Oliver Solberg faz ‘Straight Flush’ em Monte-Carlo

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Sueco da Toyota tornou-se o mais jovem de sempre a vencer o mítico Rali de Monte Carlo. Toyota manteve o domínio sobre a concorrência num evento marcado por condições atmosféricas muito adversas.

 

Pernilla. O nome pode não dizer muitos aos leitores, mas é de salientar que a antiga piloto de ralis e chefe de equipa teve um papel essencial na espectacular vitória de Oliver Solberg no Rali de Monte Carlo. Sim. Pernilla é a mãe de Solberg… mas também foi ela quem ensinou o filho a dominar a neve, o gelo e o ‘slush’ – a tal mistura de lama e gelo que resultou em pesadelo para pilotos, máquinas e pneus na região alpina de Hautes Alpes, nos arredores de Gap.

“Foi com a minha mãe que aprendi a conduzir nestas condições, em carros menos potentes, do grupo N. Ela dizia-me que, para controlar o carro, tinha de brincar com o acelerador e com o travão ao mesmo tempo. Foi exatamente o que fiz”, revelou Solberg, com um sorriso nos lábios, no final da segunda especial do Rali de Monte Carlo, depois de ter deixado toda a concorrência a mais de meio minuto.

O relato em relação à mãe não deixa de ser surpreendente, até porque o jovem sueco é também filho do campeão do norueguês Petter Solberg, campeão do mundo de ralis em 2003.

Pernilla estava à espera do filho no pódio improvisado em Moulinet. Tal como Petter. Ambos testemunharam uma das performances mais espectaculares do WRC. Oliver e o co-piloto Elliott Edmondson venceram o rali com uma margem confortável de 51.8 segundos para o galês Elfyn Evans (Toyota) e mais de dois minutos para o ‘rei da montanha’, o francês Sébastien Ogier (Toyota), que já ali tinha triunfado em dez ocasiões.

“Foi o rali de asfalto mais difícil da minha vida. E aqui estou eu… um vencedor de Monte-Carlo. Sou um tipo relaxado. Adoro o que faço, adoro a minha vida. Está a correr bem”, desabafou o sueco, no final do evento. Foi felicitado por toda a gente, incluindo pelos companheiros de equipa, que teceram rasgados elogios ao jovem prodígio.

“O Oliver esteve melhor do que todos os outros. Sangue novo é bom para o campeonato. Espero ter muitas batalhas com ele”, afirmou Ogier.

O sueco até teve um susto aqui e ali, tendo em conta as difíceis condições na estrada, mas nunca tremeu. Incluindo uma incursão por uma colina coberta de neve e uma cerca arrancada.

Os espectadores que marcaram presença na mítica prova do mundial de ralis testemunharam o domínio da Toyota, que colocou três carros no pódio. A marca nipónica entra no ano com o pé direito, depois do domínio demonstrado no ano passado. A Hyundai voltou a fazer um ‘falso arranque’.

O evento organizado pelo Clube Automóvel do Mónaco ficou também marcado pela quebra de um recorde que durava há 24 anos. Ao fim de 321 ralis, a M-Sport – responsável pelos três Ford Puma inscritos no rali – não conseguiu pontuar. Joshua McErlean saiu de estrada logo no primeiro dia. Grégoire Munster ficou parado na primeira especial de domingo. Jon Armstrong, o jovem irlandês recrutado este ano pela equipa de Malcom Wilson, bateu na penúltima especial. Mas fica a nota: Armstrong, considerado por muitos o melhor piloto irlandês da sua geração, mostrou muito bom andamento na estreia ao volante do Ford Puma Rally1. Contem com ele para o que aí vem.

Em modo azarado esteve também Sami Pajari. O jovem finlandês sentiu na pele o traçado escorregadio logo na segunda especial. Ainda reparou o carro, mas foi ao tapete na SS12 quando galgou um banco de neve e bateu com estrondo numa árvore. Não mais saiu dali.

Apesar deste percalço e dos problemas que assombraram o japonês Takamoto Katsuta, o domínio da Toyota foi de tal forma avassalador que, além de ter colocado três carros no pódio, o construtor nipónico ganhou as primeiras 13 especiais do rali. A invencibilidade só foi quebrada na super-especial do Mónaco pelo Hyundai i20 N Rally1 dos franceses Adrien Fourmaux e Alex Coria.

Fourmaux acabou por ser o melhor dos Hyundai – terminou em quarto, com Thierry Neuville logo a seguir. O belga, navegado pelo compatriota Martijn Wydaeghe admitiu desconforto em relação às complicadas condições no terreno. O mesmo aconteceu com neozelandês Hayden Padon. Nunca se adaptou ao gelo e à neve, tendo terminado em décimo primeiro, a um lugar do acesso aos pontos.

“Monte-Carlo, eh? Adoro o carro, adoro estar aqui. Mas não entendo quem gosta deste rali”, brincou o ‘kiwi’.

 

WRC2 com patrocínio de Macau

 

A categoria WRC2 também prometia bastante, tendo em conta o regresso oficial da Lancia ao mundial de ralis. Os dois Ypsilon HF Rally2 da marca italiana mostraram-se muito competitivos, apesar do azar ter batido à porta do francês Yohan Rossel logo no início da prova e do russo – com licença búlgara – Nikolay Gryazin (saída de estrada na especial 12).

Rossel ainda reagrupou e acabou por vencer o ‘Super Domingo’. Sim, o francês foi o mais rápido no derradeiro dia, mesmo em relação aos Rally1. A neve e o gelo equilibraram a performance entre as várias categorias.

Léo Rossel (irmão de Yohan) venceu nos WRC2 ao volante de um Citroen C3, conseguindo mesmo o sexto lugar da classificação geral. O italiano Roberto Daprà (Skoda Fabia RS Rally2) ficou em segundo. Arthur Pelamourgues (Hyundai i20 N Rally2) ficou em terceiro.

Destaque ainda para Eliott Delecour. O jovem francês de 18 anos, filho do ex-piloto François Delecour, impressionou ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, que contou com o patrocínio da IXO, marca de Macau que produz miniaturas automóveis. Uma parceria que vai continuar em vários eventos do WRC.

 

‘Super Domingo’ de loucos

 

Mais um exemplo da loucura que envolveu este Rali de Monte-Carlo teve a ver com as contas do ‘Super Domingo’ Os regulamentos atribuem pontos-extra aos cinco primeiros classificados do último dia de prova. E após as duas primeiras especiais do Domingo era um Rally 3 que estava liderança. Matteo Fontana também entrou para a história após vencer a décima quarta prova especial de classificação. Feito inédito, nunca antes visto. Um Ford Rally3 mais rápido do que os Rally2 e os Rally1. Só com muita neve e gelo.

O WRC regressa à estrada (e à neve) daqui a duas semanas com o Rali da Suécia, entre 12 e 15 de Fevereiro.

 

WRC – Classificação

 

1 – Oliver Solberg (Toyota)              30

2 – Elfyn Evans (Toyota)           26

3 – Sébastien Ogier (Toyota)            18

4 – Adrien Fourmaux (Hyundai) 17

5 – Thierry Neuville (Hyundai)          10

6 – Léo Rossel (Citroen)           8

7 – Takamoto Katsuta (Toyota) 6

8 – Yohan Rossel (Lancia)         6

9 – Roberto Daprà (Skoda)       4

10 – Arthur Pelamourgues (Hyundai) 2