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      InícioSociedadeAmpliação da ANIMA, na Ilha de Coloane

      Ampliação da ANIMA, na Ilha de Coloane

       

      Este meu projecto poderia ou poderá vir a ser a ampliação do abrigo de animais e sede construída em 2008 para a ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais de Macau, edifício projectado a convite e colaboração com o colega José Maneiras e diálogo com Albano Martins, localizado em extensa encosta na ilha de Coloane, onde já existiam abrigos de animais construídos com chapas de cinco, perfis e redes.

      Na altura, tomámos a decisão de construir um volume em forma de barra a subir a encosta, que tinha a vantagem de ocupar uma porção mínima de terreno, proporcionando que continuassem a ser usados os abrigos pré-existentes, e o contra de estes se manterem até os dias de hoje, não tendo sido construída a ampliação.

       

      O edifício do abrigo e sede que acabou por ser construído teve consultoria de projectistas e veterinários da SPAC Society for the Prevention of Cruelty to Animals em Hong Kong e da CUHK Chinese University of Hong Kong, com quem aprendemos, por exemplo, que o vidro impede os cães de cheirar e, por isso, não ladram ao verem as pessoas visitantes, fazendo com que as divisórias fossem construídas com esse material.

       

      O diálogo com Hong Kong mostrou duas opções na ajuda a animais domésticos abandonados, talvez simbólicas do pragmatismo protestante do Norte da Europa, e emotivo cristianismo do Sul – a opção de cuidar animais saudáveis que são acolhidos por famílias e instituições e fazer eutanásia aos animais muitos doentes, em contraponto com cuidar animais saudáveis que são acolhidos por famílias e instituições e prolongar cuidar até à sua morte todos os animais doentes.

       

      A ampliação, com volumes de altura mais baixa do que o já construído, intercalados com jardim e árvores, estaria relacionada com a abertura a actividades sociais e familiares interligadas com os animais e a natureza verde envolvente, e talvez não continuar a ser acolhimento para muitos animais.

       

      Os projectos do edifício e da ampliação tiveram influência de três mestres com quem colaborei. O edifício relaciona-se com o edifício da TDM, do arquitecto Manuel Vicente, com quem colaborei – aqui com cores que contrastam com o verde da montanha, o vermelho e amarelo de frutos, flores, e a sombra da floresta nas linhas pretas que existem em todas as arestas da construção exterior, linhas vindas da roupa da Coco Chanel, tem cor verde o interior das paredes que criam o volume do edifício, e azul do céu nas vigas e superfícies da cobertura. O desenho em forma de leque na implantação da ampliação refere o complexo de habitação social existente em Chelas, Lisboa, do arquiteto Vítor Figueiredo em conjunto com Eduardo Trigo de Sousa.

       

      Este projecto poderá ainda ser desenvolvido no futuro, concretizando a remoção das estruturas metálicas degradadas, trazendo famílias para junto da floresta, em convívio com animais de estimação.

       

      A visão deste edifício faz-se agora a partir de janelas dos altos edifícios do hospital, apartamentos e hotéis, ao deslocarmo-nos para a encosta continua a ser transição entre edificado e o usufruto da natureza, sentido que seria intensificado com a concretização da função social da ampliação.

       

      Adalberto Tenreiro

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau