Edição do dia

Quinta-feira, 30 de Abril, 2026
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
21.9 ° C
21.9 °
21.9 °
73 %
10.8kmh
40 %
Qua
22 °
Qui
25 °
Sex
25 °
Sáb
26 °
Dom
28 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioGrande ChinaPequim denuncia campanha externa para incentivar jovens a “deitarem-se e desistir”

      Pequim denuncia campanha externa para incentivar jovens a “deitarem-se e desistir”

       

      O principal organismo de contraespionagem da China alertou ontem que “forças estrangeiras” estão a usar as redes sociais para promover entre os jovens a ideia de “deitar-se e desistir”, numa tentativa de minar o desenvolvimento do país.

       

      O Ministério da Segurança do Estado da China afirmou, numa publicação na sua conta oficial, que entidades externas procuram amplificar a ansiedade social ao “promover continuamente noções negativas”, segundo as quais o esforço é inútil e o trabalho árduo não traz benefícios.

      O objectivo seria “erodir o espírito de perseverança entre os jovens chineses e até minar os valores fundamentais da sociedade”, indicou o organismo.

      De acordo com o ministério, organizações estrangeiras terão financiado órgãos de comunicação e centros de investigação críticos da China, contribuindo para difundir a narrativa de que quem trabalha arduamente no país está a ser explorado, sem identificar os envolvidos.

      Essas entidades terão também apoiado ‘influenciadores’ na produção de vídeos que promovem ideias como “deitar-se é justiça” ou que associam a rejeição do excesso de trabalho à oposição ou à exploração.

      Ao mesmo tempo, acrescentou, os seus países de origem estariam a adotar políticas para revitalizar as economias e atrair talento global, sem especificar quais. “Só esperam que os nossos jovens desistam e, assim, renunciem aos dividendos do desenvolvimento, às oportunidades estratégicas e ao futuro da nossa nação”, afirmou. O ministério apelou ainda a que cada indivíduo procure oportunidades e “tome medidas práticas”, desde a investigação científica até ao empreendedorismo local.

      A expressão “deitar-se e desistir” (‘lying flat’) ganhou popularidade nas redes sociais chinesas em 2021, num contexto de abrandamento económico, tensões comerciais com o Ocidente e impacto da pandemia de covid-19.

      O conceito reflete o desencanto de muitos jovens com a chamada cultura laboral “996” – jornadas das 09:00 às 21:00, seis dias por semana – que, segundo críticas recorrentes, não garante estabilidade financeira nem equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

      O tema mereceu então um aviso do Presidente chinês, Xi Jinping, que defendeu a necessidade de evitar a estagnação social, promover a mobilidade ascendente e criar oportunidades de enriquecimento para mais pessoas.

      Nos anos seguintes, as autoridades lançaram campanhas para combater esta atitude, incluindo a exposição pública de funcionários locais acusados de “deitarem-se”. Ainda assim, o fenómeno persiste num contexto de dificuldades no mercado de trabalho jovem. Em março, a taxa de desemprego urbano na China situou-se em 5,4%, enquanto o desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos, excluindo estudantes, atingiu 16,9%, o valor mais elevado em quatro meses.

      A escassez de oportunidades tem impulsionado um número recorde de candidaturas à função pública, tradicionalmente vista como um “emprego seguro”. No exame nacional do ano passado, cerca de 2,8 milhões de candidatos disputaram pouco mais de 38.000 vagas.

      As autoridades chinesas têm, com frequência, atribuído a grupos estrangeiros a difusão de ideias consideradas indesejáveis, incluindo em áreas como os direitos das mulheres ou a protecção animal. Lusa

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau