. “É importante termos consciência que as palhinhas de papel e caixas de takeaway de cartão ou bamboo não deixam de ser descartáveis provenientes de recursos naturais, nomeadamente as árvores. Por isso, espero que depois de assistirmos ao fim das palhinhas de plástico, possamos rapidamente assistir ao fim das caixas de takeaway de esferovite e de plástico”, começou por dizer o macaense ao nosso jornal.

      O também conselheiro das Comunidades Portuguesas alerta que a mudança de plástico para produtos amigos do ambiente “irá aumentar a pressão no corte de árvores, por exemplo”. E qual a melhor solução, questionámos. “Passa por não utilizar nenhum material descartável e levar de casa um recipiente, palhinha ou sacos reutilizáveis. Só deste modo as árvores e demais recursos naturais não serão explorados tão intensamente”, nota Camacho.

      Por outro lado, o activista ambiental exulta o Executivo liderado por Ho Iat Seng a “aplicar uma taxa mais alta nas palhinhas de papel e recipientes de papel”. Isso, assegura Gilberto Camacho, “levará o consumidor a lembrar-se em levar estes materiais reutilizáveis quando sair de casa. Enquanto for barato, poucos se irão lembrar do quão importante é este gesto”.

      Macau, afirma o responsável do Macau ECOnscious, “continua a ser a cidade chinesa que mais polui per capita – cerca de duas ou três vezes mais que Pequim – e a reutilização de materiais é fundamental para aproximarmos esses dados para valores mais sustentáveis para o ambiente”. Gilberto Camacho conclui que “a mentalidade do desperdício fácil tem de mudar o mais depressa possível”.

       

      “Evite o desperdício e recicle”

      Annie Lao, também activista ambiental, fala “em passos de bebé”. “Bom, é melhor do que nada. São boas notícias, mas não é suficiente”, afirmou ao PONTO FINAL. Lao é uma acérrima lutadora anti-plástico, por isso, a ideia de banir as palhinhas de plástico é “boa”, contudo esses tipos de produtos são responsáveis por uma percentagem muito pequena do total de resíduos plásticos de uso único no território. “É preciso educar as pessoas. A ideia da proibição é recusar e reduzir primeiro na fonte, que apenas serve para aqueles plásticos desnecessários”, explicou Annie Lao, que considera que a população, excepto em casos muito pontuais como com bebés, deficientes ou pessoas necessitadas, todos deveriam banir as palhinhas e os agitadores sejam de que material forem.

      Para a activista, é claro: a ideia da proibição serve para reduzir o desperdício na fonte. Não obstante, Annie Lao está mais preocupada no combate ao desperdício e numa macro-abordagem do combate ao plástico. “Precisamos avançar rapidamente de forma agressiva na proibição de plásticos de uso único, como garrafas de plástico, recipientes para levar e embalagens de plástico desnecessárias para frutas e vegetais em supermercados que respondem pela maior parte do lixo plástico na cidade”, referiu a criadora das páginas nas redes sociais “Macau Sustain Tips” e “@plastic_free_macau”.

      “As pessoas ainda não entenderam que a intenção de nos tornarmos mais verdes é porque a mudança climática é uma crise urgente e global que precisa da acção de todos, agora. Por isso, evite o desperdício e recicle”, rematou a ambientalista que, em conjunto com outros ativistas, foi uma das responsáveis por pressionar o Governo a avançar com a primeira lei de restrição ao uso dos sacos de plástico.