A China classificou como “totalmente infundadas” as acusações da Casa Branca sobre empresas chinesas copiarem modelos de inteligência artificial norte-americanos em escala industrial, considerando-as uma “campanha de difamação” contra os avanços tecnológicos de Pequim.
“As alegações dos EUA são totalmente infundadas. Constituem uma campanha de difamação caluniosa contra os êxitos da indústria chinesa de inteligência artificial”, declarou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun, em conferência de imprensa.
O conselheiro tecnológico da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou na quinta-feira que os EUA possuem provas de que “entidades estrangeiras, principalmente na China”, estão a utilizar secretamente e em escala “industrial” modelos de IA norte-americanos para replicar as suas capacidades.
A empresa chinesa DeepSeek anunciou o lançamento de um novo modelo de IA, altamente aguardado pelo mercado. “Instamos a parte norte-americana a respeitar os factos, a abandonar os seus preconceitos, a cessar a sua política de contenção tecnológica e repressão contra a China, e a fazer mais para facilitar as trocas e a cooperação tecnológica entre os dois países”, afirmou Guo Jiakun, referindo-se às restrições impostas pelos EUA ao acesso da China a determinadas tecnologias.
O tema é um dos principais motivos de discórdia entre Washington e Pequim, numa altura em que se anuncia a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, prevista para meados de maio.
EUA impõem sanções a refinaria chinesa e 40 armadores devido a petróleo iraniano
O Governo Trump anunciou a imposição de sanções económicas a uma grande refinaria de petróleo na China e a cerca de 40 armadores e petroleiros envolvidos em transações de petróleo iraniano. A medida cumpre a ameaça do executivo do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor sanções secundárias a empresas e países que fazem negócios com o Irão. Faz também parte da campanha intensificada do Governo republicano para cortar a principal fonte de receitas do Irão: as suas exportações de petróleo. Simultaneamente, os Estados Unidos impuseram este mês um bloqueio físico no estreito de Ormuz, a via navegável do golfo Pérsico que é fundamental para o fornecimento global de energia fóssil.
Estas sanções surgem apenas algumas semanas antes do encontro agendado de Trump com o homólogo chinês, Xi Jinping, na China. Entre os sancionados agora anunciados, está a unidade da Hengli Petrochemical na cidade portuária de Dalian, com uma capacidade de processamento de cerca de 400 mil barris de crude por dia, o que a torna uma das maiores refinarias independentes da China. O Departamento do Tesouro afirmou que a Hengli recebe carregamentos de crude iraniano desde 2023 e gerou centenas de milhões de dólares em receitas para as Forças Armadas iranianas. O grupo de defesa United Against Nuclear Iran afirmou em fevereiro de 2025 que a Hengli era uma das dezenas de compradores chineses de petróleo iraniano.
A China é o maior comprador de petróleo ao Irão, importando 80% a 90% do petróleo iraniano antes do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, embora o crude — transportado por uma frota clandestina de navios — tenha muitas vezes a origem ocultada, chegando à China como petróleo proveniente de países como a Malásia. As refinarias mais pequenas são habitualmente as compradoras de petróleo iraniano.
O Irão já afirmou anteriormente que as suas exigências para o fim da guerra incluem o levantamento das sanções, mas o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o seu departamento “continuará a restringir a rede de navios, intermediários e compradores dos quais o Irão depende para transportar o seu petróleo para os mercados internacionais”.
No início deste mês, o departamento do Tesouro norte-americano enviou uma carta a instituições financeiras da China, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Omã, ameaçando impor sanções secundárias por negociarem com o Irão e acusando estes países de permitirem que as atividades ilegais iranianas se efectuem através das suas instituições financeiras. Lusa












