Toyota voltou a dominar no último rali de asfalto da temporada. Sébastien Ogier ‘puxou as orelhas’ a Oliver Solberg após novo abandono.
Elfyn Evans dominou no sinuoso asfalto do Rali do Japão e alcançou a segunda vitória da temporada no Campeonato do Mundo de Rali. O galês da Toyota, navegado por Scott Martin, resistiu aos últimos ataques do companheiro de equipa Sébastien Ogier e somou um inédito terceiro triunfo na prova nipónica, com uma diferença de 12.8 segundos para o francês.
Evans tem agora 20 pontos de vantagem para Takamoto Katsuta na liderança do mundial. O japonês, a correr em casa e com forte apoio do público, nunca mostrou andamento para lutar pelos primeiros lugares e ficou à porta do pódio.
“É uma vitória muito importante, sobretudo em casa da Toyota. Para ser sincero, nunca pensei muito nas contas do campeonato. Queria ter ido ‘all-in’ no ‘Super Domingo’, mas acabei por abrandar um pouco o ritmo. O mais importante era assegurar esta vitória. Penso que foi a escolha certa”, afirmou Evans.
Quem perdeu mais terreno nas contas do mundial foi Oliver Solberg, está já a 49 pontos de Evans após uma nova saída de estrada com o seu GR Yaris Rally1 e consequente abandono, o terceiro em quatro ralis. Solberg vinha a forçar o andamento no sábado com o objectivo de encurtar a distância para Evans, mas calculou mal a abordagem a uma curva, vinha com demasiada velocidade e bateu com estrondo num pilar de comunicações. Ficou por ali, com o braço de suspensão traseiro partido. Valeu ao sueco o regresso à competição no ‘Super Domingo’, onde foi o mais rápido, tendo conseguido amealhar os 10 pontos em disputa, após vencer também a ‘Wold Power Stage’.
Ainda assim o sueco não se livrou das críticas de Sébastien Ogier, que Solberg tem como mentor.
“Infelizmente (o acidente) não foi uma surpresa”, começou por dizer o atual campeão do mundo. “Os erros fazem parte da aprendizagem, todos passamos por isso. Mas estão a acontecer demasiadas vezes. Não é a velocidade dele que está em causa. Ele já demonstrou que é muito rápido. O único conselho que lhe posso dar é para ter cuidado e não ir para lá do limite. Há pilotos que queimam as asas muito cedo, querem alcançar muito, muito cedo. Tem de ter mais cuidado porque o potencial está todo lá. E tem muitos anos pela frente”, avisou o gaulês.
Não fosse o acidente de Solberg e a Toyota tinha colocado cinco carros nos cinco primeiros lugares. O finlandês Sami Pajari fechou o pódio para o construtor nipónico que voltou a não dar margem de manobra à Hyundai em eventos de asfalto. Um domínio avassalador que já tinha ficado muito vincado na Croácia e nas Ilhas Canárias.
Hyundai sem resposta
A equipa sul-coreana já sabia de antemão que o Hyundai i20 N Rally1 tem sérios problemas de adaptação ao asfalto, mas a vitória de Thierry Neuville em Portugal indicava alguma evolução mecânica numa temporada que está a ser uma desilusão. A verdade é que Adrien Fourmaux, Thierry Neuville e Hayden Paddon nunca chegaram a incomodar os homens da Toyota, terminando em quinto, sexto e sétimo, respectivamente.
“Andei sempre no limite e numa luta constante com a frente do carro. Não consegui qualquer tipo de melhoria com as afinações que foram sendo introduzidas ao longo do fim de semana. Estou muito desiludido. Que venha rapidamente a gravilha”, desabafou Thierry Neuville.
“Queria ter lutado com os Toyota mas foi impossível. É muito frustrante. É um alívio saber que este foi o último evento de asfalto da temporada. Vamos ser muito mais competitivos na segunda metade do campeonato”, prometeu Adrien Fourmaux.
Haydon Paddon cumpriu muito provavelmente o último rali do ano no WRC. O neozelandês tinha sido recrutado pela Hyundai para fazer as provas de asfalto e já não deve regressar à equipa este ano, uma vez que Esapekka Lappi e Dani Sordo são mais garantias em pisos de terra.
Jon Armstrong foi o melhor entre os Ford Puma da M-Sport. O irlandês terminou em oitavo, tendo sobrevivido a um embate com uma barreira no sábado e a um problema com os intercomunicadores devido ao suor que ‘transpirou’ para o sistema. Armstrong foi melhor do que o compatriota e companheiro de equipa Josh McErlean, que fechou o top-10, isto porque o Lancia Ypsilon HF de Nikolay Gryazin intrometeu-se entre os dois homens da M-Sport.
Gryazin vence WRC2
A batalha no WRC2 só foi decidida na ‘Wolf Power Stage’ do Rali do Japão com Nikolay Gryazin (Lancia) a levar a melhor sobre Alejandro Cachón (Toyota). O russo, que compete no mundial com licença búlgara, voltou a dar um novo triunfo à Lancia, cujo regresso ao WRC – ainda que na segunda categoria – está a ser um sucesso.
Gryazin e Cachón entraram para ‘Power Stage’ separados por apenas 2.8 segundos, o espanhol bem que forçou o andamento, mas um pião deitou tudo a perder, tendo os dois acabado a prova separados por 18.3 segundos.
O WRC está de regresso no final deste mês com o Rali da Acrópole, na Grécia. A prova decorrerá entre 25 e 28 de Junho, naquele que é normalmente um dos eventos de gravilha mais difíceis do calendário.
O Rali do Japão marcou também a despedida desta geração Rally1 ao asfalto. No próximo ano entram em vigor novas regras, com as marcas já no terreno a desenvolverem os carros para 2027.
WRC – Classificação
1 – Elfyn Evans (Toyota) 151
2 – Takamoto Katsuta (Toyota) 131
3 – Oliver Solberg (Toyota) 102
4 – Sami Pajari (Toyota) 96
5 – Sébastien Ogier (Toyota) 90
6 – Adrien Fourmaux (Hyundai) 89
7 – Thierry Neuville (Hyundai) 73
8 – Haydon Paddon (Hyundai) 21
9 – Esapekka Lappi (Hyundai) 21
10 – Yohan Rossel (Lancia) 20











